Especialistas alertam para perigos de desidratação, insolação e infecções sexuais; saiba como se prevenir com dicas de hidratação e alimentação.
Foliões que pretendem acompanhar os blocos de rua em Belo Horizonte devem redobrar a atenção com a saúde para evitar intercorrências médicas durante o Carnaval. A combinação de exposição solar prolongada, alimentação irregular e consumo de álcool eleva os riscos de desidratação, insolação e hipoglicemia. Segundo a coordenadora do curso de enfermagem da Estácio BH, Josei Karly Motta, o período exige cuidado preventivo para suportar as longas jornadas de festa.
Hidratação e alimentação
A desidratação é uma das ocorrências mais comuns e apresenta sinais como sede intensa, boca seca, tontura e dor de cabeça. “O mal-estar costuma melhorar com hidratação e descanso à sombra. Já a insolação é mais grave e pode causar febre alta, pele quente e avermelhada, náuseas, vômitos, tontura intensa, confusão mental e até desmaio. Diante de sinais como alteração no estado mental, vômitos persistentes ou perda de consciência, é fundamental procurar atendimento médico imediato”, é o que explica Josei.
Prevenção de ISTs
No campo da saúde sexual, o período registra um aumento histórico na transmissão de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como HIV, sífilis e gonorreia. A infectologista e diretora clínica do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais (HUCM-MG), Raquel Bandeira, reforça que o uso do preservativo é a principal forma de prevenção: “A PEP (Profilaxia Pós-Exposição) para o HIV deve ser iniciada em até 72 horas após a exposição, preferencialmente o quanto antes. Também é necessária a avaliação para outras ISTs, com testagem inicial e acompanhamento médico. A testagem rápida, antes e depois do Carnaval, ajuda a identificar infecções que podem ser assintomáticas, como sífilis e HIV em fase inicial.”
O SUS oferece gratuitamente métodos de prevenção como a PrEP, indicada para pessoas com maior risco de exposição ao HIV, e a própria PEP, utilizada em situações de urgência. Segundo a infectologista, aproveitar a folia com responsabilidade é essencial. O uso de preservativo, a testagem, a vacinação e a busca por atendimento quando necessário são medidas que protegem a própria saúde e a do outro.
Cuidados com o clima e substâncias
A exposição ao calor extremo pode causar insolação, caracterizada por temperatura corporal elevada e confusão mental, exigindo atendimento médico imediato. Por outro lado, as chuvas típicas de fevereiro trazem o risco de hipotermia e doenças como a leptospirose em áreas alagadas. Especialistas alertam ainda que o uso de substâncias ilícitas potencializa arritmias e desidratação extrema, devendo ser evitado para garantir a segurança individual. “O uso de drogas potencializa riscos sérios para a saúde. Estimulantes podem causar arritmias, desidratação extrema, hipertermia e comportamento agressivo.
Depressores aumentam o risco de desmaios, vômitos e depressão respiratória. Já drogas alucinógenas podem levar à perda de percepção da realidade, acidentes e comportamentos de risco. Somado ao ambiente de calor, multidões e desgaste físico, o perigo se multiplica. O ideal é evitar completamente o uso de qualquer substância ilícita”, complementa a coordenadora do curso de enfermagem.
Confira um checklist para manter a saúde em dia durante esse período de folia:
- Hidratar constantemente.
- Alimentar bem ao longo do dia.
- Usar protetor solar e reaplicar com frequência.
- Evitar exposições prolongadas ao sol nos horários mais quentes.
- Usar roupas leves e confortáveis.
- Consumir álcool com moderação e intercalar com água.
- Utilizar preservativo em todas as relações sexuais.
- Evitar o uso de drogas.
- Manter documentos e contatos de emergência acessíveis.
- Caso não se sinta bem, procure ajuda imediatamente.




