Em 2025, ano em que a Agência de Notícias da Aids completou 22 anos de trajetória, o jornalismo comprometido com saúde pública, direitos humanos e ciência mostrou-se ainda mais essencial diante de um cenário global marcado por conquistas históricas, mas também por retrocessos políticos, cortes de financiamento e ameaças concretas à resposta ao HIV/aids. Ao longo do ano, a Agência Aids publicou quase 2.200 reportagens, acompanhando de forma crítica e aprofundada os principais acontecimentos no Brasil e no mundo.
No Brasil, o principal marco de 2025 foi o reconhecimento internacional de uma conquista histórica: a Organização Mundial da Saúde (OMS) certificou o país como livre da transmissão vertical do HIV, da mãe para o bebê. O feito, celebrado por autoridades, movimentos sociais e organismos internacionais, simboliza quatro décadas de resposta brasileira ao HIV, ancorada no Sistema Único de Saúde (SUS), no acesso universal ao tratamento, na testagem, no cuidado pré-natal e na participação ativa da sociedade civil. O país também alcançou a menor taxa de mortalidade por aids dos últimos anos e comemorou os 40 anos de sua resposta à epidemia, reafirmando o SUS como política pública essencial e motivo de orgulho nacional.
Ao mesmo tempo, 2025 evidenciou que os avanços não são homogêneos nem garantidos. Persistem desigualdades regionais no acesso ao cuidado, falta de profissionais especializados em alguns municípios e graves violações de direitos, como a exposição indevida de dados de pessoas vivendo com HIV. O estigma segue sendo uma barreira estrutural: dados do Índice de Estigma 2025 revelaram que a discriminação continua afastando pessoas do diagnóstico, do tratamento e do cuidado em saúde, comprometendo metas globais e afetando diretamente a saúde mental e a qualidade de vida.
No cenário internacional, 2025 foi marcado por uma grave crise de financiamento da resposta ao HIV/aids, considerada por especialistas e pelo Unaids a mais profunda dos últimos anos. O congelamento e a suspensão de recursos de programas estratégicos, como o PEPFAR, somados a cortes na ajuda internacional e a decisões políticas regressivas, colocaram em risco serviços de prevenção, tratamento e cuidado em dezenas de países. Relatórios do Unaids alertaram que a retração dos investimentos pode resultar em até 4 milhões de mortes adicionais até 2029, além de milhões de novas infecções evitáveis. Atualmente, mais de 40 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo, e cerca de 9 milhões seguem sem acesso ao tratamento, número que tende a crescer se o financiamento não for retomado de forma urgente e sustentável.
Estudos publicados na The Lancet HIV e alertas de pesquisadores durante a IAS 2025 reforçaram que os cortes ameaçam não apenas o presente, mas também o futuro da resposta ao HIV, impactando pesquisas sobre cura, vacinas e novas tecnologias de prevenção. Governos, ativistas e especialistas denunciaram que decisões geopolíticas e interesses econômicos estão colocando vidas em risco, aprofundando desigualdades entre países ricos e de baixa e média renda.
Apesar da crise, a ciência avançou. O ano ficou marcado pela aprovação do lenacapavir como a primeira injeção semestral para prevenção do HIV, considerada o avanço mais próximo de uma vacina. A OMS recomendou seu uso, e especialistas celebraram seu potencial transformador. No entanto, o debate sobre acesso dominou o cenário: países como o Brasil ficaram fora de acordos de licenciamento para produção de versões genéricas a baixo custo, levantando críticas sobre a mercantilização da vida e a exclusão de populações mais vulnerabilizadas. A Agência Aids acompanhou de perto esse debate, destacando a defesa da transferência de tecnologia, da equidade e do direito à saúde.
Esses e muitos outros temas fazem parte da Retrospectiva 2025 da Agência Aids, publicada a partir de hoje (27) e disponível até 7 de janeiro. Ao revisitar os fatos que marcaram o ano, a Agência reafirma seu compromisso com a informação qualificada, com a defesa do SUS, com a participação social e com a urgência de garantir financiamento, direitos e dignidade para que o fim da aids como ameaça à saúde pública deixe de ser uma promessa e se torne realidade.
Notícia publicada em 14/01/2025
Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e Unaids se unem para combater a desigualdade e preconceito contra pessoas com HIV
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, recebeu em audiência no dia 13 de janeiro, em Brasília, a nova diretora e representante do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) no Brasil, Andrea Boccardi Vidarte. O encontro buscou fortalecer as iniciativas conjuntas entre o MDS e a Unaids.
Durante a reunião, o ministro Wellington Dias destacou o impacto positivo dos programas do Governo Federal na redução da mortalidade por HIV. Um estudo recente do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fiocruz Bahia (Cidacs) revelou que a transferência de renda do Programa Bolsa Família teve impacto na redução da mortalidade por aids. Ao comparar os dados do Cadastro Único com os dados de mortalidade, a pesquisa concluiu que o programa reduziu em 32% o número de mortes causadas pela doença.
O Brasil, que já se destaca no combate ao HIV, se dispôs a colaborar com outros países e também a aprender com suas experiências”, disse o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias.
“Recebemos uma agenda que nos permite trabalhar com organismos das Nações Unidas”, afirmou o ministro Wellington Dias. “Essa organização, composta por 11 instituições, atua em conjunto com países, governos e entidades, visando não apenas controlar, mas erradicar o HIV no Brasil e no mundo”.
O ministro destacou ainda o papel de liderança do Brasil no combate ao HIV e o compromisso do país em colaborar com outras nações. “O Brasil, que já se destaca no combate ao HIV, se dispôs a colaborar com outros países e também a aprender com suas experiências”, acrescentou Wellington Dias.
Andrea Boccardi Vidarte, por sua vez, celebrou a parceria com o MDS e ressaltou a importância da colaboração entre as duas instituições. “Estou muito agradecida pela oportunidade de trabalhar com o MDS. Nossas áreas são complementares e podemos atuar juntos para diminuir as desigualdades sociais e as barreiras enfrentadas por pessoas com HIV e outras em situação de vulnerabilidade”, afirmou. “Trabalharemos para que essas pessoas tenham melhor qualidade de vida. Muito obrigada pelo apoio, e vamos juntos nessa missão”.
Wellington Dias e Andrea Vidarte anunciaram que um novo estudo sobre a situação do HIV no Brasil será divulgado em 8 de maio. O último levantamento, realizado em 2019, mostrou um aumento no número de casos de HIV e de mortes em decorrência da doença. A expectativa é que a nova pesquisa traga dados atualizados e contribua para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes.




