
Nesta terça-feira (12), a jornalista Marina Vergueiro conversou com Vânia Maria, atriz e compositora, que vive com HIV há quase três décadas. O bate-papo trouxe à tona a infância da artista, como ela lidou com a descoberta do diagnóstico e a importância da arte no processo de descoberta.
Vânia deu início aos estudos de teatro em 1990, em um curso de atuação ministrado por Stênio Garcia, mas contou que desde a infância a arte é presente em sua vida. “A minha infância já foi bem promissora para a arte, quando eu era criança fazia espetáculos de teatro na garagem da casa da minha mãe, então eu sempre gostei de arte, cantar e atuar”.
Após 5 anos do início do curso, descobriu que estava infectada com o HIV. Era uma época difícil, muitas pessoas morreram em decorrência da aids. Vânia ficou assustada e quis fugir, porém, ao mesmo tempo a arte foi um meio que utilizou para se refugiar. “Eu recebi o diagnóstico e pirei, fiquei enlouquecida. Convidei uma amiga para viajar porque eu queria sumir, ai essa amiga aceitou, a gente saiu viajando de carona na maior loucura”, falou, “Quando eu soube da minha sorologia, me deu vontade de escrever um roteiro para teatro, e aí eu escrevi só uma ideia que ficou anos guardada nos papéis.”
Com o passar dos anos, passou a ter contato com o diretor Davi Revoredo e em um de seus encontros decidiram dar início ao curta documental Sinais Vermelhos, que foi baseado nos escritos que ela tinha guardado sobre a sua trajetória de vida enquanto artista HIV+. O diretor apenas roteirizou juntamente com Vânia, que teve de finalizar e dirigir junto de Márcia Lohs. “Foi bem lindo, bem aceito, as pessoas gostaram”, falou sobre.
Sinais Vermelhos conta a história desta multiartista potiguar e busca mostrar sua trajetória a partir do diagnóstico de HIV, fugindo de estereótipos historicamente construídos.
“A arte me abriu mundos, me abriu a cabeça. A minha formação como pessoa vem da arte e do teatro, através das oficinas que eu fiz, as pessoas que eu conheci, os mestres que eu tive. Com certeza ela já vinha de antes na minha vida, desde criança. A música e o teatro são uma forma de fazer escapar, às vezes encarar, os sofrimentos da vida. A arte salva, eu acredito nisso”, concluiu.
Assista a live na íntegra:
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Sâmylla Rocha (samylla@agenciaaids.com.br)
Dica de entrevista:
Vânia Maria
E-mail: vaniamariamusica@gmail.com


