Américo Nunes, ativista e empreendedor social, fundador do Instituto Vida Nova, foi o convidado da semana na coluna semanal da Agência Aids “Senta Aqui, com Marina Vergueiro”. No bate-papo ao vivo com a jornalista, Américo dividiu um pouco de sua história pessoal e trajetória na militância.
No ano de 1998, uma descoberta abalou a vida de Américo Nunes: o diagnóstico de HIV positivo. Naquele momento, ele conta que se viu diante de um desafio colossal: enfrentar um vírus que era estigmatizado e ainda sem tratamento eficaz.
O ativista relembra que esse período de sua vida foi marcado por uma mistura de medo e incerteza. “Fiquei pensando para quem contar, tive medo do preconceito e da discriminação”, afirmou.
No entanto, depois de algumas semanas, encontrou coragem para compartilhar sua condição com uma amiga próxima com quem trabalhava. Juntos, eles enfrentaram a falta de informações e a incerteza sobre o futuro. Segundo Américo, essa amiga se tornou um importante pilar de fundamental em sua jornada.
“Eu tinha medo da morte, pois a sentença era de seis meses,” recorda, trazendo mais uma vez a memória que a aids, no imaginário social, era vista como uma sentença de morte iminente.
Américo, no entanto, tinha uma resiliência admirável. “Sempre tive uma cabeça e uma saúde mental muito boa, sempre consegui administrar bem todos os problemas”, contou e completou: “costumo dizer que, se eu não estivesse no Movimento de Luta Contra a Aids, não sei se estaria aqui hoje contando minha história.”
Essa jornada de ativismo que transformou a vida de Américo, segundo o próprio, lhe trouxe ter um olhar mais humanitário. “Antes, eu me preocupava somente comigo, só queria estudar, trabalhar e cuidar da minha vida”.
Com essa mudança de paradigmas, tornou-se então um empreendedor social, ao fundar em 2000 o Instituto Vida Nova, ONG que atua na Zona Leste de São Paulo com trabalhos de acolhimento, assistência, incidência política e de controle social.
O Vida Nova, em seus 20 anos, já impactou mais de 12 mil pessoas, direta e indiretamente. A ONG inclui projetos diversificados, incluindo uma iniciativa de prevenção da sífilis entre mulheres com rodas de conversa, que começará em dezembro. Seu carro-chefe atual, o projeto “Agora Você Está Pronto”, distribui materiais gráficos e preservativos internos e externos em locais alternativos. Os agentes de prevenção além de serem dispensadores dos insumos, ainda promovem rodas de conversa para disseminar informações corretas.
O Vida Nova oferece suporte psicológico, grupos de convivência, academia para pessoas vivendo com HIV, cuidando do bem-estar integral dessa população. Além disso, outros projetos abordam advocacia, controle social, prevenção ao HIV/aids, sífilis, tuberculose e muito mais.
Antes de encerrar a conversa, Américo também destacou que um dos maiores desafios da atualidade enfrentados na luta contra a aids, é a conscientização sobre o HIV na juventude. “A gente [no Vida Nova] tem uma grande dificuldade [com os mais jovens], pois eles não participam ativamente, mas estamos trabalhando para aproxima-los porque eles também são população-chave”, compartilhou e finalizou.
Assista a conversa na íntegra:
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Kéren Morais (kéren@agenciaaids.com.br)
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