Antes do encerramento da AIDS 2026, a AIDS Healthcare Foundation (AHF) colocou um dos problemas mais persistentes da saúde pública no centro das discussões da conferência: o avanço da sífilis. Em um debate que reuniu especialistas brasileiros e internacionais, a organização defendeu a integração entre os serviços de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) como estratégia essencial para ampliar a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento, especialmente diante do crescimento dos casos de sífilis em diferentes regiões do mundo.
O encontro foi o primeiro de uma série de três debates promovidos pela AHF durante a conferência, realizada no Rio de Janeiro. A sessão teve como foco a sífilis, incluindo a sífilis congênita e a sífilis na gestação, e reforçou a necessidade de fortalecer a resposta dos sistemas de saúde para evitar infecções evitáveis e suas graves consequências.
Cerca de 50 participantes acompanharam a discussão, conduzida pela Dra. Adele Benzaken, diretora médica global sênior da AHF, pelo Dr. Miguel Pedrola, diretor científico da AHF para a América Latina, e pela Dra. Pâmela Gaspar, do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde. A mediação ficou a cargo de Guillermina Alaniz, diretora global de Advocacy e Políticas da AHF.
Ao longo da sessão, os especialistas discutiram estratégias para ampliar a integração dos serviços de HIV e ISTs, fortalecer a prevenção e a testagem — incluindo a adoção de exames mais sensíveis —, melhorar a coordenação entre os sistemas de saúde e as organizações comunitárias e identificar territórios que necessitam de intervenções mais urgentes das autoridades sanitárias.
Para a Dra. Adele Benzaken, o aumento da sífilis exige uma resposta coordenada e imediata.
“A epidemia de sífilis não pode mais ser ignorada. Os casos estão aumentando em todo o mundo e isso precisa ser enfrentado coletivamente, pela comunidade científica, pelos governos, pela sociedade civil. Precisamos, com urgência, fortalecer mecanismos já existentes e estabelecer novas iniciativas de prevenção, testagem e tratamento.”
A infectologista ressaltou ainda que, apesar de ser uma infecção conhecida, prevenível e curável, a sífilis continua representando um desafio para os sistemas de saúde.
“Sífilis continua nos desafiando, nos questionando. E mesmo com tantas informações disponíveis, ainda não temos todas as respostas. Não temos o direito de ignorar uma doença que pode ser prevenida e tratada.”
A discussão também dialogou com a principal mensagem apresentada pela AHF durante toda a conferência. Com o slogan “Sífilis é séria. Tem cura. Faça o teste.”, a organização transformou a infecção no tema central de seu estande na AIDS 2026, acompanhando a preocupação internacional com o aumento dos casos registrados em diversos países.
Durante toda a semana, o espaço reuniu ações voltadas à prevenção combinada, oferecendo gratuitamente preservativos internos e externos, gel lubrificante e kits de autoteste para HIV, além de informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento das infecções sexualmente transmissíveis.
A programação especial da AHF na conferência também abordou outros desafios da resposta ao HIV. O segundo debate discutiu estratégias para melhorar a adesão e a retenção das pessoas vivendo com HIV nos serviços de saúde, enquanto a terceira e última sessão foi dedicada ao tratamento preventivo da tuberculose entre pessoas vivendo com HIV, reforçando a importância de integrar diferentes frentes de cuidado para reduzir a morbimortalidade e ampliar o acesso à assistência.
Redação da Agência de Notícias da Aids
* A equipe da Agência de Notícias da Aids cobre a AIDS 2026 com o apoio do Senac São Paulo e da Coordenadoria de IST/Aids da cidade de São Paulo.




