Seminário aborda adesão a tratamento e novas técnicas de prevenção do HIV. Medicamentalização foi um dos destaques

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11/10/2014 – 13h45

 Cerca de 50 ativistas de diversas partes do estado participaram por dois dias de um seminário promovido pelo Fórum de ONG/Aids de São Paulo (Foaesp), que discutiu políticas de adesão ao tratamento e ações de prevenção utilizando medicamentos. A atividade, encerrada quinta-feira (9) teve a participação de técnicos do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais (DDST AIDS e HV) e do Centro de Referência e Treinamento (CRT/SP).
Um dos principais argumentos levantados foi a necessidade de investimentos na qualificação dos serviços de acolhimento voltado para as pessoas que vivem com HIV/Aids.

“Na medida em que o paciente se sente melhor recebido e atendido, maior é seu entendimento e sua adesão ao tratamento”, comentou Jô Fonseca da ONG Sonho Nosso de Nova Guataporanga, cidade a 570 quilômetros de São Paulo.
A experiência do Grupo de Incentivo a Vida (GIV), com sede na capital paulista, foi apresentada pela coordenadora do projeto Cuidador Solidário, Vitória Brotas. As atividades se desenvolvem em sete serviços especializados da capital com ações de acompanhamento, informação, orientação e apoio. Segundo ela, a participação de pessoas em tratamento ajuda na sensibilização dos novos pacientes, no entendimento do tratamento e na solução de questões envolvidas como efeitos colaterais, horários, reações e outros.

A médica Helena Bernal, do DDST AIDS e HV, apresentou a política de enfrentamento da aids utilizando outras estratégias além do preservativo. Ações envolvendo medicamentos como profilaxia pré-exposição (PrEP) e pós exposição (PEP) ainda sofrem restrições de acesso. A primeira, por ainda estar em fase de testagem. A segunda, pela resistência localizada em alguns serviços para atendimento pós exposição sexual – eles estão oferecendo a PEP apenas para acidente biológico e casos de estupro.

Em São Paulo, 403 serviços estão cadastrados para a PEP. O estado, segundo a médica Mariliza Henrique da Silva (CRT/Aids) tem investido na ampliação da testagem. Entre 2008 e 2013, mais de um milhão de testes foram realizados em 81% dos municípios que abrangem 97% da população.

A polêmica sobre o fim dos exames de células CD4 surgiu a partir de uma pergunta da plateia e foi esclarecida por Helena Bernal. Segundo ela, o exame continuará na rede pública e direcionado a pacientes que deles precisarem. “Cada vez mais, as evidências científicas mostram que o uso do CD4 em tratamentos de HIV pode ser descartado. Com uso correto de antirretrovirais, as pessoas têm carga viral indetectável e, por consequência, CD4 alto, até estabilizar”, explicou. No entanto, também destacou que, “em alguns casos, exameas de CD4 são parâmetros utilizados, como para suspensão da profilaxia”.

“A ideia de ampliar esta discussão nasceu da própria necessidade das ONGs afiliadas ao fórum, que traziam esta lacuna nas reuniões mensais”, disse Rodrigo Pinheiro, presidente do Foaesp. “As novas estratégias de prevenção combinada com uso de medicamentos ainda exige reflexão, para que as ações sejam efetivas. Não podemos esquecer da ontinuidade de ações de uso do preservativo e de políticas de direitos humanos junto a populações mais vulneráveis”, afirmou Rodrigo.

Dica de entrevista:
Foaesp
Tel.: (11) 3334-0704(11) 3334-0704

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