RETROSPECTIVA 2006: 18 DE MAIO – DIA MUNDIAL DE LUTA POR UMA VACINA ANTI-AIDS: PESQUISADORES BRASILEIROS ACREDITAM NA DESCOBERTA DE UMA VACINA

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7/1/2007 -17h10

No decorrer do ano de 2006 a Agência Aids publicou as principais notícias relacionadas ao tema HIV/Aids destacando o trabalho de ativistas, gestores públicos, jornalistas, médicos e especialistas. A seguir, uma matéria publicada em 18 de maio de 2006, com a cobertura do seminário “As pesquisas de vacinas anti-Aids no mundo e no Brasil, e o desenvolvimento da sociedade civil”. No texto, os avanços e as dificuldades para se produzir uma vacina eficaz contra a Aids. Leia abaixo.

Gabriela, de 45 anos, é soropositiva há cerca de 14 anos. Desde 1997, ele iniciou a terapia anti-retroviral. Definida por ela mesma, como uma paciente “complicada e de difícil adesão” ao coquetel anti-Aids, Gabriela já mudou diversas vezes sua combinação terapêutica, pois algumas não obtiveram bons resultados e outras provocaram fortes efeitos colaterais.

Presente nesta quinta-feira, 18, no seminário “As pesquisas de vacinas anti-Aids no mundo e no Brasil, e o desenvolvimento da sociedade civil”, Gabriela vê como grande esperança para sua saúde uma vacina terapêutica contra a doença a qual é acometida. “Isso seria o ideal para mim, pois se esta combinação de remédios que uso atualmente não tiver efeito, eu não terei mais opções no tratamento”, explica.

Realizado pelo CAC (Comitê de Acompanhamento Comunitário) de Vacinas do HVTU Vila Mariana, o seminário contou com a presença dos pesquisadores José Alberto da Silva Duarte, Presidente do Comitê Nacional de Vacinas, e Artur Kalichman, responsável pelo centro de pesquisa de vacinas anti-Aids da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

Em sua apresentação, Duarte explicou a complexidade de se desenvolver uma vacina para a Aids, seja ela profiláticas ou terapêuticas, mas ressaltou a importância de se investir neste produto. “É imperativo a criação desse meio para combater a pandemia de Aids”, destacou.
Para ele, uma vacina será descoberta, mas ainda não se sabe dizer quando. “Acredito na criação de uma vacina, mas não sei se estamos pertos”, afirmou.

Segundo Duarte, nenhuma outra infecção teve uma evolução tão rápida em descobertas científicas como a do HIV. “Por isso sou confiante numa possível vacina. Há várias outras infecções, menos conhecidas que a Aids, que já existem vacinas”, explicou.

Dr. Artur Kalichman, que também é diretor adjunto do Programa Estadual de DST/AIDS de São Paulo, informou que até o final de 2006 ou início de 2007 cinco estudos para uma vacina contra a Aids estarão sendo desenvolvidos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ele comentou que os grandes avanços da saúde pública foram conquistados com vacinas, pois têm melhores resultados que os tratamentos individuais com remédios.

Para Kalichman, o Brasil deveria investir também numa vacina que ajudasse no tratamento dos doentes de Aids. “Há poucos estudos sobre isso e no caso do Brasil, onde infelizmente há muitos portadores do HIV/AIDS, seria mais fácil na recrutação de voluntários para essa vacina.”

Até o final de 2005, cerca de 35 produtos diferentes estavam sendo testados em 45 testes para uma vacina anti-Aids. Cerca de 20 países participam deste processo, sendo os Estados Unidos a nação com mais sítios de pesquisas.

Neste evento que marcou o Dia Mundial de Luta por Uma Vacina Anti-Aids, participaram também a coordenadora do Núcleo de Educação Comunitária do Centro de Pesquisas anti-Aids da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, Gabriela Calazans; a advogada Áurea Celeste Abbade, que falou sobre os direitos e aspectos éticos de uma vacina; e o coordenador do Comitê de Acompanhamento Comunitário (CAC), José Carlos Veloso, que abordou o envolvimento da sociedade civil em pesquisas de vacinas anti-Aids.

O CAC é formado por representantes de diferentes segmentos da sociedade civil e tem como função principal envolver a comunidade no processo de pesquisas de vacinas anti-HIV/AIDS por meio das seguintes ações: acompanhar o planejamento, desenvolvimento e implantação das pesquisas; assessorar o impacto dos estudos sobre a comunidade; e assegurar que suas inquietudes sejam consideradas e dar voz à comunidade e aos participantes dos estudos, orientando e informando os voluntários que integram cada pesquisa.

O CAC de São Paulo foi criado no ano de 2000, quando o Centro de Referência e Treinamento DST/Aids (CRT-DST/Aids) foi convidado a participar da HVTN, passando a integrar a rede com a criação da Unidade de Pesquisa de Vacinas Anti-HIV – São Paulo.

Saiba mais sobre vacinas anti-HIV/AIDS

As abordagens vacinais podem ser classificadas como dois aspectos básicos: profiláticas ou terapêuticas. Entendendo-se por isto, respectivamente, a prevenção da infecção pelo HIV em pessoas não infectadas ou o auxílio no combate contra a imunodeficiência no paciente já infectado (terapia imune).

As formulações básicas utilizadas nas pesquisas de uma vacina são: I) vacinas com vírus mortos ou vivos inativos; 2) vacinas com proteínas do envelope viral; 3) vacinas com proteínas internas ou do centro (core) viral; 4) vacinas com vetores vivos; 5) abordagens vacinais combinadas, com vetores vivos seguindo-se a dose de reforço vaclnal (boost) com subunidades do HIV; 6) vacinas a partir de DNA descoberto (naked DNA); 7) vacinas com imunoglobulinas ou proteínas solúveis; 8) vacinas com vírus vivos atenuados; 9) vacinas com pseudovírions.

O processo de pesquisa em vacinas é dividido em três fases: Fase I, quando é testada principalmente a segurança do produto; Fase II, testa-se a resposta imunológica de acordo com diferentes doses do produto; e Fase III, quando finalmente é testada a eficácia do produto, ou seja, verifica-se se a vacina protege contra a doença.

No Brasil, os três centros que pesquisam uma vacina anti-Aids atualmente são:

HVTU

UFRJ

Unifesp

Lucas Bonanno

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