Retrospectiva 2014: Mortalidade por aids cai, mas aumentam casos entre homens jovens

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

Texto publicado em 01 de dezembro

29/12/2014 – 11h

O ano de 2014 foi de grandes eventos no Brasil e no mundo. Em todos, a Agência de Notícias das Aids esteve presente,  abordando os temas relativos ao enfrentamento do HIV nos contextos específicos. Na Copa do Mundo, revelamos o cenário da doença em cada país que aqui esteve disputando o campeonato. Nas eleições, questionamos o por que da ausência do tema aids das campanhas dos candidatos. Na Conferência Internacional da Aids, na Austrália, cobrimos o dia a dia dos eventos, além de produzirmos um documentário sobre as ONGs no mundo. Fora dos eventos, foram muitas reportagens sobre os mais diversos temas. Selecionamos algumas nessa Retrospectiva 2014, que você acompanha até o dia 30. 

Caiu o número de mortes por aids no Brasil, mas aumentou a incidência de casos entre homens jovens de 15 a 24 anos, segundo dados do Boletim Epidemiológico HIV-Aids divulgados nesta segunda-feira (1º), Dia Mundial de Luta contra a Aids. 

De acordo com o boletim, houve uma queda de 13% na mortalidade por aids no Brasil entre 2000 e 2013. Do total de mortes em decorrência da doença ocorridas no período, 198.534 (71,3%) ocorreram entre homens e 79.655 (28,6%) entre mulheres. 

O coeficiente de mortalidade por aids caiu 67,3% nos últimos 10 anos, passando de 6,1 casos de mortes por 100 mil habitantes em 2004, para 5,7 casos em 2013.

Aumento de casos entre jovens

De acordo com o novo boletim epidemiológico, cerca de 734 mil pessoas vivem com HIV e aids hoje no país. Deste total, 80% (589 mil) foram diagnosticadas. Desde os anos 80 foram notificados 757 mil casos de aids no país.

A epidemia no Brasil está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 20,4 casos, a cada 100 mil habitantes. Isso representa cerca de 39 mil casos de aids novos ao ano.

O Rio Grande do Sul mostrou número de casos acima da média nacional, enquanto no Nordeste houve aumento de casos e, no geral, houve aumento de casos entre homens jovens entre 15 e 24 anos.

"É fundamental criar estratégias e uma abordagem corajosa envolvendo os jovens e os meninos gays que de fato dialoguem com a realidade e com a forma como eles se comunicam, e com organizações não governamentais parceiras", disse o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Segundo o boletim, houve queda de 35,7% em transmissão vertical nos últimos 10 anos em crianças menores de 5 anos e o coeficiente de mortalidade por aids caiu 67,3% no mesmo período. Passando de 6,1 casos de mortes por 100 mil habitantes em 2004, para 5,7 casos em 2013.

Em 2013, cresceu 29% o número de pessoas em tratamento de aids no Brasil, comparado com o ano anterior. De janeiro a outubro, 61.221 iniciaram a terapia para controlar o HIV, de acordo com o Ministério da Saúde. No entanto, segundo Chioro, 200 mil pessoas ainda não têm acesso ao tratamento. E 150 mil pessoas têm HIV positivo, mas não sabem que têm a doença.

O governo aproveitou a ocasião para lançar uma campanha com foco nos jovens incentivando o uso da camisinha e o teste rápido que detecta o vírus HIV em poucos minutos, com material segmentado para gays e travestis.

Fundo para organizações sociais

O Ministério da Saúde também lançou nesta segunda-feira o Fundo Nacional de Sustentabilidade às Organizações da Sociedade Civil destinado às organizações que trabalham no campo das doenças sexualmente transmissíveis, aids e hepatites virais. O fundo tem como meta arrecadar recursos da iniciativa privada para financiar projetos sociais de organizações da sociedade civil ligadas aos temas. Atualmente, existem no 350 organizações desta natureza no Brasil.

Apoios