Saúde integral e envelhecimento das mulheres vivendo com HIV pautam debates no XI Encontro Nacional do MNCP

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A programação da manhã do XI Encontro Nacional do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP) foi marcada pela mesa “Saúde Integral das Mulheres e das Mulheres Vivendo com HIV (MVHA) em todos os ciclos de vida”, que reuniu especialistas para debater desafios, avanços e estratégias voltadas à garantia do cuidado integral das mulheres.

A mesa contou com as contribuições de Pâmela Gaspar, coordenadora-geral de Vigilância das ISTs do Ministério da Saúde, que apresentou a agenda prioritária de acesso ao cuidado integral e às tecnologias de saúde para mulheres em situação de vulnerabilidade; Damiana Neto, consultora nacional e internacional em gestão de políticas públicas do Programa Brasil Saudável, que abordou os impactos dos determinantes sociais na vida das mulheres vivendo com HIV; e Marcela Vieira Freire, consultora técnica do Ministério da Saúde, que trouxe reflexões sobre menopausa e climatério em mulheres vivendo com HIV.

Durante os debates, foi reforçada a necessidade de fortalecer políticas públicas que garantam acesso integral à saúde, considerando as múltiplas vulnerabilidades enfrentadas pelas mulheres. Também foram discutidos os impactos dos determinantes sociais — como desigualdades de gênero, racismo, pobreza, violência e dificuldades de acesso aos serviços de saúde — fatores que influenciam diretamente a qualidade de vida e a permanência no cuidado.

Um dos momentos de maior destaque da mesa foi a discussão sobre menopausa e climatério, tema considerado complexo e ainda pouco abordado quando se trata das mulheres vivendo com HIV. As especialistas ressaltaram que a menopausa vai muito além das alterações hormonais e dos sintomas físicos, afetando também aspectos emocionais, sociais e a autoestima das mulheres.

O debate evidenciou que o envelhecimento é um processo natural da vida, mas que, para as mulheres, continua cercado por cobranças sociais relacionadas ao corpo, à juventude e aos papéis historicamente atribuídos ao feminino. A partir da escuta das próprias mulheres, a ciência passou a compreender que a experiência da menopausa é atravessada por fatores como gênero, raça, condições socioeconômicas, história de vida e redes de apoio.

As participantes destacaram ainda a importância dos espaços coletivos de troca, acolhimento e construção política, que fortalecem redes de apoio e estratégias de enfrentamento às diversas formas de estigma e discriminação vivenciadas pelas mulheres.

Outro avanço celebrado durante a mesa foi a inclusão, pela primeira vez, da temática das mulheres vivendo com HIV em um capítulo específico do Manual de Atenção às Mulheres na Transição Menopausal. A iniciativa representa um importante reconhecimento das necessidades específicas dessa população e contribui para ampliar a qualificação do cuidado oferecido nos serviços de saúde.

Dados apresentados durante a atividade mostram que atualmente cerca de 337,7 mil mulheres vivem com HIV no Brasil. Deste total, aproximadamente 170 mil têm entre 40 e 59 anos e cerca de 72 mil possuem mais de 60 anos, evidenciando o envelhecimento dessa população e a necessidade de respostas cada vez mais qualificadas por parte do sistema de saúde.

Também foram discutidos os impactos da menopausa em mulheres vivendo com HIV, incluindo maior vulnerabilidade à osteopenia e osteoporose, aumento dos riscos cardiovasculares, hipertensão, obesidade, diabetes, ansiedade, depressão e alterações na saúde sexual e urinária. Estudos apontam ainda que essas mulheres podem apresentar sintomas mais intensos, maior sofrimento psicológico e maior probabilidade de menopausa precoce.

As especialistas reforçaram que o cuidado deve ser realizado de forma individualizada, integrada e multidisciplinar, considerando sintomas, comorbidades, saúde óssea, perfil cardiovascular e os tratamentos utilizados. Também foram destacados os avanços das terapias antirretrovirais, incluindo novos esquemas terapêuticos que podem trazer benefícios importantes para mulheres em processo de transição menopausal.

A discussão abordou ainda a terapia hormonal, ressaltando que sua indicação deve ser baseada em avaliação individualizada, levando em conta riscos, benefícios e a qualidade de vida de cada mulher.

Como encaminhamento central, a mesa reforçou a necessidade de fortalecer políticas públicas, produzir diretrizes específicas e ampliar a articulação entre Ministério da Saúde, SUS, ciência, academia e sociedade civil. O objetivo é garantir um cuidado integral, acolhedor e contínuo para as mulheres vivendo com HIV em todas as etapas da vida, reconhecendo suas necessidades, respeitando suas singularidades e promovendo saúde com dignidade, direitos e qualidade de vida.

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