Quando o diálogo vira prevenção: Senac São Paulo e Agência Aids ampliam debate sobre HIV nas unidades da capital

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O silêncio ainda é um dos maiores aliados da desinformação. Por isso, quando o microfone é aberto e os jovens passam a falar sobre sexo, prevenção e cidadania, algo importante acontece: nasce um espaço de confiança, empatia e aprendizado. É exatamente esse o propósito do projeto “Saúde, Informação e Cidadania”, parceria entre o Senac São Paulo e a Agência de Notícias da Aids, que agora chega às unidades da capital paulista para uma nova etapa de palestras e conversas sobre HIV e saúde sexual.

Nova rodada de encontros na capital paulista

Depois de percorrer o interior do estado, o projeto retoma sua caminhada pela cidade de São Paulo, com uma agenda que começa nesta quinta-feira, 23 de outubro, no Senac Itaquera, e segue por Vila Prudente (5 de novembro), Tatuapé (11 de novembro) e São Miguel Paulista (14 de novembro).

Em cada parada, estudantes e educadores se reúnem para falar sobre prevenção, autocuidado, respeito e escolhas. Tudo em um formato leve, direto e livre de julgamentos.

“Mais do que falar sobre o HIV, nós falamos sobre vida, sobre responsabilidade e sobre afeto. O que buscamos é abrir espaço para o diálogo — porque é ali, na escuta e na troca, que a prevenção realmente acontece”, afirma Roseli Tardelli, jornalista e idealizadora do projeto. “Enquanto houver jovens que ainda não sabem o que é PrEP ou que acham que o HIV é coisa do passado, teremos motivos para continuar indo até eles”, completa.

Roseli considera que “informar a juventude é um gesto de cuidado, cidadania e compromisso com o futuro. Projetos como este ampliam o debate sobre saúde sexual, fortalecem o autocuidado e enfrentam o estigma que ainda envolve o HIV e a aids. Quando abrimos espaço para diálogos francos e responsáveis, ajudamos jovens a fazer escolhas mais seguras e conscientes. A educação é o caminho para uma sociedade mais informada, acolhedora e livre de preconceitos.”

Histórias reais que inspiram e transformam

As palestras reúnem profissionais da saúde, especialistas e pessoas que vivem com HIV, que compartilham suas histórias e experiências. O encontro entre informação e emoção é o que dá força à iniciativa — mostrando que, por trás de cada estatística, há vidas reais, desafios e conquistas.

Em um dos momentos mais esperados, o público é apresentado à Mandala da Prevenção, ferramenta do Ministério da Saúde que mostra como a proteção vai muito além do preservativo: inclui a testagem regular, o uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), da Pós-Exposição (PEP) e o tratamento como prevenção, o conhecido I=I (indetectável=intransmissível).

Formar profissionais e cidadãos

Lucila Sciotti, superintendente de Operações do Senac São Paulo, doutora e mestre em Educação

Para Lucila Sciotti, superintendente de Operações do Senac São Paulo, doutora e mestre em Educação, a parceria é parte fundamental da formação cidadã que a instituição promove:

“É com imenso prazer que vemos a nova série de palestras da Agência Aids, com a coordenação de Roseli Tardelli e vários profissionais fazendo um roteiro de palestras pelas unidades do Senac São Paulo. Essas palestras são momentos muito informativos. São momentos significativos que trazem para todos os nossos estudantes a oportunidade de conhecer todas as possibilidades de precaução e prevenção com relação às ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), às infecções pelo HIV e a outras doenças que possam ser transmitidas sexualmente. Essas informações são fundamentais para a saúde. São fundamentais para o desenvolvimento da cidadania de cada um desses jovens, porque, ao terem as informações, eles podem escolher a prevenção, eles podem escolher pelo caminho mais seguro. O nosso processo de formação profissional é um processo de formação do profissional e do cidadão. Profissionais e cidadãos que vão construir esse mundo. De jovens que vão construir o mundo do futuro. Quanto mais informações eles puderem ter, quanto mais escolhas saudáveis eles puderem fazer, melhor será para toda a sociedade e para cada um deles. Nós temos um carinho muito grande por essa parceria, que já tem alguns anos, e esperamos continuar por muito tempo ainda trazendo informação e um espaço de fala, de escuta e compartilhado com os jovens.”

