Saúde que chega às ruas: Rio de Janeiro conta com 15 unidades móveis para atender pessoas em situação de vulnerabilidade

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Com investimento de R$ 5,4 milhões, veículos levam consultas, vacinação, testes rápidos e cuidados em saúde mental à população em situação de rua; iniciativa integra estratégia de ampliação do acesso ao SUS

O acesso à saúde nem sempre começa dentro de um hospital ou de uma unidade básica. Para milhares de pessoas que vivem nas ruas, o atendimento pode chegar diretamente aos locais onde estão. No Rio de Janeiro, 15 Unidades Móveis de Rua (UMRs) reforçam o trabalho das equipes de Consultório na Rua, levando consultas, vacinação, exames, orientações e outros serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) a uma população que enfrenta diferentes barreiras para acessar os serviços de saúde.

Os veículos, que receberam investimento de R$ 5,4 milhões do Ministério da Saúde, passaram por vistoria do ministro Alexandre Padilha nesta quarta-feira (21), na capital fluminense. A iniciativa busca ampliar o alcance da assistência e fortalecer o acompanhamento de pessoas em situação de rua, com atendimentos realizados nos próprios territórios.

“Temos equipes multiprofissionais que, ativamente, vão até as pessoas em horário noturno e não convencionais. Isso é fazer com o SUS vá até onde as pessoas estão. Essas pessoas não são invisíveis, são pessoas que produzem, que têm família e precisam de saúde para que possam viver melhor”, afirmou Padilha.

Do teste rápido ao cuidado continuado

Equipadas para oferecer diferentes serviços, as unidades móveis contam com maca ginecológica, desfibrilador, reanimadores pulmonares, nebulizador e caixas térmicas para conservação de vacinas. A estrutura permite realizar consultas, testes rápidos, curativos, vacinação, acompanhamento pré-natal e exames preventivos do câncer do colo do útero.

O atendimento também contempla orientações sobre métodos contraceptivos, saúde mental e redução de danos, além do encaminhamento para outros serviços da rede pública. A proposta é que o contato com as equipes não se limite a um atendimento pontual, mas favoreça a construção de vínculos e a continuidade do cuidado.

As unidades dão suporte às equipes de Consultório na Rua, formadas por profissionais de diferentes áreas da saúde que atuam diretamente nos territórios. Além dos atendimentos, esses trabalhadores desenvolvem atividades de educação em saúde, acompanham as necessidades dos usuários e articulam o acesso a outros serviços do SUS.

Mais de 670 mil atendimentos em um ano

A estratégia de Consultório na Rua está presente nas 27 unidades da Federação. Atualmente, o Brasil conta com 351 equipes cofinanciadas pelo Ministério da Saúde. Dessas, 41 estão no estado do Rio de Janeiro, incluindo 15 na capital.

Somente em 2025, as equipes registraram 672,5 mil atendimentos em todo o país. No estado fluminense, foram contabilizados 33.220 atendimentos individuais. Entre janeiro e agosto de 2026, o Rio de Janeiro registrou outros 19.738 atendimentos, dos quais 13.937 ocorreram na capital.

A previsão é ampliar a estrutura móvel para outros municípios fluminenses, chegando a 41 veículos em todo o estado. A organização dos serviços considera as necessidades identificadas pelas equipes e as características de cada território.

O fortalecimento dessa rede ocorre em um momento de reorganização das políticas públicas voltadas à população em situação de rua. Em junho de 2026, foi instituída a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua (PNAIS-Rua), que estabelece diretrizes para uma assistência capaz de considerar as condições de vida, as particularidades dos territórios e as necessidades dessa população.

Outra medida é a Portaria GM/MS nº 7.799, de 2025, que define os valores do cofinanciamento federal, os incentivos para implantação de equipes e os indicadores de qualidade dos atendimentos.

Hospital federal ganha 21 leitos e amplia estrutura de atendimento

Durante a agenda no Rio de Janeiro, o ministro Alexandre Padilha também visitou a nova ala do Hospital Universitário dos Servidores do Estado (HUSE), que reúne 21 leitos, sendo nove destinados à Unidade Pós-Operatória e 12 à enfermaria.

A unidade integra o Plano de Reestruturação dos Hospitais Federais do Rio de Janeiro e é administrada pela HU Brasil, vinculada ao Ministério da Educação. Segundo o Ministério da Saúde, o plano prevê investimentos de R$ 2,5 bilhões na recuperação da rede hospitalar federal do estado.

“Foram R$ 2,5 bilhões de investimentos na recuperação dos hospitais federais do Rio de Janeiro. As alas de urgência que estavam fechadas foram reabertas. Vamos transformar esses hospitais em referência para o SUS”, declarou Padilha.

Desde dezembro de 2025, o HUSE reativou 164 leitos, chegando a 433 em outubro de 2026. O hospital dispõe atualmente de 14 salas cirúrgicas em funcionamento, oito leitos de recuperação pós-anestésica e teve sua estrutura ampliada com quatro novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Os investimentos também contemplam a modernização tecnológica. Em julho, a unidade recebeu um tomógrafo adquirido por R$ 2,1 milhões. Outros R$ 14 milhões foram destinados à compra de aproximadamente 300 equipamentos médico-hospitalares, além de R$ 6,7 milhões para mobiliário e R$ 4 milhões para 766 equipamentos de tecnologia da informação.

A reorganização incluiu melhorias na infraestrutura, a integração de 1.520 profissionais às equipes e a transferência de aproximadamente 85% dos serviços assistenciais do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), incluindo especialidades como pediatria, oftalmologia, neurocirurgia, cirurgia plástica, coloproctologia e cirurgia vascular.

“Os hospitais serão devolvidos para o povo com novos equipamentos e UTI com tecnologia. Não é só volume de atendimentos e serviços, mas também alta tecnologia”, completou o ministro.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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