Preto Positivo: Nova temporada do podcast traz histórias de pessoas vivendo com HIV do Norte e Nordeste do Brasil

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O Preto Positivo, primeiro podcast brasileiro totalmente dedicado ao universo do HIV/aids e com um recorte de raça, está de volta com novidades. Após uma temporada bem-sucedida, que já ultrapassa a marca de 70 mil ouvintes, o projeto retorna neste ano para a sua segunda temporada com novas vozes de pessoas negras e não negras que vivem com HIV, do norte ao sul do país.

O projeto idealizado pelos artistas e ativistas Emer Conatus e Raul Nunnes, em sua primeira temporada, contou com diferentes convidados, entre eles, entrevistados que trouxeram histórias pessoais e conversas com especialistas em HIV. O cantor Rico Dalasam, o empreendedor Flip Couto, a artista Micaela Cyrino, o médico infectologista Dyemison Pinheiro, a ativista Priscila Obaci e as mães dos criadores, Esmeralda e Carmem, respectivamente, são exemplos de pessoas que já passaram pelo programa.

Com a mais nova temporada, o Preto Positivo estará disponível em todas as plataformas de streaming, trazendo temas relacionados à saúde, relacionamentos, afeto, amizades e família, sempre com enfoque em discussões de classe, negritude, gênero, sexualidade e soropositividade.

Diversidade de vozes

Emer e Raul se dedicam a contar histórias de quem vive com HIV/aids em um Brasil diverso, após terem realizado o que eles chamam de ‘mochilão online’ com 10 entrevistados.

Os episódios da nova temporada devem estar disponíveis para audição ainda no primeiro trimestre de 2024, entre o final de março e o início de abril, com lançamento todas as quintas-feiras.

À Agência Aids, os apresentadores do Preto Positivo, Raul Nunnes e Emer Conatus, falaram um pouco mais sobre as novidades e expectativas da dupla para a nova fase. “Essa segunda temporada ela já vem sendo pensada, desenhada e muito desejada desde o nosso último dia de gravação da primeira. Eu e o Emer já sabíamos o que queríamos fazer, que era, de fato, entrevistar e contar novas narrativas, com histórias de pessoas de outros lugares do país, e em específico norte-nordeste. A gente queria sair desse eixo sudestino – Rio, Belo Horizonte e São Paulo -, que já é sempre muito falado, sempre muito discutido, e então abrir espaço para novas discussões ao redor do Brasil com essas outras histórias”, disse Raul.

“E para isso, foram dois anos [de produção] também, como na primeira. Desde meados de junho/julho de 2022, nós viemos pensando, desenhando, conhecendo pessoas que pudessem trazer essas histórias.”

Ele continuou: “Na primeira temporada, contamos com financiamento do Spotify para poder realizar o material. Dessa vez, tudo é de forma independente. Nesses dois anos, também de pesquisa, de desenvolvimento, a gente tentou edital, tentamos alguma empresa para poder financiar e estar ali junto com a gente, mas isso não foi possível. Então no final do ano passado, nós dois entramos em um acordo que iríamos fazer isso acontecer de alguma forma e que seria de forma independente. Sentamos e entrevistamos diversas pessoas; gente de Salvador, gente de Natal, Manaus, Belém do Pará, etc, e fechamos em dez convidados. Alguns destes dez convidados são amigos, outros se tornaram amigos. E foi uma troca muito genuína, foi muito mágico gravar.”

Emer complementou: Raul e eu adoramos viajar juntos! Nosso sonho, desde a primeira temporada, é viajar o país inteiro atrás dessas histórias, o que ainda não foi possível. Então decidimos literalmente viajar na internet. A viagem é fictícia, mas as histórias não!”.

Nesse contexto, aproveitou para destacar que a experiência da primeira temporada do podcast foi muito enriquecedora, especialmente com a parceria com o Spotify. No entanto, Emer ressaltou que, apesar do sucesso e do impacto positivo do trabalho, eles ainda enfrentam desafios comuns a pessoas negras na produção de conteúdo, na busca por reconhecimento e patrocínio.

