Projeto que atende pessoas com HIV em Brasília busca nova sede – Correio Braziliense

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Vicky Tavares, fundadora do Instituto Vida Positiva, dedicou carreira a proteção de crianças e adultos com HIV. Agora, instituto enfrenta novo desafio

O conhecimento científico sobre a imunodeficiência humana (HIV) avançou exponencialmente nas últimas décadas. Desde a prevenção, com a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), até a evolução nos tratamentos, os tempos são outros. Mas uma coisa permanece resistente: o preconceito. É o que pontua a jornalista Vicky Tavares, fundadora do Instituto Vida Positiva, que acolhe crianças e adolescente vivendo com HIV.

A luta pela dignidade de pessoas que convivem com o HIV começou após a perda de um amigo, na década de 1990. “Era uma situação muito difícil, fora o preconceito da doença, tinha ainda o preconceito contra os homossexuais”, pontua Vicky.

Já são 20 anos desde que a ativista resolveu dar um novo passo na luta contra o preconceito com a criação do Vida Positiva. Um caminho nem sempre fácil e que enfrenta agora um novo obstáculo. Com a venda da antiga sede, na 711 Sul, onde passaram 16 anos, Vicky e mais de 27 crianças e adolescentes precisam encontrar um novo lar.

“Precisar ser uma residência familiar, com toda essa coisa da família, porque essas pessoas que vêm para cá, são pessoas que vêm de famílias em vulnerabilidade”, comenta. A localização também é imprescindível pela proximidade com o Centro Especializado em Doenças Infecciosas (Cedin), referência no tratamento de HIV e Aids. Além do suporte aos assistidos, o Vida Positiva é responsável por fornecer cerca de 200 almoços por mês aos pacientes da unidade.

Além dos trâmites burocráticos, a busca de um novo lar é sempre um processo de resiliência, e a futura vizinhança preocupa. Na época em que se mudaram para a casa atual, Vicky conta que alguns moradores chegaram a fazer um abaixo-assinado para que o Vida Positiva se retirasse do local. Até o processo de encontrar uma casa para alugar é permeado pelo preconceito. “Quando eles veem no estatuto que tem HIV, eles não alugam”, conta.

Uma grande família
O Instituto é mais que um ponto de apoio. Para algumas pessoas, ele é casa, e a família da Vovó Vicky, como foi apelidada, não para crescer.

Ao longo dos anos de atuação, Vicky adotou formalmente duas meninas. “Minha filha chegou com 4 meses e com HIV já detectado, foi uma luta muito longa de muito acompanhamento e depois qualquer doença que pegava, catapora (por exemplo), tinha que internar”, recorda.

O amor de mãe, no entanto, vai além das barreiras legais e dos arranjos tradicionais de família. Com o nascimento de mais um neto, ela experimenta a sensação de cuidar de um bebê de novos aos 77 anos. “Eles todos são meus filhos, (no) Dia das Mães eles me fazem homenagens incríveis”, conta. “Os netos também são filhos, eles me chamam de vãe, uma mistura de avó com mãe”.

Desafios
O Vida Positiva surgiu de uma necessidade. Com o fechamento da ONG onde atuava como voluntária, Vicky precisou tomar uma decisão importante para garantir que as crianças continuasse com o acolhimento necessário.

Na época, conta a ativista, as idas para hospitais eram ainda mais frequentes e desafiadoras. “Eu tive muitas lutas com morte e com perigos de morte, mas ninguém mais faleceu (depois da criação do Instituto)”.

Atualmente, o Vida Positiva conta com 12 funcionários, entre cozinheiros, cuidadores e outros prestadores de serviço. Para manter tudo em funcionamento, Vicky conta com o brechó, que fica na sede da instituição, doações e a fábrica de farofa Vovó Gourmet.

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