Receber o diagnóstico de HIV costuma trazer uma enxurrada de informações novas. Entre consultas, orientações e o início do tratamento, nomes como carga viral, CD4, hemograma e creatinina passam a fazer parte da rotina — e, junto com eles, surgem muitas dúvidas.
Entender para que serve cada exame ajuda a acompanhar o tratamento com mais segurança e também a compreender como o organismo está respondendo à terapia antirretroviral (TARV). Mais do que uma sequência de exames, esse acompanhamento permite monitorar o sistema imunológico, avaliar a eficácia do tratamento e identificar precocemente possíveis alterações na saúde.
Embora existam exames que fazem parte da rotina, a frequência com que eles são solicitados varia de acordo com a evolução clínica e as necessidades de cada pessoa. Conheça os principais.
Carga viral
A carga viral mede a quantidade de cópias do HIV presentes no sangue. Na prática, ela mostra se a terapia antirretroviral está conseguindo impedir que o vírus continue se multiplicando.
Quando o tratamento é seguido corretamente, a tendência é que a carga viral diminua até se tornar indetectável. Isso significa que a quantidade de vírus é tão baixa que os exames laboratoriais disponíveis não conseguem detectá-la.
Esse é um dos principais objetivos do tratamento. Além de preservar a saúde da pessoa vivendo com HIV, manter a carga viral indetectável de forma sustentada está diretamente relacionado ao conceito I=I (Indetectável=Intransmissível), que demonstra que não há transmissão do HIV por via sexual nessas condições.
CD4
Se a carga viral mostra como o vírus está se comportando, o exame de CD4 revela como o sistema imunológico está reagindo.
Os linfócitos T CD4+ são células essenciais para a defesa do organismo e são justamente elas que o HIV utiliza para se multiplicar. Sem tratamento, essa quantidade tende a diminuir ao longo do tempo.
A contagem de CD4 permite acompanhar a recuperação da imunidade após o início da terapia. Em pessoas que começam o tratamento precocemente e mantêm boa adesão, é esperado que esse número aumente gradualmente.
Hoje, como a recomendação é iniciar a terapia antirretroviral logo após o diagnóstico, a carga viral passou a ser o principal parâmetro para avaliar a eficácia do tratamento. Ainda assim, o CD4 continua sendo um exame importante para acompanhar a recuperação imunológica.
Hemograma
Nem todos os exames realizados durante o acompanhamento são específicos para o HIV. O hemograma é um exemplo disso.
Ele avalia diferentes componentes do sangue, como hemácias, leucócitos e plaquetas, ajudando a identificar alterações como anemia, infecções ou possíveis efeitos relacionados ao tratamento. É um exame que oferece uma visão ampla do estado geral de saúde da pessoa.
Creatinina e ureia
Outro ponto de atenção é o funcionamento dos rins. Como esses órgãos são responsáveis por filtrar o sangue e eliminar substâncias do organismo, exames como creatinina e ureia fazem parte do acompanhamento de muitas pessoas vivendo com HIV. Eles ajudam a monitorar a função renal durante o tratamento e permitem identificar alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas.
TGO e TGP
O fígado também merece acompanhamento ao longo do tratamento. Os exames TGO (AST) e TGP (ALT) ajudam a verificar se há sinais de inflamação ou lesão hepática, sendo especialmente importantes para pessoas que convivem com hepatites virais ou utilizam medicamentos metabolizados pelo fígado.
Colesterol, triglicerídeos e glicemia
Os avanços da terapia antirretroviral fizeram com que pessoas vivendo com HIV passassem a ter uma expectativa de vida cada vez maior. Com isso, o acompanhamento também passou a olhar para questões que vão além do controle do vírus.
Hoje, prevenir e identificar precocemente doenças crônicas, como diabetes e doenças cardiovasculares, também faz parte desse cuidado. Por isso, exames que avaliam colesterol, triglicerídeos e glicemia podem integrar a rotina de acompanhamento, permitindo detectar fatores de risco e iniciar o tratamento quando necessário.
Cuidado contínuo: acompanhamento, prevenção e acesso aos serviços
Os exames laboratoriais são uma ferramenta essencial, mas representam apenas uma parte do cuidado. Consultas regulares, adesão à terapia antirretroviral, vacinação em dia, alimentação equilibrada, prática de atividade física e o acompanhamento de outras condições de saúde também contribuem para a qualidade de vida de quem vive com HIV.
No Brasil, o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento do HIV são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Após o diagnóstico, a pessoa é encaminhada para um Serviço de Atenção Especializada (SAE), onde recebe acompanhamento multiprofissional, realiza os exames de rotina e tem acesso à terapia antirretroviral.
Quem deseja fazer o teste de HIV ou iniciar medidas de prevenção também pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA). Nesses serviços são oferecidos gratuitamente testes rápidos, orientações sobre prevenção, preservativos e, quando indicado, acesso à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e à Profilaxia Pós-Exposição (PEP). Para saber qual é a unidade mais próxima, o Ministério da Saúde orienta procurar a Secretaria Municipal de Saúde ou entrar em contato com o Disque Saúde 136.
Bárbara Clara, especial para a Agência de Notícias da Aids




