
“Intensa demais para viver pela metade”. Quem abre o perfil de Leila Cassiano no Instagram, pode se deparar com esta frase que a descreve. A influenciadora digital foi a convidada desta semana na coluna semanal “Senta Aqui, com Marina Vergueiro”, no Instagram da Agência Aids. Ela dividiu com a colunista e seguidores sua história de força, desafios e conquistas. Leila trabalha como auxiliar administrativa em um hospital, é mãe e vive com HIV há três anos.
Aos 14 anos, casou-se com um homem de 35. Segundo a própria, a união precoce fez com que pulasse etapas de sua vida. Leila afirmou que, em certa medida, a escolha foi influenciada pelo conservadorismo da época e pela pressão de sua família, muito religiosa. No entanto, não se resignou à sua situação. Após o fim do casamento que durou quase 15 anos, Leila viveu intensamente sua vida de solteira; neste meio tempo, quando já era mãe de seu filho mais velho e do meio (frutos do seu antigo matrimônio), acabou engravidando novamente. Foi durante o pré-natal de seu caçula que Leila recebeu um diagnóstico que mudaria sua vida: o HIV.
Ela compartilhou o turbilhão de emoções que sentiu ao receber esse diagnóstico. “Eu não sabia se queria morrer ou viver, não sabia se teria forças pra criar essa criança e dos meus outros filhos que também precisavam de mim”, falou.
Seus próprios complexos, somados a discriminação que sofreu por conta da sua sorologia positiva, foi um duplo desafio. A desinformação e o estigma em torno do HIV eram esmagadores, no entanto, Leila encontrou forças para enfrentar sua condição.
“Alguém que dizia ser muito meu amigo, quando tivemos uma desavença, me mandou uma mensagem me chamando de imunda, falando que eu não merecia nem colocar o pé na terra [por viver com o vírus da aids].
Hoje, aos 35 anos de idade, sua percepção sobre a vivência HIV+ é outra. “O HIV se tornou tão pequeno na minha vida; tenho força para me capacitar, estudar, criar conteúdo e acolher outras pessoas que estão recebendo agora o diagnóstico”, celebrou.
Leila complementou: “eu falo que o HIV me trouxe vantagens, hoje eu só tenho a minha volta amigos de verdade, pessoas que estão [dispostas] a me acolher, pessoas que têm conhecimento…’’
Atualmente, Leila não apenas vive bem com o HIV, mas também se tornou uma defensora incansável da conscientização e da disseminação de informações precisas sobre a aids.
Utilizando sua própria experiência para ajudar outras pessoas que estão passando por situações semelhantes, vêm mudando vidas fazendo de sua história e da educação pontes de transformação, pois “o preconceito é falta de conhecimento”, finalizou.
Kéren Morais (keren@agenciaaids.com.br)
Dica de entrevista
Leila Cassiano
Instagram: @intensapositivo



