Encontro realizado em 25 de setembro reuniu estudantes para discutir diferenças entre HIV e aids, estratégias de prevenção e a importância da educação sexual e do acesso à informação em saúde
Informação, prevenção e educação sexual estiveram no centro da roda de conversa realizada na sexta-feira, 25 de setembro, no Senac Aclimação, em São Paulo. A atividade integra o projeto desenvolvido em parceria entre o Senac São Paulo e a Agência de Notícias da Aids, que percorre diferentes unidades levando informação sobre HIV, aids, infecções sexualmente transmissíveis e saúde sexual para estudantes.
Participaram do encontro João Geraldo Netto, criador do canal Super Indetectável e pessoa vivendo com HIV, e Regiane Garcia, psicóloga e sexóloga. A dinâmica seguiu a proposta dos encontros anteriores: abrir espaço para diálogo, esclarecer dúvidas e aproximar informações científicas da realidade dos jovens.
João começou a conversa compartilhando a própria experiência com o diagnóstico. Ele contou aos estudantes que estava em um relacionamento quando decidiu, junto com o então namorado, fazer o teste para HIV. O resultado dele foi positivo.

A descoberta, relatou, trouxe medos e dúvidas que também atravessam muitas pessoas quando recebem o diagnóstico. João contou que sua primeira reação foi pensar que poderia morrer, apesar de já conhecer informações sobre HIV.
A experiência pessoal acabaria se transformando também em uma ferramenta de comunicação. Em 2008, João criou o Super Indetectável, projeto voltado à divulgação de informações sobre HIV, prevenção, tratamento e saúde sexual, além do enfrentamento ao estigma. A iniciativa passou a reunir conteúdos em diferentes plataformas digitais e espaços de acolhimento e orientação.
Diante dos alunos, João usou sua própria trajetória para explicar também uma dúvida ainda frequente: HIV e aids não são a mesma coisa.
“O HIV é o vírus da imunodeficiência humana. Já a aids é uma condição que pode surgir quando a infecção pelo HIV não é diagnosticada ou tratada adequadamente e o sistema imunológico fica comprometido. Eu nunca tive aids”, explicou.
“Com diagnóstico e tratamento, pessoas vivendo com HIV podem ter qualidade de vida e não necessariamente desenvolver aids”, completou.
Prevenção vai muito além do preservativo
Outro eixo da conversa foi a Mandala da Prevenção Combinada, apresentada aos estudantes como forma de mostrar que a prevenção ao HIV não depende de uma única estratégia.
Entre as possibilidades estão o uso de preservativos, a testagem regular para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), o tratamento das pessoas que vivem com HIV, além da vacinação e de outras medidas de cuidado.
A proposta da prevenção combinada é ampliar as possibilidades de proteção e permitir que cada pessoa utilize as estratégias mais adequadas à sua realidade, ao seu momento de vida e às suas relações.
Durante a roda, também foi reforçado o conceito de Indetectável=Intransmissível (I=I): pessoas vivendo com HIV que fazem o tratamento corretamente e mantêm a carga viral indetectável não transmitem o vírus por via sexual.
Além de ser uma informação fundamental para a prevenção, o conceito contribui para enfrentar preconceitos que ainda cercam as pessoas vivendo com HIV.
“Sexualidade faz parte da nossa vida”

Com Regiane Garcia, a conversa avançou para a importância da educação sexual e do acesso dos jovens a informações confiáveis sobre saúde.
A psicóloga e sexóloga lembrou que sexualidade não deveria ser tratada como um assunto proibido ou separado da vida cotidiana. Ao contrário, faz parte da existência humana e precisa ser discutida com naturalidade, responsabilidade e respeito.
“Não existe cegonha. Se todos nós estamos aqui é porque nossos pais transaram”, disse Regiane aos estudantes, ao defender que conversar sobre sexualidade não deveria causar constrangimento nem ser cercado por silêncio.
Para ela, conhecimento em saúde é uma ferramenta de cuidado. Educação sexual envolve compreender o próprio corpo, conhecer formas de prevenção, falar sobre consentimento, responsabilidade, autonomia, direitos e saber onde procurar orientação e atendimento.
“Ampliar esse debate entre jovens é uma forma de oferecer instrumentos para que escolhas sejam feitas com mais informação e menos medo”, destacou.
A roda mostrou que falar de sexualidade significa também criar condições para que adolescentes e jovens reconheçam situações de risco, saibam como se proteger, conheçam os recursos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) e possam tomar decisões baseadas em informação.

No Senac Aclimação, ciência, experiência pessoal e educação sexual se encontraram em uma conversa direta com os estudantes. E, mais uma vez, ficou uma mensagem que atravessa todo o projeto: informação de qualidade também é prevenção.
Nesta quinta-feira, 1º de outubro, será a vez da unidade do Senac localizada na Rua Faustolo, em São Paulo, receber a atividade, dando continuidade ao ciclo de encontros sobre HIV, prevenção combinada, saúde sexual e educação.
Redação da Agência de Notícias da Aids


