Saúde sexual e menstrual: o que os médicos precisam saber para orientar pacientes, informa Terra do Mandu

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

Especialista destaca a importância de preparar profissionais para orientar sobre dispositivos sexuais, produtos menstruais e prevenção

Produtos e tecnologias relacionados à saúde sexual e menstrual passaram por mudanças nos últimos anos, ampliando as possibilidades de cuidado e também a necessidade de atualização dos profissionais de saúde.

Essa discussão esteve entre os temas apresentados pela especialista no Congresso da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP), realizado em agosto, na capital paulista. Pelo segundo ano consecutivo, a ginecologista, sexologista e professora da Faculdade de Medicina Zarns Pouso Alegre, Tetzi Brandão, participou como uma das instrutoras de uma mesa prática dedicada à atualização de ginecologistas, com dispositivos relacionados à saúde sexual e produtos voltados à saúde menstrual.

Novas possibilidades de cuidado

Entre os materiais apresentados estavam diferentes dispositivos sexuais e produtos menstruais, como calcinhas absorventes, absorventes reutilizáveis, coletores e discos menstruais. A proposta, segundo a especialista, foi mostrar aos profissionais como essas alternativas podem ser incorporadas à orientação médica e quais cuidados devem ser considerados na escolha e no uso.

No caso dos dispositivos sexuais, a abordagem foi além da associação com prazer. Tetzi explica que alguns recursos também podem fazer parte do cuidado de pacientes com determinadas queixas, como dor e dificuldades relacionadas à lubrificação.

“Os dispositivos sexuais podem trazer benefícios para a saúde, não apenas para o prazer. Mas o médico precisa saber como orientar, inclusive sobre material, higiene e riscos relacionados ao compartilhamento”, explica a especialista.

A mesa também apresentou alternativas para o período menstrual que vêm ganhando espaço entre as pacientes. “A evolução desses produtos ampliou as possibilidades para diferentes rotinas e necessidades, incluindo opções reutilizáveis e dispositivos que podem facilitar a prática de atividades físicas durante a menstruação”, destaca.

Atualização que chega ao consultório

Tetzi reforça que acompanhar essas mudanças é importante porque a formação médica ainda aborda a sexualidade de maneira fragmentada. “Embora o tema apareça em diferentes momentos da graduação, como reprodução e contracepção, questões relacionadas a desejo, prazer e disfunções sexuais nem sempre recebem a mesma atenção. Mais do que transformar todo médico em especialista, o objetivo deve ser capacitá-lo para acolher, orientar com base em evidências e encaminhar quando necessário”, afirma.

A experiência com atualização profissional também se conecta à atuação da especialista na formação de novos médicos e médicas. Como professora do curso de Medicina da Zarns Pouso Alegre, Tetzi leva para a sala de aula situações relacionadas à prática clínica e à comunicação com os pacientes. “Mais do que o conhecimento técnico, a formação médica envolve escuta, comunicação e respeito às diferentes formas de viver a sexualidade”, finaliza a sexologista.

Apoios