7/1/2007 -12h30
No decorrer do ano de 2006 a Agência Aids publicou as principais notícias relacionadas ao tema HIV/Aids destacando o trabalho de ativistas, gestores públicos, jornalistas, médicos e especialistas. A seguir, uma matéria publicada em 16 de maio de 2006, sobre as manifestações de grupos GLBT que seriam realizadas no Dia Mundial contra a Homofobia, 17 de maio, para pedir paz e o fim daa violência contra gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais. Leia abaixo.
Nesta quarta-feira, 17 de maio, comemora-se o Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia. No Brasil, o movimento social gay quer ressaltar para a população esta aversão e/ ou ódio irracional que existem contra os homossexuais. Manifestações em várias partes do país vão mostrar a violência contra este segmento da sociedade e pedir paz.
Segundo dados da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) a homofobia é a responsável direta pelo assassinato de 2.403 gays, lésbicas e travestis (GLT) nos últimos 20 anos no Brasil. “Não podemos mais tolerar isso”, afirma a integrante da direção da Associação do Orgulho GLBT de São Paulo”, Xande Santos.
Segundo Santos, que atua na organização da 10ª Parada do Orgulho GLBT em São Paulo, que reuniu mais de 2 milhões de pessoas em 2005, o tema da manifestação deste ano, que será realizada no dia 17 de junho, será Homofobia é Crime – Direitos Sexuais são Direitos Humanos. “Assim como o racismo, temos que trabalhar para fazer com que o preconceito contra os homossexuais seja crime”, disse Santos.
Da mesma opinião é o presidente do Grupo Dignidade, de Curitiba, Toni Reis. “Queremos leis que penalizem a homofobia e protejam os direitos dos homossexuais”, afirma.
A idéia defendida por eles está em discussão no Plenário. Trata-se do Projeto de Lei 5003/01, de autoria da Deputada Iara Bernard, que visa criminalizar a discriminação por orientação sexual no Brasil. “Diante da freqüente violência enfrentada pela comunidade GLBT no Brasil, é de extrema importância que a lei que penalize a discriminação por orientação sexual seja aprovada. Sabemos que uma lei não acabará com a discriminação, porém reprimirá futuros atos discriminatórios”, defende o presidente da Associação Brasileira de Gays Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), Marcelo Nascimento.
No Rio de Janeiro, o Grupo Atobá, fundado em 1985, fará uma manifestação na Cinelândia para marcar o Dia Mundial Contra a Homofobia. “Vamos divulgar uma carta aberta para imprensa, população em geral e GLBT, em particular, denunciando os políticos homofóbicos que durante os últimos dez anos fizeram declarações na mídia contra os homossexuais”, informa o presidente desta ONG, Raimundo Pereira. “Este ano tem eleições e nada mais propício para saber quem são nossos aliados e quem são nossos inimigos”, completa.
Em Salvador, na praça da Piedade, será feito um “Varal da Homofobia” com mensagens de erradicação deste ódio e incentivo da paz, disse o presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira. “Apesar dos homossexuais terem ganhado espaço na sociedade nos últimos anos, a homofobia ainda é muito velada”, diz
Para Cerqueira, muitas pessoas têm medo de conviver com os homossexuais por que não têm informação. “As pessoas acham que vão ser atacadas pelos gays. Isso não existe. Precisamos viver em harmonia”, defende.
Desde que a epidemia de Aids surgiu, os homossexuais passaram a ter relação direta com a doença. Na época, a sindrome da imunodeficiência adquirida foi chamada de forma errada e preconceituosa de “Cancêr Gay”. Desde então, os gays, lésbicas, bissexuais e trangêneros se organizaram e criaram meios de se prevenirem contra a infecção do vírus HIV. Esta atenção especial contra as DST/AIDS fez com que este segmento da sociedade deixasse de ser o mais afetado pela doença.
Entre as estratégias para combater a Aids, algumas organizações não governamentais (ONG) foram fundadas e muitas delas tiveram apoio e presença efetiva dos homossexuais. A parceria entre o movimento social gay e das pessoas vivendo com HIV/AIDS se contemplou e atualmente trabalham de forma conjunta.
Lucas Bonanno



