Primeira edição reuniu 131 trabalhos e reconheceu profissionais em quatro categorias. Fundadora da Agência de Notícias da Aids foi homenageada por sua trajetória na defesa da informação, da prevenção e dos direitos humanos.
Uma noite dedicada ao jornalismo, às transformações do mundo do trabalho e ao reconhecimento de histórias que fazem a diferença na sociedade. A primeira edição do Prêmio CIEE de Jornalismo, realizada na terça-feira (27), em São Paulo, reuniu profissionais da imprensa para celebrar reportagens sobre tecnologia, educação e inclusão. Entre os momentos mais marcantes da cerimônia esteve a homenagem à jornalista Roseli Tardelli, fundadora e diretora da Agência de Notícias da Aids, por sua trajetória de compromisso com a prevenção do HIV, o enfrentamento do preconceito e a defesa dos direitos humanos.
Promovida pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), a premiação recebeu 131 reportagens, selecionou 20 finalistas e reconheceu quatro trabalhos vencedores nas categorias Webjornalismo, Rádio/Podcast, Mídia Impressa e Telejornalismo, além de três menções honrosas. Cada categoria distribuiu R$ 10 mil ao vencedor. O Grande Prêmio da noite ficou com Jayanne Rodrigues, do *Estadão*, por uma série sobre os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho.
Informação, inclusão e compromisso com a vida
Ao anunciar a homenagem, o CEO do CIEE, Humberto Casagrande, destacou o trabalho de Roseli na promoção da cidadania e na conscientização sobre HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, especialmente entre jovens aprendizes. O reconhecimento também valorizou as iniciativas educativas realizadas pela Agência de Notícias da Aids em parceria com o CIEE e o Senac São Paulo, aproximando estudantes de informações sobre saúde, sexualidade e prevenção.
Em um discurso marcado pela emoção, Roseli agradeceu a homenagem e aproveitou a oportunidade para refletir sobre a responsabilidade da imprensa na construção e na desconstrução de preconceitos. Ao recordar os primeiros anos da epidemia de aids, lembrou que expressões como “câncer gay”, “peste gay” e “grupo de risco” foram reproduzidas pelo jornalismo, contribuindo para a estigmatização das pessoas atingidas pelo HIV.
“E a gente deveria ter feito mais perguntas lá atrás”, afirmou. “Faltou pergunta, mas também a ciência não tinha resposta.”
Para a jornalista, reconhecer os erros do passado é fundamental para construir uma comunicação comprometida com o respeito e a dignidade humana. “Fico muito contente de contar com a parceria de todos os meus amigos jornalistas que perceberam que nós nos equivocamos, mas que nós temos tempo, sim, de incluir, de respeitar, de fazer reportagens mais interessantes”, declarou.
Roseli também agradeceu à família, aos amigos e aos parceiros do Sesc e do Senac, reafirmando o compromisso de continuar trabalhando pelas populações historicamente excluídas. “O mais importante de tudo é que a nossa missão de apoiar os que foram excluídos na Terra vai seguir. E viva a democracia brasileira”, concluiu.
Um jornalismo que olha para as pessoas
A importância de humanizar a cobertura jornalística também atravessou a palestra da jornalista e escritora Neivia Justa, convidada especial da cerimônia. Ao abordar inteligência artificial, empregabilidade e diversidade, ela questionou quem terá acesso às oportunidades criadas pelas transformações tecnológicas.
“Que futuro do trabalho estamos construindo e para quem?”, provocou.
Neivia destacou que a discussão sobre novas profissões não pode ignorar desigualdades que afetam mulheres, pessoas negras, pessoas com deficiência e jovens de baixa renda. Para ela, o jornalismo tem a responsabilidade de investigar não apenas os avanços tecnológicos, mas seus impactos sobre a vida das pessoas.
“Por trás de cada indicador existe uma pessoa. Por trás de cada vaga existe uma história, uma família. Por trás de cada profissão existe uma vida”, afirmou.
Conheça os vencedores da primeira edição
A categoria Webjornalismo premiou Jayanne Rodrigues, do Estadão, pela reportagem “O trabalho na era da IA: como a inteligência artificial ameaça postos de trabalho no Brasil”. O trabalho investiga as mudanças provocadas pela inteligência artificial nas profissões e nas relações de trabalho. Ao receber o reconhecimento, a jornalista destacou a importância de abordar o tema sem alarmismo e agradeceu às fontes e à equipe envolvida na produção.
Em Rádio/Podcast, o vencedor foi Breno Zonta, da Agência Radioweb, com a série “Tempo de Tela”, que investiga os impactos do uso de dispositivos digitais na vida de crianças e adolescentes. O jornalista defendeu a importância de aprofundar histórias que ajudem a compreender as transformações vividas pelas novas gerações. A categoria também concedeu menção honrosa a Michelle de Bastos Trombelli, da BandNews FM, pelo especial “Como a IA impacta o seu trabalho”.
A vencedora em Mídia Impressa foi Gabriela Teixeira, da revista Você RH, com a reportagem “Conheça os job hoppers”, sobre profissionais que trocam frequentemente de emprego em busca de crescimento na carreira. Emocionada, Gabriela ressaltou os desafios e a instabilidade que podem acompanhar essa escolha. O jornalista Tiago Cordeiro, da Veja Negócios, recebeu menção honrosa pela reportagem “Apagão de jovens: os fatores que dificultam a atração de jovens para vagas de entrada no mercado de trabalho”.
Já em Telejornalismo, a vencedora foi a equipe da TV Diário, de Mogi das Cruzes, com a série “Caminhos da Inclusão: PCDs e o mercado de trabalho no Alto Tietê”. Produzida por Robson Moreira, Patrícia Leal, Sara Brasileira, Luciano Moraes, João Micheletti, Moisés Papa, Erasmo Marques, Ricardo Ribeiro e José Antônio de Assis, a reportagem aborda os obstáculos enfrentados pelas pessoas com deficiência na busca por oportunidades profissionais. A categoria concedeu menção honrosa ao trabalho “Para além do estigma: pesquisa mostra o que o jovem deseja no mercado de trabalho”, exibido no SP2, da TV Globo.
Grande Prêmio e novidades para 2027
O encerramento reservou mais uma conquista para Jayanne Rodrigues, que voltou ao palco para receber o Grande Prêmio CIEE de Jornalismo 2026. Surpresa com o segundo reconhecimento, a jornalista reforçou a necessidade de uma cobertura responsável sobre inteligência artificial. “A gente precisa falar sobre isso de uma forma contextualizada, ética e séria”, afirmou.
Antes do fim da cerimônia, Humberto Casagrande anunciou a realização da segunda edição do prêmio, em 2027, com aumento de 50% nos valores destinados aos vencedores de cada categoria, que passarão de R$ 10 mil para R$ 15 mil.
Conduzida pelo jornalista Pedro Campos, do Grupo Bandeirantes, a premiação contou com um júri formado por Antônio Machado de Barros, Alexandra Itacarambi e Moisés Rabinovitch.
Entre homenagens, reportagens premiadas e reflexões sobre o futuro, a primeira edição do Prêmio CIEE deixou uma mensagem que dialoga diretamente com a trajetória de Roseli Tardelli: o jornalismo não se limita a contar histórias. Também tem a responsabilidade de questionar, enfrentar preconceitos e ampliar o acesso à informação capaz de transformar vidas.
Redação da Agência de Notícias da Aids
Galeria de Fotos:

