Psiquiatra Dra. Bianca Bolonhezi destaca importância da escuta, do acolhimento e da busca por ajuda profissional antes que o sofrimento se agrave
Mudanças de comportamento, isolamento, desânimo persistente e alterações no sono ou no apetite podem ser sinais de que uma pessoa atravessa um período de sofrimento emocional. Nem sempre essas manifestações indicam risco de suicídio, mas, quando persistem ou aparecem associadas a outros sinais, merecem atenção de familiares, amigos e pessoas próximas.
No Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientização e prevenção ao suicídio, especialistas reforçam que a construção de uma rede de apoio pode ser importante para identificar situações de sofrimento e aproximar quem precisa de atendimento profissional.

Para a Dra. Bianca Bolonhezi, médica psiquiatra e CEO do Instituto Macabi, a prevenção começa muitas vezes fora dos consultórios, em conversas cotidianas e na disposição para ouvir sem julgamento.
“Quando falamos em prevenção ao suicídio, o primeiro passo não é técnico, é humano: é estar presente, perguntar como a pessoa está e realmente escutar a resposta. Muitas vezes, mais do que uma solução pronta, o que pode fazer diferença é saber que existe alguém disposto a acompanhar aquele momento”, afirma a dra. Bianca.
Segundo a psiquiatra, mudanças como isolamento social, alterações de humor, desânimo persistente e alterações no sono ou no apetite podem indicar que uma pessoa não está bem. Esses sinais, isoladamente, não significam necessariamente risco de suicídio, mas merecem atenção quando são persistentes ou aparecem acompanhados de outros indícios de sofrimento.
A aproximação, explica a médica, não exige conhecimento especializado. O mais importante é criar espaço para que a pessoa consiga falar sobre o que está vivendo.
“Não é preciso ter uma formação técnica para acolher alguém. É preciso disponibilidade, escuta sem julgamento e, principalmente, disposição para perguntar diretamente como a pessoa está se sentindo. Existe o receio de que falar sobre suicídio possa incentivar esse tipo de pensamento, mas uma conversa aberta e cuidadosa pode ser importante para que a pessoa se sinta acolhida e consiga buscar ajuda”, explica.
Ajuda não deve ser procurada apenas em situações extremas
Outro ponto destacado pela Dra. Bianca é a importância de romper com a ideia de que o atendimento psicológico ou psiquiátrico deve ser procurado somente quando a situação já se tornou grave.
Psicólogos e psiquiatras podem ajudar na avaliação e no tratamento de diferentes quadros de sofrimento psíquico. A orientação é não esperar que os sintomas se agravem para buscar acompanhamento.
“Buscar um psiquiatra ou psicólogo não deve ser visto como algo reservado para situações extremas. Sofrimento emocional persistente, sensação de perda de sentido, pensamentos recorrentes sobre morte ou vontade de desistir da vida são sinais de que é importante procurar suporte profissional o quanto antes”, orienta.
A médica também destaca que a prevenção ao suicídio não é uma responsabilidade exclusiva de quem está em sofrimento. Família, escola, ambiente de trabalho, profissionais e serviços de saúde, além das políticas públicas, fazem parte de uma rede mais ampla de proteção e cuidado.
Para a psiquiatra, ampliar o debate sobre saúde mental também é uma forma de reduzir o estigma que ainda cerca a procura por atendimento.
“O Setembro Amarelo existe para lembrar que falar sobre saúde mental é fundamental. Quanto mais naturalizamos essa conversa e reduzimos o estigma em torno da busca por ajuda, maiores são as possibilidades de que uma pessoa em sofrimento consiga pedir apoio”, conclui.
Redação da Agência de Notícias da Aids com informações
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Dra. Bianca Bolonhezi
Instagram: @biancabolonhezi




