13/09/2014 – 12h35
Mais de 300 pessoas participaram do 2º Seminário Nacional de Vacinas e Novas Tecnologias de Prevenção para o HIV/Aids realizado pelo Grupo de Incentivo à Vida (GIV), em São Paulo. Programado para 70 integrantes das organizações não governamentais (ONGs), o evento acabou atraindo profissionais da saúde e gestores dos serviços públicos.
“Aumentamos as inscrições para 300 e, assim mesmo, foi pouco. As pessoas estão muito interessadas em se informar por motivos diversos, que vão desde o interesse pessoal em práticas sexuais ao desejo de interferir em políticas públicas”, avaliou o professor e pesquisador Jorge Beloqui, organizador do seminário, que começou na quinta-feira à noite (10) e acabou nesse sábado (13), num hotel da Rua Augusta.
Beloqui também avaliou que os participantes desejam muito ver as anunciadas novas tecnologias virarem realidade na prática e favorecerem o maior número de pessoas possíveis. “Vimos aqui que a profilaxia pós-exposição (PEP) vai bem em São Paulo mas não tem o mesmo impulso nas demais cidades”, disse.
O segundo dia do evento, nessa sexta (12), foi marcado por palestras que sugerirarm reflexões sobre a prevenção do futuro. Uma delas, do infectologista Robinson Camargo, abordou os benefícios da circuncisão. Valdiléa Veloso, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) levou informações sobre a profilaxia pré-exposição (PrEP) e tratamento como prevenção (Tasp).
Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais, apareceu, segundo ele para prestigiar o evento e cumprimentar os participantes. Não pôde ficar muito tempo porque tinha outros dois compromissos.
Voluntário
Para quem nunca tinha visto um voluntário de uma pesquisa médica, a presença de Júlio Moreira nessa mesa foi uma festejada surpresa. Júlio, do grupo Arco Íris do Rio de Janeiro, participa dos testes que estão sendo feitos para a adoção da PrEP, que consiste no uso do antirretroviral Truvada por quem não tem HIV como forma de se prevenir. É recomendada, por exemplo, para quem é negativo e tem parceiro positivo.
Júlio contou que está tomando o remédio há mais de um ano e teve efeitos colaterais muito leves, só no início do tratamento, como dor de cabeça e pequenos desarranjos intestinais, como gases.
Ele, que tem 37 anos, também contou que se interessou em ser voluntário do estudo da PrEP porque já tinha uma história de ativismo na causa de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT). “E por entender que pesquisas assim são muito importantes no campo da ciência. Tem sido uma ótima experiência, em todos os aspectos, inclusive porque encontrei na Fiocruz um ambiente excelente, que me dá acesso tanto à informação como ao atendimento médico da melhor qualidade.”
“O Truvada é a primeira geração de PrEP, como foi a da pílula anticoncepcional lá nos anos 60”, disse Valdiléa Veloso. “Futuramente teremos muitas opções.”
Vacina
Uma das palestras mais aguardadas, a do diretor adjunto do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Artur Kalichman, frustrou os mais otimistas em relação ao surgimento de uma vacina para o HIV. “Pelo menos nos próximos dez anos eu não vejo essa possibilidade”, disse Artur depois de mostrar pesquisas que vêm sendo feitas com a participação do Programa Estadual e lembrar algumas outras em andamento no mundo, muitas já descartadas do cardápio de apostas de cura.
Práticas sexuais
O professor Veriano Terto (em pé, foto) , da Universidade Federal do Rio de Janeiro, abordou questões comportamentais. Diferentes comportamentos geram diferentes formas de prevenção? Essa foi a pergunta que ele levou para provocar a reflexão.
Veriano lembrou que o cansaço da camisinha é um dos fatores que pode levar a diferentes formas de comportamento. “De maneira geral, as pessoas criam formas próprias de gerenciamento de riscos”, disse, citando atitudes que viraram movimento por marcar posturas de grupos, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, frente às práticas sexuais.
Veriano destacou a importância do respeito às escolhas individuais. “Todos têm direito à informação e é urgente trazer para o debate a voz das pessoas sobre práticas sexuais”, encerrou, sob fortes aplausos.
Dica de entrevista:
GIV
Tel.: (11) 5084-0255
(11) 5084-0255
Fátima Cardeal (fatima@agenciaaids.com.br)


