Segundo o último Boletim Epidemiológico, do Ministério da Saúde, de 2023, o número de grávidas detectadas com HIV cresceu aproximadamente 29% entre 2012 e 2022. No mês da mobilização nacional na luta contra o vírus HIV, a Aids e outras IST (infecções sexualmente transmissíveis), conheça os cuidados e outras dúvidas sobre grávidas soropositivas

Instituída pela Lei nº 13.504/2017, a campanha Dezembro Vermelho tem como objetivo mobilizar a sociedade na luta contra o vírus HIV, a Aids e outras IST (infecções sexualmente transmissíveis), chamando a atenção para a prevenção, a assistência e os direitos das pessoas infectadas com o HIV.
Segundo o último Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, de dezembro de 2023, do Ministério da Saúde, de 2000 até junho de 2023, foram notificadas no país 158.429 gestantes/parturientes/puérperas infectadas pelo HIV, das quais 7.943 no ano de 2022, com uma taxa de detecção de 3,1 gestantes/1.000 nascidos vivos (NV). Apesar de a taxa de detecção do vírus ter se mantido estável nessa população desde 2018, houve um aumento de aproximadamente 29% no comparativo com 2012 (2,4).
A notificação da infecção pelo HIV em gestante, parturiente ou puérpera, obrigatória desde 2000, deve ser feita a cada nova gravidez. Ou seja, toda vez que uma mulher com HIV engravidar deverá ser notificada. Vale lembrar, ainda, que, segundo o Boletim, “a maior parte das gestantes notificadas já é sabidamente HIV positiva antes do pré-natal e, em 2022, essas mulheres representaram quase 60,0% dos casos. É importante que essas gestantes estejam em uso regular de Tarv (terapia antirretroviral) e tenham suas cargas virais indetectáveis no momento do parto”.
Abaixo, confira outras informações sobre gravidez e HIV:
Diagnóstico e Acompanhamento no Pré-Natal

Desde 2010, o teste de HIV é obrigatório no acompanhamento pré-natal pelo SUS, realizado na primeira consulta e no último trimestre. No entanto, o teste é recomendado para todas as gestantes, de preferência no primeiro trimestre, e deve ser repetido pelo menos três vezes, uma a cada trimestre.
Avanços no Tratamento
Com a terapia antirretroviral (TARV), a transmissão vertical do HIV (mãe para o bebê) pode ser reduzida de 20% para menos de 1%.
Mudança de Perspectiva
Hoje, viver com HIV se assemelha ao manejo de doenças crônicas, como diabetes, graças aos avanços da ciência.
Planejamento Familiar
Mulheres soropositivas podem engravidar com segurança. O índice de mulheres que engravidam sabendo do diagnóstico superou as que descobrem durante a gestação.
Opções de Parto
Se a carga viral estiver indetectável na 34ª semana, o parto normal pode ser uma opção. Caso contrário, é recomendada a cesárea eletiva para minimizar riscos. Dados de 2022, mostram que a cesárea eletiva ou de urgência foi a principal via de parto (62,6%).
Proibição da Amamentação

A amamentação é contraindicada para mães soropositivas, sendo substituída por fórmulas infantis para evitar a transmissão do vírus.
Impacto no Bebê
Crianças não infectadas devem receber a medicação antirretroviral logo após o nascimento e têm acompanhamento médico rigoroso. No entanto, segundo o último Boletim Epidemiológico, em 163 recém-nascidos a profilaxia teve início após 24 horas de vida e em 185 deles não foi realizada, em 2022.
Redução da Transmissão Vertical
A taxa de transmissão vertical caiu significativamente nos últimos anos, graças ao diagnóstico precoce e ao uso da TARV. No entanto, em 2022, o uso de Tarv durante o pré-natal foi relatado em apenas 66,8% dos casos.
Avanços Científicos
Pesquisas em curso exploram tratamentos alternativos, como anticorpos neutralizantes, para minimizar os efeitos colaterais dos antirretrovirais. Outras indicam possibilidades de amamentação segura no futuro, com uso de profilaxia pré-exposição para os bebês.
O Papel das Políticas Públicas
O Brasil tem avançado no diagnóstico precoce e no empoderamento de mulheres soropositivas, com acompanhamento gratuito pelo SUS.
Combate ao Estigma

O preconceito e o desconhecimento ainda afetam a qualidade de vida de gestantes com HIV, muitas vezes isolando-as socialmente. Além de ser uma questão médica, o HIV em gestantes também envolve desafios sociais e emocionais, exigindo maior acolhimento.



