Geriatra explica como o envelhecimento pode transformar o desejo e reforça a importância do respeito, da saúde sexual e da prevenção
O envelhecimento não significa o fim da sexualidade. O desejo, os sentimentos, a intimidade e a possibilidade de viver relações afetivas e sexuais continuam presentes na terceira idade, embora possam passar por mudanças ao longo dos anos.
Doenças crônicas, uso de medicamentos, depressão, solidão e experiências de luto podem interferir na libido e na disposição para a vida sexual. Essas situações, porém, não significam necessariamente o fim do desejo ou da possibilidade de manter um envelhecimento satisfatório.
Nesta quinta-feira (27), o âncora da Rádio Folha 96,7 FM, Jota Batista, conversou, no Canal Saúde, com a geriatra e paliativista Sandra Brotto Furtado, sobre os mitos, preconceitos e cuidados relacionados à sexualidade na velhice.
Para a geriatra, as mudanças provocadas pelo envelhecimento não significam necessariamente uma redução do desejo sexual.
“A gente sabe que existem mudanças próprias do envelhecimento, mas de forma nenhuma é normal, não faz parte da idade, como se acredita, uma redução da sexualidade. A sexualidade é individual. Cada um tem a sua forma de expressar e, com o envelhecimento, a depender do parceiro e das condições de saúde, é claro que isso vai afetar a forma de expressar a sexualidade, mas não é normal que a gente tenha uma redução do desejo sexual com a velhice”, explica Sandra Brotto Furtado.
O preconceito também pode interferir na forma como pessoas idosas vivenciam a sexualidade. Segundo a especialista, familiares, amigos e a própria sociedade ainda podem tratar o desejo sexual na terceira idade como algo inadequado.
“Muitas vezes a gente vê a família, os amigos ou a própria sociedade inibindo esse desejo sexual, como se falar de sexualidade na terceira idade fosse uma coisa levada para o lado pejorativo, como se o idoso tivesse que ser um ser assexuado, a pessoa idosa. E a gente sabe que isso não é verdade”, afirma a geriatra.
Durante a entrevista, Sandra Brotto Furtado também alertou para o uso indiscriminado de medicamentos para disfunção erétil, conhecidos popularmente como “azulzinhos”.
“Do ponto de vista dos azulzinhos, dos medicamentos para a questão da impotência, são medicamentos que vieram para ajudar e realmente revolucionar a sexualidade na terceira idade. Quando bem indicados, com boa indicação, são excelentes, mas a gente precisa de uma avaliação. O que a gente realmente fica um pouco receoso é com essa liberação e esse uso indiscriminado sem acompanhamento médico”, destaca.
Outro ponto abordado foi a dificuldade de muitas mulheres idosas em conversar abertamente com os parceiros sobre desejos e insatisfações na vida sexual.
“As mulheres, principalmente essas mulheres idosas, na grande maioria, não se consideram satisfeitas sexualmente. Então, a falta de liberdade de conversar com o parceiro, de expressar o que gostam, a falta de preliminares muitas vezes. E muitas vezes eu questiono para o casal como é que está a vida sexual, os dois dizem que está bom e depois volta um e volta outro separado para dizer que não está bom. E aí a gente tem que fazer esse meio de campo para conseguir juntar os desejos e melhorar”, conclui Sandra Brotto Furtado.
O desejo na maturidade pode se transformar, mas não precisa desaparecer. A sexualidade continua fazendo parte da vida e pode ser vivenciada de diferentes formas, com afeto, intimidade, diálogo, respeito e cuidados com a saúde.




