No contexto do Dia Internacional da Mulher, o debate sobre prevenção ao HIV reforça a importância de garantir às mulheres informação, acesso aos métodos preventivos e autonomia sobre a própria saúde.
Quatro décadas após o início da epidemia, o HIV ainda representa um importante desafio de saúde pública no mundo. Dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) indicam que, em 2024, cerca de 40,8 milhões de pessoas viviam com HIV globalmente, enquanto 1,3 milhão de novas infecções foram registradas no mesmo período.
Os dados também mostram que a epidemia continua afetando de forma significativa mulheres e meninas. Em 2024, 45% das novas infecções por HIV no mundo ocorreram entre mulheres e meninas de todas as idades. Entre adolescentes e jovens mulheres de 15 a 24 anos, cerca de 4 mil novas infecções ocorrem semanalmente, evidenciando que a vulnerabilidade feminina ainda é um desafio global.
Prevenção combinada amplia proteção
No Brasil, as estratégias de enfrentamento ao HIV incluem a chamada prevenção combinada, que reúne diferentes métodos biomédicos, comportamentais e estruturais para reduzir o risco de infecção.
Entre essas estratégias estão o uso de preservativos, a testagem regular, o tratamento antirretroviral para pessoas vivendo com HIV/aids e o acesso a profilaxias que ajudam a evitar a infecção pelo vírus.
A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é indicada para pessoas que não têm HIV, mas que podem estar expostas ao vírus. O método consiste no uso de medicamentos antirretrovirais antes da exposição e pode reduzir significativamente o risco de infecção quando utilizado corretamente.
Já a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é uma medida de emergência indicada após uma possível exposição ao HIV, como em casos de relação sexual desprotegida ou violência sexual. O tratamento deve ser iniciado em até **72 horas após a exposição** e é realizado por um período de **28 dias**.
Tanto a PrEP quanto a PEP estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), como parte das políticas públicas de enfrentamento ao HIV desenvolvidas pelo Ministério da Saúde.
Desigualdades de gênero impactam o acesso à prevenção
Apesar dos avanços nas políticas de saúde pública, mulheres ainda enfrentam, no Brasil e no mundo, desafios importantes no acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento do HIV.
Fatores como desigualdade de gênero, machismo, violência, responsabilidades familiares e domésticas e o estigma associado ao HIV podem dificultar o acesso à informação e aos serviços de saúde.
Em muitos contextos, normas sociais e culturais também limitam a autonomia das mulheres na negociação do uso de preservativos ou na busca por cuidados relacionados à saúde sexual e reprodutiva.
Essas barreiras podem impactar diretamente o diagnóstico precoce e o acesso às estratégias de prevenção.
Mulheres trans enfrentam vulnerabilidade ampliada
Entre mulheres trans, os desafios podem ser ainda maiores.
Além do estigma relacionado ao HIV, muitas enfrentam discriminação nos serviços de saúde, exclusão social e maior exposição à violência. Essas barreiras estruturais podem dificultar o acesso à testagem, à prevenção e ao tratamento.
Por isso, especialistas e políticas públicas de saúde apontam a necessidade de ampliar estratégias de prevenção que considerem as especificidades e vulnerabilidades de diferentes grupos de mulheres.
Informação, autocuidado e saúde mental
O acesso à informação é considerado um dos principais instrumentos de prevenção.
Conhecer as formas de transmissão do HIV, saber onde realizar testes e entender os métodos disponíveis — como preservativos, PrEP e PEP — contribui para fortalecer o autocuidado e a autonomia sobre a saúde sexual.
O enfrentamento do HIV entre mulheres precisa considerar uma abordagem mais ampla de saúde, que inclua saúde mental, acesso a serviços acolhedores e o enfrentamento da violência de gênero.
Prevenção como direito
O Brasil é reconhecido internacionalmente por oferecer tratamento gratuito para pessoas vivendo com HIV e por ampliar o acesso às estratégias de prevenção por meio do Sistema Único de Saúde.
No entanto, ampliar o acesso à informação e aos serviços de saúde ainda é um desafio fundamental para reduzir novas infecções.
No Dia Internacional da Mulher, a discussão sobre prevenção ao HIV reforça que garantir às mulheres acesso a métodos de prevenção, serviços de saúde e informação de qualidade é também uma forma de fortalecer direitos, autonomia e equidade.
Redação da Agência de Notícias da Aids




