Fora das quatro linhas, Inglaterra se aproxima de eliminar a transmissão do HIV, enquanto o México busca ampliar o diagnóstico e reduzir desigualdades no acesso à prevenção.
Na noite deste domingo (5), logo após a partida da Seleção Brasileira, México e Inglaterra entram em campo pelas oitavas de final da Copa do Mundo. A bola rola às 21h (horário de Brasília), em um confronto que coloca frente a frente duas equipes com trajetórias distintas dentro e fora do futebol.
Enquanto os ingleses avançam rumo à meta de eliminar a transmissão do HIV como problema de saúde pública, os mexicanos seguem enfrentando o desafio de ampliar o acesso ao diagnóstico e à prevenção.
Inglaterra aposta em inovação para alcançar o fim da transmissão do HIV
Campeã mundial em 1966, a Inglaterra ainda busca repetir o feito histórico dentro das quatro linhas. Na saúde pública, porém, o país já acumula conquistas expressivas no enfrentamento ao HIV.
O balanço mais recente da estratégia nacional britânica mostra que 95% das pessoas vivendo com HIV já sabem do diagnóstico. Entre elas, 95% recebem tratamento antirretroviral e 98% atingiram carga viral indetectável, condição que impede a transmissão sexual do vírus. Os indicadores colocam a Inglaterra entre os países que atingiram as metas estabelecidas pelo Unaids.
A resposta à epidemia passou por uma transformação profunda desde o início da década de 1980, quando os primeiros casos foram identificados no país em meio ao desconhecimento e ao forte estigma. Desde 2010, os novos diagnósticos foram reduzidos em cerca de 50%, enquanto as mortes relacionadas à aids caíram quase 60%.
O próximo objetivo é ainda mais ambicioso: reduzir em 80% as novas infecções e os óbitos associados ao HIV até o final desta década.
Para alcançar essa meta, o governo britânico anunciou um investimento adicional de 170 milhões de libras, destinado à ampliação da testagem em serviços de urgência, expansão da oferta da profilaxia pré-exposição (PrEP), fortalecimento das campanhas de prevenção, combate ao estigma e estratégias para reintegrar ao cuidado pessoas que interromperam o tratamento.
Apesar dos avanços, persistem desigualdades importantes. O relatório aponta aumento de 15% nos novos diagnósticos entre homens gays e bissexuais negros, enquanto a incidência segue em queda entre homens gays e bissexuais brancos. Também há diferenças marcantes no acesso à PrEP, especialmente entre mulheres negras e homens heterossexuais negros, além de um número significativo de diagnósticos ainda realizados tardiamente.
Especialistas destacam que o principal desafio inglês deixou de ser a disponibilidade de medicamentos e passou a ser garantir que prevenção, diagnóstico e tratamento alcancem de forma equitativa as populações mais vulneráveis.
México amplia prevenção, mas ainda enfrenta barreiras no diagnóstico
Pela terceira vez sede de uma Copa do Mundo, o México também ocupa posição de destaque quando o assunto é HIV na América Latina. O país reúne mais de 400 mil pessoas vivendo com o vírus, uma das maiores populações da região.
Mesmo com os avanços obtidos nas últimas décadas, estimativas do Unaids indicam que aproximadamente 20% das pessoas vivendo com HIV ainda desconhecem sua condição. Somente em 2024 foram registrados cerca de 22 mil novos diagnósticos.
A epidemia permanece concentrada principalmente em populações-chave. Homens que fazem sexo com homens responderam por aproximadamente 78% das novas infecções notificadas no último ano. Os homens representam cerca de 85% dos diagnósticos realizados, enquanto mais de 92% das transmissões ocorrem por via sexual.
Os primeiros registros de aids no México ocorreram em 1983. Vinte anos depois, o país consolidou o acesso universal ao tratamento antirretroviral, fortalecendo a resposta nacional à epidemia. Atualmente, também disponibiliza a PrEP para pessoas com maior vulnerabilidade à infecção, utilizando medicamentos como Truvada e Descovy.
Embora a estrutura de prevenção e tratamento tenha evoluído, persistem desafios relacionados às desigualdades sociais, ao acesso desigual aos serviços de saúde e ao estigma, fatores que dificultam o controle da epidemia.
Para especialistas, ampliar a testagem, expandir a oferta da PrEP e fortalecer campanhas direcionadas às populações mais vulneráveis continuam sendo medidas fundamentais para reduzir novas infecções e aproximar o país das metas globais de enfrentamento ao HIV.
Dentro de campo, México e Inglaterra disputarão uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo. Fora dele, cada país segue uma partida diferente: de um lado, a Inglaterra busca consolidar uma das respostas mais bem-sucedidas do mundo ao HIV; do outro, o México trabalha para ampliar o acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce, reduzindo as desigualdades que ainda sustentam a epidemia.
Redação da Agência de Notícias da Aids




