
O bailarino, ator, produtor e escritor, Rafael Bolacha, dividiu sua história de vida, na última segunda-feira (26) na coluna semanal Senta Aqui, com Marina Vergueiro. No bate-papo ao vivo transmitido através do Instagram da Agência Aids, ele compartilhou que teve a sorte de desfrutar de uma infância que, apesar de humilde e rígida, foi feliz e afetuosa, e que dela coleciona muitas boas memórias. ‘‘Tive uma infância muito boa, minha família sempre gostou de festas, de ir aos bailes, juntávamo-nos com os vizinhos para fazer festa junina…’’, relembrou.
Segundo o convidado, a arte sempre esteve presente em sua vida, e a certeza de seu propósito veio desde muito cedo. ‘’Eu sabia que queria ser artista, deixava até de ir em festinhas porque tinha ensaios, sempre muito dedicado e emprenhado’’, contou.
Esse empenho permanece na vida do artista, que dentre os múltiplos trabalhos que toca atualmente, está o projeto ‘‘Uma Vida Positiva’’. Este projeto selecionado no edital ReAção, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Ribeirão Pires, visa promover encontros para exibição do curta-metragem ‘’DIA 1’’, roteirizado e dirigido por Rafael Bolacha, e diálogos sobre HIV/aids, direitos humanos e sociais.
O bailarino atribui muito carinho e importância a este trabalho, já que destaca que, para quem é do interior ou vive fora do eixo Rio/SP, viver da arte e da cultura, na maioria das vezes, é um sonho distante e desafiador. ‘’Eu nunca fui em uma busca pela fama em si, eu sempre quis contar histórias’’, afirmou.
E falando em desafios, Rafael Bolacha ainda contou que o medo do desconhecido esteve presente quando largou São Paulo para tentar a vida artística no Rio de Janeiro, em razão de dificuldades financeiras. Já no Rio, dois anos depois, descobre então seu diagnóstico positivo para o HIV.
“Eu ainda peguei a época onde se esperava quinze dias para pegar o resultado do exame”, disse o convidado que relata que testou em meio a um importante trabalho que assumiu na época, para a The Walt Disney Company, maior conglomerado de mídia do mundo.

Após o longo período de tensão e ansiedade até o resultado do exame, soube de seu diagnóstico positivo e o primeiro pensamento que passou por sua cabeça quando recebeu seu diagnóstico, foi o de largar a carreira artística. “Eu pensava em como iria conseguir me cuidar pra ter qualidade de vida sem um trabalho fixo”.
Rafael que também é escritor e desde sempre amante da escrita, dividiu ainda que já fundou um blog ‘’lá era um lugar onde eu lançava meus pensamentos e meus medos’’.
Sua história, que por tempos foi atravessada pelos desafios frutos do adoecimento do HIV e todas as demandas sociais que o vírus traz, foi ressignificada. Para alcançar a superação, de acordo com Rafael, foi fundamental o cuidado que recebeu da sua rede de apoio, por isso defende que, para as pessoas vivendo com HIV/aids ‘‘ter acolhimento faz toda a diferença’’
Assista o bate-papo na íntegra