Infecções pelo HIV na cidade

HIV: por que cidade de SP se tornou exemplo no combate ao vírus - BBC News Brasil

Em São Paulo, onde o número de novas infecções pelo HIV caiu mais de 50% nos últimos anos, o desafio agora é manter o avanço e ampliar o acesso à informação nas periferias — territórios onde o tabu ainda fala mais alto do que a prevenção. Cada conversa, cada depoimento e cada dúvida respondida representam um passo a mais na construção de uma cidade mais informada e livre de estigmas.

Entre 2016 e 2023, a capital registrou uma queda de 55% nas novas infecções por HIV, passando de 3.761 para 1.705 casos. A redução é ainda mais expressiva entre os jovens de 15 a 29 anos, com diminuição de 57%. O resultado é fruto de políticas públicas de saúde que ampliaram o acesso à testagem, à distribuição de preservativos e à Profilaxia Pré e Pós-Exposição (PrEP e PEP).

Atualmente, cerca de 96% das pessoas em tratamento antirretroviral (TARV) estão com carga viral indetectável — o que significa que não transmitem o HIV.

A cidade conta com Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e Serviços de Assistência Especializada (SAE) em todas as regiões, além de iniciativas inovadoras como a Estação Prevenção Jorge Beloqui, as máquinas automáticas de PEP e PrEP instaladas no metrô e o SP PrEP, disponível pelo aplicativo e-saúdeSP.

Unidade Itaquera abre os encontros na capital

O ciclo de palestras na capital será aberto no Senac Itaquera, com a participação do ator, produtor de vídeo e figurinista Diego Krauzs e da psicóloga e sexóloga Regiane Garcia.

Diego Krauzs vive com HIV e diz que o diagnóstico foi um grande choque na época. Ele não teve educação sexual na escola e não era uma pessoa esclarecida sobre o assunto. Ao receber o diagnóstico positivo, conversou abertamente com a mãe sobre o tema e juntos buscaram o auxílio de um infectologista para dar início ao tratamento. Inspirado nos conteúdos que havia visto no YouTube, Diego fez um vídeo sobre o tema que ficou guardado durante um ano. Quando finalmente decidiu disponibilizá-lo, o conteúdo viralizou.

Atualmente, ele mantém um canal no YouTube que aborda diversos temas, além da vivência com HIV, como arte, música, teatro e cinema. Para Diego, é essencial que as novas gerações assimilem as evoluções no tratamento e na prevenção, trazendo informações sobre as novas possibilidades que existem — sem deixar de lado o acolhimento às pessoas que vivem com o vírus.

Regiane Garcia é psicóloga (Universidade Metodista, 1994), com especialização em sexualidade (SBRASH – 2002), especialização em psicodrama (IBP – 1997) e licenciatura em história (Instituto Claretiano – 2013). Atua no Instituto Cultural Barong, organização não governamental que trabalha com prevenção às IST/HIV/aids e saúde sexual e reprodutiva. Também atua na área educacional, em rede particular de ensino, e na área clínica (Psicologia). Já realizou palestras e coordenou rodas de conversa sobre sexualidade e saúde em diferentes espaços públicos em São Paulo e em outros estados do Brasil.

A jornalista Roseli Tardelli é mediadora e curadora do projeto.

Educar é também cuidar

Mais do que uma palestra, cada encontro se torna um exercício de escuta e pertencimento. O projeto tem mostrado que falar sobre HIV é também falar sobre direitos, saúde e igualdade — temas que, quando entram na sala de aula, fortalecem uma geração mais consciente, crítica e solidária.

“Cada diálogo é uma semente”, resume Roseli. “E quando o jovem entende que cuidar de si também é um ato de cidadania, é aí que a mudança realmente começa.”

Serviço

Projeto “Saúde, Informação e Cidadania” – Senac São Paulo e Agência Aids

📍 23 de outubro – Senac Itaquera
📍 5 de novembro – Senac Vila Prudente
📍 11 de novembro – Senac Tatuapé
📍 14 de novembro – Senac São Miguel Paulista

👥 Público-alvo: estudantes das unidades participantes (evento fechado)

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