A premiação reunirá 20 finalistas e anunciará vencedores nesta terça-feira (27), em São Paulo. Em sua primeira edição, o Prêmio CIEE de Jornalismo busca reconhecer reportagens que abordam os desafios da educação, da empregabilidade, da diversidade e da inclusão, especialmente aqueles relacionados à inserção dos jovens no mercado de trabalho. Foram inscritas 131 matérias publicadas entre 1º de janeiro de 2025 e 10 de setembro de 2026. Desse total, 20 chegaram à etapa final, com cinco concorrentes em cada categoria. Os vencedores receberão R$ 10 mil por reportagem, e uma das quatro produções premiadas será escolhida para o Grande Prêmio CIEE de Jornalismo.
A jornalista Roseli Tardelli, fundadora e diretora da Agência de Notícias da Aids, será homenageada nesta terça-feira (27), durante a primeira edição do Prêmio CIEE de Jornalismo, em São Paulo. O reconhecimento destaca o trabalho de educação, prevenção do HIV e enfrentamento do preconceito desenvolvido com jovens aprendizes e estudantes do ensino médio, por meio de iniciativas realizadas em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e o Senac São Paulo.
A homenagem será um dos momentos especiais da cerimônia que reunirá profissionais da imprensa para anunciar os vencedores de uma premiação dedicada às transformações do mundo do trabalho. Criado pelo CIEE, o prêmio recebeu 131 reportagens produzidas por veículos de comunicação do estado de São Paulo e selecionou 20 finalistas, distribuídos em quatro categorias: Mídia Impressa, Telejornalismo, Webjornalismo e Rádio/Podcast.
A escolha de Roseli reconhece uma trajetória que ultrapassa as redações e encontra na educação uma importante ferramenta de transformação social. Há mais de duas décadas, a jornalista trabalha para ampliar o acesso à informação sobre HIV, combater a discriminação e aproximar o conhecimento científico das pessoas, especialmente das novas gerações.
A informação que chega antes do HIV
O trabalho que motivou a homenagem tem como princípio uma ideia defendida por Roseli: a informação precisa chegar aos jovens antes do HIV. Essa proposta orienta as atividades educativas da Agência de Notícias da Aids, que levam para espaços de formação profissional conversas sobre sexualidade, prevenção combinada, direitos humanos, autocuidado e respeito às diferenças.
As ações são desenvolvidas por meio de palestras e rodas de conversa, com participação de profissionais de saúde, ativistas e pessoas que vivem com HIV. Os encontros valorizam a escuta e o diálogo, permitindo que estudantes esclareçam dúvidas, conheçam estratégias de prevenção e compreendam os impactos do preconceito na vida de quem convive com o vírus. A dinâmica dos encontros acontece sempre com uma pessoa vivendo, uma psicóloga ou especialista em área de saúde com a mediação e provocações de Roseli.

(Na foto ação no Senac Nações Unidas, com jovens do ensino médio : o ativista Diego Krause e a psicóloga Regiane Garcia)
Em agosto deste ano, durante a retomada de um ciclo de encontros com o Senac São Paulo, Roseli resumiu o propósito da iniciativa: “A informação chegar antes que o HIV encontre esses jovens é fundamental: a promoção da saúde e a conexão de informação com prevenção ”.
As atividades também apresentam recursos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), como testagem, preservativos, profilaxia pré-exposição (PrEP) e profilaxia pós-exposição (PEP), além dos avanços no tratamento e do conceito Indetectável=Intransmissível (I=I).
A parceria com o Senac São Paulo já levou essas discussões a diferentes unidades da capital, do litoral, da região metropolitana e do interior paulista. Em novembro de 2025, por exemplo, uma atividade no Senac Vila Prudente reuniu quase 200 estudantes, incluindo jovens aprendizes e alunos de cursos técnicos. Em agosto de 2026, outro encontro, realizado no Senac São Bernardo do Campo, aproximou o tema de quase cem estudantes.
O trabalho também utiliza materiais educativos produzidos pela Agência, como o guia Toques descolados: a informação chegando antes que o HIV entre no seu rolê desenvolvido para apresentar informações sobre prevenção e sexualidade em uma linguagem próxima da juventude.
