6/1/2007 – 11h40
No decorrer do ano de 2006 a Agência Aids publicou as principais notícias relacionadas ao tema HIV/Aids destacando o trabalho de ativistas, gestores públicos, jornalistas, médicos e especialistas. A seguir, uma matéria publicada em 16 de março de 2006, que trata da repercussão entre representantes do movimento estudantil sobre a polêmica da USAID no Brasil e seu programa de abstinência.
O polêmico documento da USAID, que em justificativa de orçamento ao Congresso norte-americano das ações voltadas à prevenção do HIV/Aids no Brasil, inclui a implementação de programas com foco na abstinência e na fidelidade (leia mais), posição contrária ao que prega a política brasileira nesta área, desagradou também aos representantes do movimento estudantil.
“Nós concordamos com a política pública brasileira, a prevenção tem que ter como foco principal o uso da camisinha,” declarou a estudante de nutrição e diretora de Ensino Tecnológico da União Nacional dos Estudantes (UNE), Patrícia Nogueira. Ela ressaltou que as campanhas voltadas aos jovens, aos adolescentes, às profissionais do sexo devem continuar enfatizando a utilização do preservativo. “Quando realizamos congressos, nós fazemos mesas de saúde onde se debate o tema HIV/Aids e, se conseguimos apoio de algum posto de saúde ou fabricante, também fazemos distribuição de camisinhas. E nós vamos continuar debatendo e fazendo prevenção sempre com o foco na camisinha,” acrescentou.
Para o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Thiago Franco, “apesar da máscara de instituição que investe em educação e direitos humanos, a USAID tenta impor políticas não condizentes com os países que ajuda. A USAID tem um histórico de ações e políticas no país prejudiciais à educação como um todo. Da USAID não se espera nada de bom há um bom tempo,” afirmou Franco. Ele contou que no último congresso da UBES, realizado em dezembro, foram feitas oficinas de prevenção, incluindo demonstrações de como utilizar corretamente o preservativo.
O estudante destacou que o Programa Nacional de DST/Aids é um dos mais respeitados, “uma referência mundial” no tratamento do HIV/Aids. “Quando falamos em prevenção, não devemos interferir na vida pessoal, dizer qual o número de parceiros ou parceiras deve-se ter, qual orientação sexual deve-se seguir ou se é preciso ser fiel. Esta atitude coloca as pessoas em risco,” frisou. O presidente da UBES acredita que são necessárias ações concretas para conter a proliferação da epidemia. “Hoje a forma mais segura de prevenção é a camisinha. As campanhas de prevenção devem continuar falando de camisinhas e elas devem ser distribuídas em postos de saúdes, festas, escolas e em todo lugar,” concluiu.
Redação Agência de Notícias da Aids


