Presidente Lula recebe carta do G20 Social e promete levar demandas da sociedade civil à Cúpula de Líderes

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Movimentos sociais da saúde estiveram reunidos durante a programação do G20

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A primeira edição do G20 Social, encerrada no sábado (16), marcou a inclusão inédita de grupos da sociedade civil no principal fórum de cooperação econômica internacional. No evento, realizado no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu um documento consolidando as demandas desses grupos para serem apresentadas na Cúpula de Líderes do G20, que ocorre nos dias 18 e 19 de novembro.

Em seu discurso, Lula destacou o caráter histórico da iniciativa. “O grupo ganhou um terceiro pilar: o social. Aqui, tomam forma a expressão e a vontade coletiva por um mundo mais democrático, justo e diverso”, afirmou o presidente.

A Declaração do G20 Social, construída com a participação de mais de 50 mil pessoas ao longo de três dias, apresenta prioridades globais em três pilares centrais:

– Combate à fome, pobreza e desigualdade.
– Enfrentamento das mudanças climáticas e transição justa.
– Reforma da governança global.

O texto enfatiza a necessidade de maior representatividade de grupos historicamente marginalizados, como mulheres, negros, indígenas e pessoas em situação de rua, nos processos de decisão global. Além disso, propõe a reforma de instituições como a ONU, especialmente do Conselho de Segurança, para refletir melhor as realidades contemporâneas e promover soluções mais justas.

Outro destaque do documento foi a demanda por ações concretas para combater as mudanças climáticas, incluindo a criação de um fundo internacional para conservação ambiental e o incentivo a práticas sustentáveis com a participação de populações locais.

“A mobilização permanente de vocês será fundamental para impulsionar os trabalhos da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e avançar a tributação dos super-ricos. Para garantir as metas de triplicar o uso de energias renováveis e antecipar a neutralidade de emissões. Para levar adiante o nosso chamado para a ação pela reforma da governança global assegurando instituições globais mais representativas”, disse o presidente.

Lula ainda garantiu que levará as demandas entregues a ele para serem discutidas junto aos líderes das 19 maiores economias globais, União Europeia e União Africana, durante a Cúpula do G20.

“Vou levar as recomendações contidas na declaração final que vocês me entregaram aos demais líderes do G20 e trabalhar com a África do Sul para que elas sejam consideradas nas discussões do grupo. Espero que esse pilar social do G20 continue nos próximos anos abrindo cada vez mais nossas discussões para o engajamento da cidadania. Essa cerimônia de encerramento marca o começo de uma nova etapa, que exigirá um trabalho contínuo durante os 360 dias do ano, não só às vésperas da reunião de líderes”, declarou o presidente.

Reconhecimento Internacional

O ministro das Relações Internacionais da África do Sul, Ronald Lamola, destacou a iniciativa como exemplo para o próximo ano, quando seu país assume a presidência do G20. “A sociedade civil é um motor vital que conecta os países do G20 diariamente. Aplaudimos o Brasil por essa iniciativa corajosa,” afirmou Lamola.

Movimentos sociais e saúde no G20

Como parte da programação do G20 Social, uma roda de conversa reuniu movimentos sociais da saúde para discutir o Mapa Colaborativo dos Movimentos Sociais em Saúde. Lançada em setembro, a ferramenta digital visa conectar e dar visibilidade às lutas por saúde no Brasil. Com cerca de 500 movimentos já cadastrados, o MapaMovSaúde utiliza georreferenciamento para destacar histórias, memórias e demandas de saúde de comunidades em todo o país.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, reforçou a importância de iniciativas como essa. “Estamos reconstruindo o SUS, promovendo espaços democráticos e reduzindo desigualdades com práticas e conhecimentos coletivos,” declarou.

O presidente Lula encerrou o evento destacando a relevância do engajamento da sociedade civil para os próximos grandes eventos internacionais, como a Cúpula do BRICS e a COP 30, que ocorrerão no Brasil em 2025. “Conto com a força e o dinamismo da sociedade civil para fazermos destes encontros um marco na construção de um mundo mais justo e sustentável,” concluiu.

Com o encerramento do G20 Social, o Brasil dá um passo inédito ao integrar as vozes da sociedade civil no planejamento de políticas globais, reafirmando seu compromisso com democracia, equidade e justiça social.

Redação da Agência Aids com informações

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