Ao reconhecer essa atuação, o CIEE também evidencia a importância de uma formação profissional que considere a saúde, a cidadania e o respeito aos direitos humanos. Afinal, preparar jovens para o mercado de trabalho não significa apenas desenvolver competências técnicas, mas também ampliar conhecimentos que contribuam para relações mais saudáveis e ambientes livres de discriminação.
Uma trajetória que transformou a informação em compromisso social
Fundada em maio de 2003, a Agência de Notícias da Aids nasceu do compromisso de ampliar o debate público sobre HIV e dar visibilidade às pessoas diretamente afetadas pela epidemia. Ao longo de 23 anos, o veículo se consolidou como um espaço especializado na cobertura de saúde, ciência, prevenção, políticas públicas e direitos humanos.
A história da agência está ligada à trajetória pessoal de Roseli, que perdeu o irmão, Sérgio Tardelli, em decorrência da aids na década de 1990. A experiência, marcada pelas dificuldades daquele período e pela discriminação enfrentada pelas pessoas que viviam com o vírus, influenciou sua decisão de dedicar parte da carreira à comunicação sobre HIV.
Desde então, a jornalista passou a desenvolver iniciativas que associam informação, mobilização social e enfrentamento do estigma. O trabalho com estudantes e jovens aprendizes representa uma continuidade desse compromisso, ao levar para espaços educativos discussões que ainda encontram resistência e desinformação na sociedade.
A homenagem durante o Prêmio CIEE de Jornalismo reconhece justamente essa contribuição: a capacidade de utilizar a comunicação não apenas para noticiar os desafios da epidemia, mas também para promover conhecimento, prevenção e inclusão.
Prêmio valoriza jornalismo sobre educação, diversidade e mercado de trabalho
Em sua primeira edição, o Prêmio CIEE de Jornalismo busca reconhecer reportagens que abordam os desafios da educação, da empregabilidade, da diversidade e da inclusão, especialmente aqueles relacionados à inserção dos jovens no mercado de trabalho.
Foram inscritas 131 matérias publicadas entre 1º de janeiro de 2025 e 10 de setembro de 2026. Desse total, 20 chegaram à etapa final, com cinco concorrentes em cada categoria. Os vencedores receberão R$ 10 mil por reportagem, e uma das quatro produções premiadas será escolhida para o Grande Prêmio CIEE de Jornalismo.
A premiação é realizada pelo CIEE, com organização da MediaLink Comunicação Corporativa e da RP Consultoria. A proposta é estimular uma cobertura jornalística que vá além dos indicadores de empregabilidade e ajude a compreender as desigualdades, oportunidades e transformações que influenciam a trajetória profissional das novas gerações.
Cerimônia será realizada nesta terça-feira, em São Paulo
A cerimônia acontecerá no Teatro do CIEE, localizado na Rua Tabapuã, 445, no Itaim Bibi, em São Paulo. A recepção com coquetel está marcada para as 18h, seguida da premiação, às 19h, com encerramento previsto para as 20h30.
O evento será apresentado pelo jornalista Pedro Campos, do Grupo Bandeirantes, e contará com a participação especial de Neivia Justa, jornalista, escritora e especialista em diversidade. Durante a cerimônia, também serão apresentados os integrantes do júri responsável pela avaliação dos trabalhos.
“ Para toda a equipe da Agênciada Aids, a homenagem representa o reconhecimento do compromisso que temos cotidianamente em : fazer a informação chegar às pessoas, aos jovens, combater o preconceito e contribuir para que novas gerações tenham conhecimento e autonomia para cuidar de sua saúde e exercer seu direito ao prazer e a uma vida saudável. Estamos felizes e honrados em receber essa homenagem deste também parceiro, muito importante que é o CIEE. Aproveito para agradecer também a parceria que temos com o Sesc e Senac de São Paulo e com a Fecomércio”, diz Roseli.

Live em alusão ao Dezembro Vermelho no estúdio do CIEE em São Paulo: Dra. Zarifa Coury, a ativista Gugãa Taylor e Roseli