A parceria com o Spotify na primeira temporada foi incrível. Mas ainda somos pessoas negras produzindo conteúdo e enfrentando os mesmos problemas que todas as pessoas negras todos os dias. Temos outros empregos e nos desdobramos para entregar esse material porque acreditamos que é necessário. Recebemos relatos de pessoas de diferentes públicos dizendo coisas como: ‘Eu estava pensando em me matar até ouvir o podcast de vocês’, então sabemos da importância dele. Mesmo assim, ainda não conseguimos patrocínio para a segunda temporada. Já parou pra pensar que pessoas teriam tentado tirar suas próprias vidas se não tivessem nos ouvido? Nosso trabalho é importante. O problema é que as marcas não estão nos ouvindo! Mas vamos continuar falando. Anos atrás éramos uma dúzia de vozes falando sobre HIV e aids, agora somos muitas, mas isso não quer dizer que a questão esteja resolvida. Ainda tem gente no Brasil morrendo por falta de informação!”.

De acordo com Raul, esta temporada será diferente da primeira, com episódios mais curtos, porém cheios de informação, vivência, de troca e de afeto. “Temos pessoas que até então não conhecíamos, temos um corpo trans também, que foi algo que sentimos muita falta na primeira temporada. Desejávamos ter uma pessoa trans com essa vivência, mas a gente não conseguiu trazer, então nesta fizemos questão de fazer acontecer e vai ser logo no primeiro episódio.”

O podcaster também destacou com entusiasmo que, no novo formato, o podcast expandirá sua divulgação para além do Spotify, alcançando outras plataformas, como o Youtube.

Expectativas

Raul Nunnes dividiu ainda seu olhar sobre o impacto da primeira temporada do Preto Positivo e explicou a razão pela qual o projeto leva tempo para lançar novas temporadas. Ele disse: “A primeira temporada foi muito bem sucedida. A gente alcançou lugares e outros espaços que a gente nem imaginava na nossa vida. Desde ver as nossas carinhas ali na Avenida Paulista, dentro das estações de metrôs em São Paulo, na Parada LGBT+, até parar na UNESP, no final do ano passado, em Assis, porque o nosso podcast foi material de estudo por uma das turmas de psicologia. Foram muitas trocas ao longo desses dois anos!”.

“Um dos valores do projeto Preto Positivo é a responsabilidade social, por isso que a gente sempre demora a criar uma temporada nova. Na primeira foram dois anos, na segunda mais dois anos, pois envolve muito estudo, envolve pesquisa…”.

Segundo o comunicador, na primeira temporada, a abordagem teve um foco foi mais informativo, com diálogos que incluíram médicos, advogados, psicólogos, entre outros profissionais. Para a segunda temporada, a ênfase mudou para histórias pessoais, experiências de vida e vivências individuais.

Comunicação humanizada

“Mesmo assim, é uma temporada que ela precisou ser muito bem pensada, muito bem desenhada para acontecer, até porquê porque estamos falando de vidas. Além de um novo formato, de estar oferecendo um novo formato, contar essas vivências vai ser de uma forma mais leve, mais humana ainda, pois esse é um dos propósitos tanto meu, quanto do Emer: humanizar a discussão. Estamos muito felizes e animados, a gente quer alcançar mais lugares, então é por isso que essa temporada passa por quase todos os estados brasileiros. […] Estamos muito felizes com essa possibilidade de tornar isso possível mesmo sem apoio financeiro. Queremos muito que alguma empresa note a gente, que alguma empresa potencialize esse material que a gente vem construindo, porque ele é um material que acaba sendo atemporal. Ela é informativa, educativa, é sobrevivente, então é bom ter o apoio de uma empresa que pode ajudar a impulsionar esse conhecimento, essas informações. A gente está em busca disso ainda, mas já está fazendo isso por conta própria, já é muito importante a gente estar nesse processo”, destacou e finalizou: “O que esperamos é alcançar outras pessoas!”.

Acompanhe o Preto Positivo nas plataformas de streaming, no Instagram @pretopositivo e no canal do Youtube, Preto Positivo.

Kéren Morais (keren@agenciaaids.com.br)

Dica de entrevista

E-mail: pretopositivo@gmail.com

Instagram: @pretopositivo

Raul Nunnes

@raulnunnes

Emer Conatus

@emerconatus

 

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