Senta aqui: Influenciador Filipe Estavam defende a psicoterapia como um dos caminhos para o acolhimento de pessoas vivendo com HIV/aids e desconstrução de estigmas

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Na noite da última segunda-feira (10), a coluna ‘‘Senta Aqui, com Marina Vergueiro’’ recebeu o psicoterapeuta e criador de conteúdo digital, Filipe Estevam; há seis anos, nas redes, o carioca que coleciona quase 20 mil seguidores, divide um pouco do seu dia a dia e democratiza o acesso de informações sobre saúde mental e HIV/aids, além de utilizar deste espaço para estimular o autoconhecimento.

Na conversa que rolou ao vivo com a jornalista e colunista Marina Vergueiro, o convidado contou que teve uma infância muito marcada pelo conservadorismo, pela discriminação e rejeição, mas também pelo afeto e acolhimento familiar. ‘‘Tive uma educação muito boa, sempre estudei sempre em boas escolas e minha família sempre me apoiou, mas sempre ficam as marcas de um menino de uma criança atravessada pelas questões da sexualidade na escola’’, falou.

‘‘Eu nasci em 1980, então vivi minha infância numa época em que a sociedade ainda não estava muito preparada para falar sobre e a acolher crianças que já mostravam uma certa diferença’’, complementou.

Filipe que vive com HIV há duas décadas, compartilhou que os primeiros anos de diagnóstico não foram nada fáceis e recorreu à terapia para sanar suas dores e complexidades emocionais trazidas e potencializadas pelo vírus. ‘‘Eu precisava de ajuda para lidar com todas as minhas questões, meus medos e minhas inseguranças’’. 

Segundo ele, foi exatamente neste momento que se envolveu com questões de saúde mental e desenvolvimento humano, apesar de nesta mesma época já ter se formado designer.

‘‘Eu tinha carreira, equipe, um trabalho e um salário muito bacana, eu só não tinha uma coisa: felicidade. Eu não estava feliz e não via mais sentido em tudo aquilo’’, dividiu.

O fato de estar sob os cuidados de um profissional da psicologia, de acordo com Filipe, foi o que lhe ancorou e lhe salvou psicologicamente e emocionalmente. A análise foi tão fundamental na sua trajetória, que se apaixonou por ela até se tornar também um psicoterapeuta. ‘‘Eu entendi que seria muito mais feliz cuidando de pessoas e passei a ir investindo nisso’’, comentou.

Filipe Estevam entendeu que os desafios e dificuldades enfrentadas faziam parte de algo maior e utilizou momentos como ferramentas de transformação. 

‘‘Queria mostrar que é possível ter qualidade de vida vivendo com HIV/aids e que hoje isso não é mais uma sentença de morte, apesar de todos os desafios que ainda enfrentamos, mas que são muito mais sociais’’.

O psicólogo celebrou os avanços científicos na medicina, que nos aproximam cada vez mais de uma cura viável para a aids, porém destacou que os esforços não param por aí, e que a propagação de informação de qualidade continuará sendo fundamental para romper os preconceitos e estigmas que existem em torno do vírus.

‘‘As pessoas precisam ouvir sobre HIV, esse assunto não é só meu e não é só seu, ele é de uma toda a sociedade. A gente avança, a gente vai e volta, porque o caminho não é linear’’, finalizou.

Kéren Morais (keren@agenciaaids.com.br)

Dica de entrevista 

Filipe Estevam 

@filipe.estevam.leve

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