Retrospectiva 2014: Homenagem a delegados mortos no voo MH 17, desfile de mulheres positivas e protestos marcam abertura da 20ª Conferência Internacional de Aids

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Reportagem publicada em 20 de julho

28/12/2012 – 12h

O ano de 2014 foi de grandes eventos no Brasil e no mundo. Em todos, a Agência de Notícias das Aids esteve presente,  abordando os temas relativos ao enfrentamento do HIV nos contextos específicos. Na Copa do Mundo, revelamos o cenário da doença em cada país que aqui esteve disputando o campeonato. Nas eleições, questionamos o por que da ausência do tema aids das campanhas dos candidatos. Na Conferência Internacional da Aids, na Austrália, cobrimos o dia a dia dos eventos, além de produzirmos um documentário sobre as ONGs no mundo. Fora dos eventos, foram muitas reportagens sobre os mais diversos temas. Selecionamos algumas nessa Retrospectiva 2014, que você acompanha até o dia 30. Relembre, hoje, a nossa cobertura na Conferência Internacional de Aids e vacinas.

A cerimônia de abertura da 20ª Conferência Internacional de Aids começou com um minuto de silêncio em homenagem aos seis delegados mortos no acidente aéreo na Ucrânia. Françoise Barré-Sinoussi, presidente da Conferência e da Sociedade Iinternacional de Aids (IAS, na sigla em inglês) chamou ao palco representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Aids Fond, da Female Health Company, do Instituto para Saúde e Desenvolvimento Global de Amsterdã e integrantes da comunidade holandesa, a que pertenciam os delegados. Ela disse que o silêncio era a forma de “expressar nossa tristeza, nossa raiva e nossa solidariedade". Os cerca de 12 mil participantes presentes no evento se levantaram. 

Numa coletiva nessa sexta-feira (19), Françoise Barré-Sinoussi disse que a conferência se realizaria para cumprir um desejo dos delegados que morreram a caminho dela. “Nossos colegas que se foram eram pessoas que viveram e trabalharam pela causa e eles gostariam, sim, que o evento acontecesse da forma planejada.” Assim tem sido.

O Programa Científico da 20ª Conferência Internacional de Aids vai discutir, nos próximos cinco dias, os principais temas relacionados à doença, como: vacinas preventivas, profilaxia pré-exposição (PrEp), tratamento como prevenção, circuncisão masculina, co-infecção HIV e tuberculose e HIV e hepatite C, microbicidas e o impacto das leis que criminalizam as pessoas vivendo com HIV. Também está em pauta a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo, num momento em que a OMS recomenda aos homens que fazem com homens (HSH) o uso de retrovirais para se protegerem.

Segundo a presidente da IAS, ainda há muito trabalho a ser realizado na luta contra aids, mas os esforços em aumentar o acesso aos antirretrovirais transformaram o diagnóstico do HIV de sentença de morte em doença crônica tratável. "Um terço das pessoas que vivem com HIV e precisam de tratamento têm, agora, o acesso a ele”, disse Françoise Barré-Sinoussi.

O diretor executivo do Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), Michel Sidibé, fez um discurso otimista em relação aos avanços alcançados na luta contra aids, desde a última Conferencia Mundial, realizada em 2012 em Washington (USA). 

Para Sidibé, se for mantido o aumento do acesso aos serviços de HIV e ao tratamento até 2020, o mundo estará no caminho certo para acabar com a epidemia em 2030. “Em 2013, incluímos cerca de 2,3 milhões no tratamento antirretroviral.  O Unaids estima que há, no momento, cerca de 14 milhões de portadores do HIV com acesso aos medicamentos que salvam vidas.”

Para controlar a epidemia até 2030, o diretor do Unaids afirmou que é preciso novos desafios, além do uso de todas as armas disponíveis. “Nossa meta agora é ter 90% das pessoas testadas, 90% de portadores em terapia antirretroviral e 90% com carga viral indetectável.”

Sidibé chamou atenção ainda sobre o aumento de novos casos em 15 países, que, segundo ele, concentram 75% das novas infecções de HIV. Para ele, “é preciso destinar recursos para os locais com grande crescimento da epidemia”.

Aids na Austrália

A Austrália é o país com a menor taxa de infecção no mundo, segundo Sharon Lewin, coordenadora local da 20ª Conferência Internacional de Aids. Recentemente, adotou a ambiciosa meta de eliminar todas as novas transmissões do HIV até 2020. De acordo com Sharon Lewin, uma das chaves para o sucesso da resposta australiana foi a inclusão de populações-chaves na resposta à pandemia, um programa de prevenção técnico científico independente da corrente política que estava no governo. 

Porém o país está em uma das regiões mais afetadas pela epidemia, a Ásia e Pacífico, que, juntas, apresentam a maior área territorial e populacional do planeta e, como consequência, possuem maior prevalência da infecção pelo HIV. “Por isso, a realização da 20ª Conferência na Austrália é tão importante”, disse a coordenadora local do evento.

Aids e mulheres

Um desfile feito por cerca de 20 mulheres vivendo com HIV da região da Ásia e do Pacífico foi um dos pontos altos da cerimônia de abertura. Elas subiram ao palco com vestimentas típicas de suas culturas enquanto a ativista Ayu Oktariani, da Rede de Mulheres Positivas da Indonésia, pediu respeito e dignidade a todas as mulheres que vivem com HIV em sua região e no mundo. 

“Contraí o HIV há cinco anos e posso afirmar que isso ocorreu pela falta de informação. Não tinha onde buscar informações sobre a doença, não havia ninguém para falar sobre sexualidade”, afirmou a ativista.

Hoje, Ayu Oktariani é viúva e cuida de sua filha sozinha desde que perdeu o companheiro em decorrência da aids. Ela chamou atenção ainda para a necessidade de diferentes respostas para deter o vírus. “Somente medicamento não é suficiente para deter a epidemia.”

Declaração de Melbourne 2014 – pelo fim da discriminação dos portadores do HIV

A presidente da 20ª Conferência Mundial de Aids, Barré-Sinoussi, pediu aos participantes que assinassem a Declaração de Melbourne 2014 – o documento pede para se pôr fim ao estigma e à discriminação que afetam os portadores do HIV.

Manifestações: a aids só vai acabar quando…

É praxe em conferências internacionais de aids a realização de protestos de ativistas. Na 20ª Conferência Internacional de Aids, antes do diretor executivo do Unaids falar, cerca de 30 ativistas foram à frente do palco com cartazes com frases como a que dizia que a aids só vai acabar quando for atingida a equidade de gênero. Outros pediam para que parem de olhar o próprio umbigo, trabalhem em parceria com profissionais do sexo, o fim da discriminação contra usuários de drogas, entre outros. Michel Sidibé pegou um dos cartazes e posou para fotos antes de fazer seu entusiasmado discurso.

Marina Pecoraro, de Melbourne (Austrália)

A Agência de Notícias da Aids cobre a Conferência na Austrália com o apoio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais e do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo

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