Para fortalecer as ações de eliminação da tuberculose enquanto problema de saúde pública no Brasil, o Ministério da Saúde realizou, na terça-feira (14), a Reunião de Coordenações Estaduais de Tuberculose, em Brasília. O evento reuniu gestores, técnicos e parceiros institucionais das 27 unidades federativas para alinhar estratégias, compartilhar resultados e debater os desafios do enfrentamento da doença.
Entre as principais metas nacionais até 2030 estão reduzir o coeficiente de incidência para menos de 10 casos por 100 mil habitantes, limitar o número de óbitos anuais a menos de 230 e zerar os custos para as famílias afetadas.
Diálogo e reconhecimento
A programação do encontro foi dividida em três blocos temáticos: Gestão e Vigilância, Tratamento Preventivo da Tuberculose (TPT) e Tuberculose Drogarresistente (TBDR). As palestras abordaram o panorama epidemiológico da doença, o monitoramento das ações e os avanços no tratamento preventivo, além da importância do diagnóstico oportuno dos casos de TBDR.
A mesa de abertura contou com a presença do secretário-adjunto da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), Fabiano Pimenta; da coordenadora-geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas, Fernanda Dockhorn; e do consultor nacional da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Kleydson Andrade.
Durante o encontro, ocorreu também a Cerimônia de Reconhecimento do Alcance de Metas 2025, que premiou estados e municípios com melhor desempenho nas ações de vigilância, tratamento e controle da tuberculose, com base em indicadores estratégicos de prevenção, cura, diagnóstico e coinfecção TB-HIV.
Os destaques foram o estado de São Paulo, certificado como a unidade federativa com maior percentual de municípios que atingiram algum indicador estratégico; o município de Mauá (SP) e a capital Macapá (AP), com as maiores proporções de cura de casos novos de tuberculose — 84,1% e 79,1%, respectivamente. Outros 11 municípios de grande porte, oito capitais e sete estados também receberam certificados.
Compromisso coletivo
Em sua fala, Fabiano Pimenta destacou a importância do papel dos estados no apoio aos municípios e na disseminação de boas práticas de gestão.
“Esse encontro tem um significado importante de fortalecer parcerias e reafirmar o compromisso brasileiro na eliminação da tuberculose como problema de saúde pública até 2030. Só conseguiremos alcançar os objetivos estabelecidos se houver sinergia de esforços entre governo, entes federados, sociedade civil e todos os atores envolvidos”, afirmou.
A coordenadora Fernanda Dockhorn reconheceu o empenho das coordenações estaduais e ressaltou que o foco das políticas públicas está na prevenção, no diagnóstico precoce e na cura.
“Nosso foco não é apenas mudar os números em si, mas aprimorar a vigilância e a atenção. Precisamos analisar o que ainda deve ser melhorado, mas também valorizar nossos ganhos nessa trajetória de desafios. Sabemos que não é fácil, mas estamos juntos, empenhados em fazer com que a cura aconteça em todos os estados e municípios”, destacou.
O consultor da OPAS, Kleydson Andrade, reforçou o impacto positivo das ações de vigilância e do tratamento eficaz na vida das pessoas.
“O cenário tem sido, principalmente nos últimos anos, bastante desafiador, mas é importante observar os progressos obtidos em várias localidades. Temos realizado um trabalho que está sendo refletido positivamente na ponta, no dia a dia das populações”, afirmou.
Planejamento e próximos passos
Entre os temas debatidos também estiveram o fornecimento de medicamentos e insumos, a Portaria de Incentivo Financeiro e os recursos destinados aos estados e municípios. O grupo discutiu ainda a elaboração da terceira fase do Plano Nacional de Controle da Tuberculose e a Agenda Nacional Prioritária para o Enfrentamento do HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais, HTLV, Sífilis e outras ISTs em mulheres vulnerabilizadas.
O encerramento foi conduzido por Fernanda Dockhorn, que reforçou o compromisso do Ministério da Saúde com o aprimoramento das políticas públicas e o fortalecimento das ações integradas de vigilância, prevenção e cuidado.
Cenário da tuberculose no Brasil e no mundo
A tuberculose (TB) ainda representa um grande desafio para a saúde pública global. Embora seja uma doença tratável e curável, continua entre as principais causas de morbidade e mortalidade no mundo. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2023 a tuberculose voltou a ser a principal causa de morte por um único agente infeccioso, superando a Covid-19. Estima-se que 10,8 milhões de pessoas tenham adoecido e 1,25 milhão morrido em decorrência da doença.
Na região das Américas, Brasil e Peru são os únicos países que permanecem na lista de alta carga da OMS — sendo o Brasil o único incluído também na lista de coinfecção TB-HIV. No país, a TB tem forte relação com determinantes sociais, como insegurança alimentar, condições precárias de moradia, desigualdades socioeconômicas, estigma e discriminação.
Esses fatores afetam, principalmente, populações em situação de vulnerabilidade, como pessoas em situação de rua, privadas de liberdade, indígenas e imigrantes — grupos que concentram mais de 80 mil casos novos e 6 mil mortes anuais. Os dados constam no Boletim Epidemiológico de março de 2025.
Sobre a doença
Causada pelo Mycobacterium tuberculosis — ou bacilo de Koch —, a tuberculose afeta prioritariamente os pulmões (forma pulmonar), mas pode atingir outros órgãos e sistemas (forma extrapulmonar), especialmente em pessoas vivendo com HIV.
Os sintomas mais comuns incluem tosse por três semanas ou mais, febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento. A transmissão ocorre por via respiratória, durante fala, tosse ou espirro.
O tratamento, gratuito e disponível exclusivamente no Sistema Único de Saúde (SUS), tem duração mínima de seis meses e utiliza quatro medicamentos básicos: rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol. Quando realizado corretamente, o tratamento garante a cura da doença.
Mais informações estão disponíveis no glossário “Saúde de A a Z”, na página do Ministério da Saúde sobre tuberculose.




