PrEP amplia autonomia na prevenção ao HIV e ganha as ruas de São Paulo no Carnaval

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Reportagem dá sequência à série especial sobre a mandala da prevenção combinada e detalha ações extramuros, máquinas de PrEP e PEP e estratégias da Prefeitura para o período carnavalesco.

Com o Carnaval se aproximando e a cidade de São Paulo se preparando para receber milhões de pessoas nas ruas, a profilaxia pré-exposição ao HIV, a PrEP, ganha protagonismo como uma das principais ferramentas da mandala da prevenção combinada. Mais do que um comprimido diário, a estratégia envolve acesso facilitado, cuidado contínuo e políticas públicas que levam a prevenção até onde as pessoas estão.

 

O que é a PrEP e como ela funciona

A profilaxia pré-exposição ao HIV é uma estratégia de prevenção que consiste no uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não vivem com HIV, mas que estão em maior situação de vulnerabilidade ao vírus. Quando utilizada corretamente, a PrEP reduz de forma significativa o risco de infecção pelo HIV.

No Brasil, a PrEP é ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e faz parte da mandala da prevenção combinada. Seu uso está associado à testagem regular para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, acompanhamento clínico e acesso a outras estratégias de cuidado em saúde sexual.

PrEP diária e PrEP sob demanda: quais são as diferenças

Além do uso diário, a PrEP também pode ser utilizada na modalidade conhecida como PrEP sob demanda. Nesse formato, o medicamento é tomado de forma programada em torno da relação sexual, seguindo um esquema definido pelo protocolo do Ministério da Saúde.

Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) sob demanda - Secretaria Municipal da Saúde - Prefeitura

Imagem: Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo

A escolha entre PrEP diária ou sob demanda deve ser feita junto à equipe de saúde, considerando a rotina, a frequência de exposições e o contexto de vida de cada pessoa. Ambas as estratégias são reconhecidas como eficazes quando utilizadas corretamente e reforçam o princípio da prevenção combinada: adaptar o cuidado à realidade de quem usa.

Segundo Adriano Queiroz, coordenador do setor de Prevenção da Coordenadoria de IST/Aids da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, a PrEP atua de forma complementar a outras estratégias, como o tratamento das pessoas que vivem com HIV.

“Ao mesmo tempo em que o tratamento melhora a saúde individual, ele reduz a carga viral circulante. Já a PrEP protege pessoas em maior situação de vulnerabilidade contra uma nova infecção. Essas duas frentes juntas ajudam a reduzir a circulação do vírus na cidade”, explica.

Foto: Youtube / Viração Educomunicação

PrEP em São Paulo: ampliar acesso para reduzir desigualdades

Desde 2018, São Paulo vem expandindo o acesso à PrEP de forma contínua. O número de serviços aumentou, mas, segundo o coordenador, o principal avanço foi diversificar as formas de acesso.

“No início, a PrEP chegava mais a uma população branca, com maior escolaridade e mais acesso à informação. Para alcançar pessoas mais vulnerabilizadas, foi preciso criar outras estratégias”, afirma.

Entre essas iniciativas estão a PrEP na Rua, com ações comunitárias em todas as regiões da cidade, a Estação Prevenção, localizada na região da República e com funcionamento noturno e aos sábados, o S-PREP, que permite acesso à PrEP por teleconsulta, e as máquinas automáticas de retirada de PrEP e PEP, que ampliam a autonomia das pessoas.

PrEP na Rua.

Máquinas de PrEP: prevenção mais acessível e autônoma

As máquinas automáticas, implementadas em 2024, permitem a retirada de PrEP de forma mais prática, sem depender exclusivamente do horário tradicional dos serviços de saúde.

“Essas estratégias ajudam a reduzir barreiras como estigma, falta de tempo e dificuldade de deslocamento. A ideia é colocar a prevenção no caminho das pessoas”, resume Adriano.

O ármario do autotestes!

PrEP não é só comprimido: é cuidado contínuo

Para o coordenador, falar de PrEP é falar de um conjunto de cuidados.

“Quando a pessoa inicia a PrEP, ela faz testagem regular, tem acesso à vacinação para hepatites e HPV, faz rastreamento para outras ISTs e cria um vínculo com o serviço de saúde”, explica.

Esse acompanhamento contínuo amplia a autonomia e permite respostas mais rápidas a eventuais infecções.

“É um combo de serviços que melhora a relação da pessoa com sua saúde sexual.”

Testagem para HIV na cidade de São Paulo.

Onde encontrar PrEP em São Paulo

Atualmente, a PrEP está disponível na rede municipal especializada, incluindo os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), os Serviços de Atenção Especializada (SAE), a Estação Prevenção, o CTA da Cidade (ônibus itinerante), o canal SPrEP — serviço online de PrEP e PEP da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, acessível pelo aplicativo e-saúdeSP —, além de máquinas automáticas e de alguns serviços com funcionamento 24 horas. A estratégia também está presente em serviços voltados à população trans e não binária, por meio da rede Sampa Trans.

Pessoas a partir de 15 anos, com peso mínimo de 35 quilos e teste negativo para HIV, podem procurar diretamente os serviços.

Máquina de PrEP nos metrôs da capital paulista.

Carnaval: prevenção intensificada onde as pessoas estão

Durante o Carnaval, a Prefeitura de São Paulo intensifica as ações já existentes.

“O que fazemos é ampliar a circulação de informação e reforçar as estratégias, porque há uma grande concentração de pessoas na cidade”, explica o coordenador.

Ações de PrEP na Rua serão intensificadas no pré-Carnaval, durante e após a festa, com atividades na Praça da República e em Santa Cecília, além da ampliação da divulgação e da distribuição de insumos como preservativos internos e externos, gel lubrificante e autotestes de HIV.

Além das ações presenciais, a cidade contará com materiais informativos espalhados por terminais de ônibus, estações de metrô e outros pontos estratégicos.

“Teremos cartazes com QR Codes que direcionam para informações sobre onde encontrar preservativos, testagem, PrEP, PEP e outros serviços”, explica Adriano.

O Carnaval de São Paulo!

Escolher a melhor estratégia para cada momento

A mensagem final reforça um dos princípios centrais da prevenção combinada: não existe uma única estratégia válida para todas as pessoas.

“O melhor método de prevenção é aquele que a pessoa consegue usar. Às vezes a PrEP não faz sentido naquele momento, mas ao procurar um serviço de saúde, a pessoa encontra outras formas de se cuidar”, afirma o coordenador.

Segundo ele, a prevenção deve acompanhar os diferentes momentos da vida.

“A PrEP pode ser uma estratégia em um período e não em outro. O importante é conhecer as opções e ter acesso a elas.”

Vacinação também faz parte da PrEP

Um ponto importante, e muitas vezes pouco conhecido, é que o acompanhamento da PrEP inclui direito à vacinação. Todas as pessoas em uso de PrEP têm acesso à vacinação contra hepatite A, hepatite B e HPV, conforme avaliação da situação vacinal durante o acompanhamento no serviço de saúde.

Esse cuidado reforça que a PrEP não se resume ao comprimido, mas integra um conjunto de ações voltadas à proteção da saúde sexual de forma ampla, contínua e preventiva.

Vinícius Monteiro (vinicius@agenciaaids.com.br)

Estagiário em Jornalismo na Agência Aids

Edição: Talita Martins

Dica de entrevista:

Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo

Telefone: (11) 5461-5600

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