Dando boas-vindas aos convidados, o CEO do CIEE agradeceu a presença da platéia e ressaltou a importância da iniciativa

O CEO do CIEE, Humberto Casagrande, anfitrião do evento e o Gerente do SescTV e Sesc Digital Fernando Tuaseck

A jornalista Talita Martins, Alice e Carolina Martins prestigiando a premiação

Vamos conhecer os premiados da noite

A jornalista Neiva Justus falou sobre o futuro da inserção no mercado de trabalho

A. arquuiteta Nadia Guariete e a advogada Tânia Ferreira trouxeram seu carinho e alegria

Wellington Gama, representando o Senac de São Paulo e o CEO Humberto Casagrande

Recebendo o diploma do CEO Casagrande

Os parceiros Sesc e Senac de São Paulo representados por Fernando e Wellington

O jornalista Adhemar Altieri idealizador da premiação com Moisés Rabinovichi

Com as primas a engenheira Silvia Rinaldi e a advogada Tania Ferreira que trouxeram sua boa energia

A dra. Jackie e sua mãe Sandra Altieri, a jornalista Sandra de Angelis, o administrador Marcelo de Jesus, a assistente Rosana Marcelino, Adhemar, Carol, Alice, Nádia, SIlvia, Tania e Alice: todo mundo junto e misturado no registro da premiação!



