O ministro da Saúde da Rússia, Mikhail Murashko, afirmou na sexta-feira (17) que o país deveria testar cerca de um terço de sua população anualmente para HIV, como estratégia para conter a disseminação do vírus. A declaração foi feita durante uma reunião do ministério, diante de dados oficiais que apontam crescimento contínuo das infecções.
Segundo Murashko, a ampliação da cobertura de exames de triagem é essencial para reduzir a transmissão do vírus causador da aids. “É necessário expandir ainda mais os testes médicos. Um em cada três cidadãos deve ser testado, com atenção especial aos grupos de risco”, afirmou, de acordo com o serviço de imprensa do Ministério da Saúde.
A recomendação ocorre em um cenário preocupante: a Rússia enfrenta uma das maiores taxas de prevalência de HIV da Europa, mesmo com níveis recordes de testagem. Dados do órgão estatal Rospotrebnadzor indicam que mais de 54 milhões de pessoas — cerca de 37% da população — realizaram o teste em 2024, o maior número em pelo menos uma década.
O volume representa um aumento de 7% em relação a 2023 e quase o dobro dos 28,3 milhões de exames realizados em 2014. Ainda assim, informações da Organização Mundial da Saúde mostram que a prevalência do HIV na Rússia é de 890 casos por 100 mil habitantes.
O índice é comparável ao de países africanos como Guiné (874), Libéria (944), Chade (771) e Etiópia (601), e significativamente superior ao de países europeus, como França (358), Grã-Bretanha (191) e Suécia (171).
De acordo com Vadim Pokrovsky, chefe do Centro Científico e Metodológico Federal para Prevenção e Controle da aids, o número total de pessoas vivendo com HIV na Rússia aumentou em 35 mil em 2025, alcançando 1,25 milhão.
“Os riscos de infecção são muito altos”, disse Pokrovsky. “Se considerarmos apenas os adultos de 15 a 50 anos, mais de 1% estão infectados — ou seja, uma em cada cem pessoas.” Entre homens de 40 a 45 anos, a taxa chega a cerca de 4%, acrescentou.
O especialista também alertou que nem todos os casos estão oficialmente registrados. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 900 mil pessoas estavam sob acompanhamento médico em 2025, revelando uma diferença significativa entre o número estimado de infectados e aqueles que recebem tratamento.
Para Murashko, a detecção precoce por meio da ampliação dos testes segue sendo a medida mais eficaz para frear o avanço do vírus no país.



