O Grupo K da Copa do Mundo de 2026 reúne quatro seleções com realidades distintas dentro e fora de campo. Liderado pela Colômbia, que chega à competição em posição de destaque na chave, o grupo conta ainda com Portugal, República Democrática do Congo (RDC) e Uzbequistão, que disputam espaço em uma fase marcada pelo equilíbrio entre as equipes.
Fora das quatro linhas, o grupo também expõe diferentes cenários na resposta ao HIV: enquanto Portugal registra queda consistente nos novos diagnósticos e amplia estratégias de prevenção, a Colômbia enfrenta uma epidemia concentrada em populações-chave e avança em políticas de direitos humanos. Já a República Democrática do Congo e o Uzbequistão ainda lidam com desafios relacionados ao acesso, desigualdades regionais e combate ao estigma.
Portugal reduz novos casos e amplia políticas de prevenção
Com prevalência de 0,5%, Portugal reduziu os novos diagnósticos de HIV em 35% na última década. Em 2024, o país registrou 997 novos casos, mantendo pela terceira vez consecutiva o número abaixo de mil notificações anuais. Atualmente, cerca de 50 mil pessoas vivem com HIV no país.
Os homens que fazem sexo com homens (HSH) seguem como o grupo mais afetado pela epidemia portuguesa, representando 68,7% das novas infecções. Entre essa população, a prevalência chega a 5,9%, acima da média nacional.
A resposta portuguesa combina testagem, acesso universal ao tratamento, redução de danos e estratégias de prevenção. Em 2024, foram distribuídos mais de 6 milhões de preservativos nas unidades de saúde e realizadas cerca de 68 mil testagens rápidas para HIV. Mais de 2.200 pessoas utilizaram a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) no período.
No futebol, Portugal chega à Copa de 2026 com uma geração considerada uma das mais talentosas de sua história. A competição também marca a despedida de Cristiano Ronaldo dos Mundiais. A seleção nunca conquistou a Copa, mas alcançou o terceiro lugar em 1966 e o quarto lugar em 2006.
Colômbia lidera grupo e avança em direitos relacionados ao HIV
A Colômbia possui aproximadamente 230 mil pessoas vivendo com HIV, com prevalência de 0,6% entre adultos de 15 a 49 anos. Em 2023, cerca de 82% das pessoas vivendo com HIV conheciam seu diagnóstico, 81% estavam em tratamento antirretroviral e 92% tinham carga viral suprimida.
Assim como em outros países da América Latina, a epidemia colombiana está concentrada principalmente entre populações-chave. Homens que fazem sexo com homens apresentam prevalência de 5,6%, enquanto os homens representam cerca de 79% dos novos diagnósticos.
Um dos marcos recentes do país ocorreu em 2019, quando o Tribunal Constitucional colombiano derrubou uma lei que criminaliza a transmissão do HIV e da hepatite B. A decisão considerou que a norma violava princípios de igualdade e não discriminação.
Na prevenção, a Colômbia ampliou o acesso à PrEP, incorporada oficialmente ao sistema de saúde em 2021. Em 2024, o país também emitiu uma licença compulsória para ampliar o acesso ao dolutegravir na rede pública.
No futebol, a seleção colombiana viveu uma fase de destaque nas últimas décadas, com a conquista da Copa América de 2001 e o vice-campeonato em 2024. A equipe atual conta com nomes como Luis Díaz, Jhon Arias e Richard Ríos.
República Democrática do Congo enfrenta desigualdades na resposta ao HIV
A República Democrática do Congo possui cerca de 610 mil pessoas vivendo com HIV. Apesar dos avanços, 77% conhecem seu estado sorológico e 93% estão em tratamento antirretroviral. Em 2024, o país registrou aproximadamente 26 mil novas infecções.
A epidemia congolesa é marcada por desigualdades regionais. Entre populações-chave, a prevalência chega a 7,5% entre mulheres profissionais do sexo e 7,1% entre HSH. Usuários de drogas injetáveis também apresentam maior vulnerabilidade.
O país teve sua resposta ao HIV prejudicada por conflitos, crises políticas e limitações no sistema de saúde. Atualmente, o tratamento é oferecido gratuitamente na rede pública com apoio de organizações internacionais, mas a PrEP ainda possui cobertura limitada.
No futebol, a RDC tem um lugar histórico: foi a primeira seleção da África Subsaariana a disputar uma Copa do Mundo, em 1974, e conquistou a Copa Africana de Nações em duas oportunidades.
Uzbequistão amplia tratamento, mas mantém desafios de direitos
Com cerca de 60 mil pessoas vivendo com HIV, o Uzbequistão possui uma das maiores epidemias da Europa Oriental e Ásia Central. O país passou por uma mudança no perfil da epidemia: se antes os casos estavam mais ligados ao uso de drogas injetáveis, atualmente cresce a participação da transmissão sexual.
Homens representam aproximadamente 58% das novas infecções registradas. Homens que fazem sexo com homens também são considerados grupo vulnerável, com prevalência estimada entre 2% e 5% nas principais cidades do país.
Apesar da expansão do diagnóstico e do tratamento gratuito, o país ainda enfrenta críticas relacionadas a medidas consideradas discriminatórias. Em 2025, foram aprovadas regras que introduziram testes obrigatórios de HIV para cidadãos que retornam do exterior após longos períodos e estrangeiros que buscam emprego ou residência. Organizações internacionais alertaram que testes compulsórios podem aumentar o estigma e dificultar o acesso aos serviços de saúde.
Pela primeira vez em uma Copa do Mundo, o Uzbequistão chega ao torneio após uma campanha histórica nas eliminatórias asiáticas.
O Grupo K mostra como a resposta ao HIV varia de acordo com fatores sociais, econômicos e políticos. Entre políticas de prevenção consolidadas, avanços em direitos humanos e desafios persistentes contra o estigma, as quatro seleções representam diferentes momentos da luta global contra a epidemia.
Redação da Agência de Notícias da Aids




