“Você não está sozinho.” Essa frase pode parecer simples, mas para quem enfrenta uma crise emocional, ela pode significar a diferença entre a esperança e o desespero. O Setembro Amarelo, campanha mundial de prevenção ao suicídio, é um convite para que a sociedade olhe com mais atenção para o sofrimento silencioso que muitas pessoas carregam.
Durante a pandemia de Covid-19, milhões de brasileiros experimentaram a solidão, o luto e a ansiedade em níveis sem precedentes. Agora, com a vida retomando seu ritmo, é preciso falar sobre os impactos deixados por esse período — e sobre como buscar ajuda pode ser o primeiro passo para uma vida com mais leveza.
Saúde mental também para quem vive com HIV
A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo reforça que os serviços de saúde mental do SUS estão disponíveis para toda a população — inclusive para pessoas vivendo com HIV/aids, que muitas vezes enfrentam estigma e isolamento, além dos desafios clínicos da doença.
Essa integração é fundamental, já que cuidar da saúde mental é tão importante quanto manter o tratamento antirretroviral em dia. Falar sobre sentimentos, receber acolhimento psicológico e ter acompanhamento multiprofissional são partes essenciais para garantir qualidade de vida.
Onde encontrar acolhimento em São Paulo
São Paulo tem uma rede de atendimento gratuita pelo SUS voltada para a saúde mental:
* UBS – Unidades Básicas de Saúde: primeira porta de entrada para atendimento. Basta procurar a UBS mais próxima da sua casa para receber orientação, acolhimento ou encaminhamento para acompanhamento especializado.
* CAPS – Centros de Atenção Psicossocial: oferecem atendimento continuado para pessoas em sofrimento psíquico intenso ou em situação de crise.
* Hospitais, UPAs 24h, pronto-socorros e SAMU (192): estão preparados para situações de urgência.
E para quem precisa apenas conversar, desabafar ou ser ouvido, existem canais de apoio emocional:
* CVV – Centro de Valorização da Vida: atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188, chat, Skype ou e-mail, 24 horas por dia.
* Pode Falar – Canal do UNICEF: espaço de escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos, disponível online.
Avanços na resposta ao HIV
Essa mesma rede de saúde é responsável por resultados históricos no enfrentamento ao HIV e à aids. Em 2024, São Paulo alcançou o oitavo ano consecutivo de redução no número de novas infecções por HIV e o décimo ano seguido de queda nos casos de aids.
A cidade também foi a primeira de seu porte no mundo a eliminar a transmissão vertical do HIV (de mãe para bebê), certificada em 2019 pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde — conquista mantida com recertificações em 2021 e 2023.
Em 2023, a capital registrou 1.766 novos casos de HIV, uma redução de 53% em relação a 2016. Entre jovens de 15 a 24 anos, a queda foi de 59%, resultado atribuído às políticas de prevenção combinada, acesso ao tratamento imediato e ampliação da testagem.
Cuidar de tudo o que nos afeta
Quando a saúde é tratada de forma integral — corpo e mente — é possível salvar vidas e transformar realidades. O Setembro Amarelo reforça que falar sobre sofrimento, pedir ajuda e acolher o outro são gestos tão importantes quanto tomar um medicamento: ambos são formas de prevenção. A campanha de prevenção ao suicídio é um convite para quebrar o silêncio. Cada conversa pode ser um gesto de cuidado e um caminho para a vida. O simples ato de perguntar “você está bem?” e ouvir sem julgamento pode fazer toda a diferença.
Redação da Agência de Notícias da Aids



