26/03/2014 – 19H50
“Os camundongos mentem e os macacos nem sempre dizem a verdade”. Foi com essa piada interna de cientistas que Edécio Cunha Neto, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e coordenador da pesquisa da vacina anti-hiv brasileira denominada HIVBr18, apresentou os resultados preliminares do produto testado em quatro macacos rhesus, durante o 9º Curso Avançado de Patogênese do HIV, na Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo.
Segundo Cunha Neto, os resultados da vacina nos primatas foram superpositivos, muito acima do esperado. “A resposta imunológica nos macacos rhesus foi de cinco a dez vezes maior do que os valores registrados nos camundongos”, comemorou.
Os estudos começaram em novembro de 2013 e foi conduzido em quatro macacos do Instituto Butantan. Foram aplicadas três doses contendo DNA capaz de codificar fragmentos do vírus HIV e uma na qual os fragmentos são inseridos no vírus do resfriado, o adenovírus 5.
Para melhorar a resposta imunológica da vacina nos primatas, os pesquisadores deram um eletrochoque na região onde a injeção foi aplicada. Dessa forma, eles conseguiram aumentar as chances de a molécula de DNA entrar no músculo e começar a produzir o trecho do HIV selecionado no produto vacina. Segundo Cunha Neto, os resultados superaram e muito as expectativas. Nos macacos testados, os pesquisadores concluíram que 3.200 em cada milhão de células do sangue responderam ao HIV —nos camundongos esse valor foi de 330 células por milhão.
A vacina será testada em mais 28 macacos reshus antes de ir para a fase 1, que envolve os seres humanos. Porém, devido aos altos custos, não se sabe ainda se os brasileiros farão parte do estudo, neste momento.
Marina Pecoraro



