04/06/2014 – 14h10
“Nós temos de dialogar com a sociedade civil. Por isso, abrimos o seminário com um vídeo do Porta dos Fundos, que trata com humor as novas situações envolvendo a aids”, declarou o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), na mesa de abertura do 11º Seminário LGBT do Congresso Nacional (veja o vídeo). Ele se referiu à série “Viral”, protagonizada por Fábio Porchat e Gregório Duvivier, sucesso na internet que fala da amizade entre dois rapazes depois que um deles se descobre soropositivo.
O evento aconteceu na manhã dessa terça-feira (3), na Câmara dos Deputados, em Brasília, e reuniu representantes do governo federal, da sociedade civil e especialistas em saúde para discutir questões relacionadas às DST/HIV/Aids
“O humor consegue informar sem caretice”, disse Fábio Porchat em vídeo enviado aos participantes do seminário. O humorista disse ainda que a doença deve ser encarada de frente e da maneira mais direta possível para que sirva de alerta ao público jovem.
O coordenador da Unidade de Prevenção do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, Ivo Brito, apresentou as tendências da doença a partir do novo Boletim Epidemiológico HIV/Aids. Aproximadamente 718 mil pessoas vivem com o vírus no Brasil, segundo o relatório. Brito afirmou que um dos grandes dilemas no combate ao HIV é a dificuldade do acesso ao diagnóstico. “Se nós temos barreiras quanto ao uso do preservativo no Brasil, imagina com relação a fazer o teste HIV. Precisamos avançar nisso, facilitar o acesso ao público jovem, promover o teste de saliva, por exemplo”, disse Brito.
Jean Wyllys provocou o representante do governo federal ao afirmar que faltam políticas públicas específicas para jovens entre 15 e 20 anos. “Se a doença voltou a crescer nesse público é porque alguma coisa não esta funcionando. O Ministério da Saúde não fez todas as campanhas que deveria ter feito”, fazendo menção ao recuo do MS da campanha que seria lançada com foco nos jovens gays para a prevenção da aids no Carnaval de 2012.
Erika Kokay, deputada da Frente Parlamentar de Enfrentamento a DST/Aids falou do papel do fundamentalismo religioso no crescimento da doença. Ela lembrou da maneira criminalizada e preconceituosa com que alguns deputados tratam do tema e citou Nelson Rodrigues ao criticar a Comissão da Câmara que discute a criação do Estatuto da Família. “O absurdo está perdendo a modéstia. Eles querem institucionalizar a homofobia e negar a construção da família a partir do amor”, disse.
A plateia estava lotada, principalmente de jovens que acompanharam o debate. O estudante de direito Jeferson Oliveira, 20, faz parte do coletivo “Juntos”, que reúne jovens interessados no tema direitos humanos. Oliveira disse ter saído da abertura do seminário engajado a levar a pauta da aids para as discussões do coletivo que representa. “A gente ainda não debateu a aids dentro do coletivo, depois do seminário eu espero saber melhor como encaixar o tema dentro das nossas conversas e mobilizações pelo Brasil”, disse o estudante.
Leticia Leite, especial para Agência de Notícias da Aids


