Projeto investiga impacto do racismo na saúde reprodutiva da população negra – AlmaPreta

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O objetivo é identificar políticas, programas e outros esforços organizados para a redução de iniquidades em saúde causadas pelo racismo e pela desigualdade estrutural

Como o racismo e as desigualdades raciais se manifestam nos desfechos de saúde sexual e reprodutiva e quais os avanços e desafios das políticas de equidade no Brasil, especialmente, quando falamos sobre a saúde da população negra? Essas e outras questões estarão em foco no webinário de lançamento público do projeto Ilera Egbé Dudu, que será realizado no dia 30 de abril, às 18h30, pela Associação de Pesquisa Iyaleta.

A iniciativa será desenvolvida no âmbito do Laboratório de Justiça Reprodutiva e Saúde, unidade da Associação de Pesquisa Iyaleta voltada para pesquisas e estudos interseccionais que têm como foco a saúde sexual e reprodutiva das mulheres negras.

Além da apresentação do projeto, conduzida pela coordenadora científica Andrea Ferreira, o evento terá a moderação da pesquisadora sênior Emanuelle Góes, coordenadora do Laboratório de Justiça Reprodutiva e saúde. Os debates terão as contribuições de Heliana Hemetério dos Santos, representante do Conselho Nacional de Saúde; profa. Dra. Joilda Nery, diretora do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/UFBA); e profa. Dra. Dandara Ramos (ISC/UFBA).

O webinário busca envolver pesquisadoras, sociedade civil, gestores, profissionais de saúde e estudantes no debate sobre os impactos do racismo na saúde da população negra, bem como sobre os avanços e desafios na implementação de políticas de equidade em saúde.

“O Brasil está na vanguarda da institucionalização de políticas de equidade racial no mundo. Como criação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, em 2009 no âmbito do SUS. Assim como, o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado em 2010, pelo reconhecimento do racismo enquanto determinante das condições de vida e saúde da população negra”, aponta Andrea Ferreira.

O Ilera Egbé Dudu integra o Projeto “Transformação Estrutural contra o Racismo, a Desigualdade e a Discriminação: Cases em Saúde Global”, que conta com o apoio da Universidade de Georgetown. Multicêntrica e colaborativa, a iniciativa envolve instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil de quatro países: Brasil, Quênia, Nepal e Bolívia.

O objetivo é identificar políticas, programas e outros esforços organizados que tenham sido “exemplares” na redução de iniquidades em saúde causadas pelo racismo e pela desigualdade estrutural.

“O Brasil é um dos poucos países com uma diversidade de dados em saúde desagregados por raça/cor, seja nos sistemas de informação e saúde, seja também nos censos demográficos e nas pesquisas nacionais. Então, nós conseguimos, não só a construção teórica sobre as desigualdades raciais em saúde, mas também trazer os dados para dar substancialidade às construções teóricas desenvolvidas no país, historicamente, pelos movimentos negros e de mulheres negras”, pontua a líder do projeto.

A expectativa é concluir, até junho, as análises dos dados que serão apresentadas em um Data Brief sobre a completude do quesito raça/cor e as tendências em indicadores de morbidade e mortalidade da população negra nos últimos 15 anos.

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