Prefeitura de São Paulo lança Saúde Digital SP com consultas 24 horas e acompanhamento contínuo

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Programa amplia o atendimento pelo e-saúdeSP, começa pelo acompanhamento de pacientes com doenças crônicas e prevê expansão das teleconsultas; questionada pela Agência Aids, gestão afirma que tecnologia deve preservar vínculo e sigilo no cuidado de pessoas que vivem com HIV

A Prefeitura de São Paulo lançou nesta quarta-feira (19) o Saúde Digital SP, programa que amplia o uso da telemedicina na rede municipal e cria uma nova estratégia de acompanhamento dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital. Integrada ao aplicativo e-saúdeSP, a iniciativa terá atendimento com clínico geral 24 horas por dia, acompanhamento ativo de pessoas com doenças crônicas e ampliação gradual das consultas com especialistas.

A proposta vai além de transferir para a tela do celular uma consulta que antes aconteceria presencialmente. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a intenção é utilizar a tecnologia para acompanhar a trajetória do paciente, identificar necessidades, organizar demandas e definir quais situações podem ser resolvidas remotamente e quais exigem atendimento presencial.

Na primeira etapa, o programa funcionará em duas frentes. Uma delas é o Pronto Saúde Digital, destinado a situações de baixa gravidade e disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, pelo e-saúdeSP. A outra é voltada inicialmente às pessoas com hipertensão, diabetes e obesidade já acompanhadas pela rede municipal, que poderão ser procuradas ativamente pela Secretaria e convidadas a aderir ao acompanhamento digital.

“Este é um grande avanço da cidade de São Paulo no sentido de ampliar o teleatendimento em saúde a toda a população, por meio da tecnologia já disponível no aplicativo e-saúdeSP”, afirmou o secretário municipal da Saúde, Luiz Carlos Zamarco.

Atendimento antes mesmo de sair de casa

No Pronto Saúde Digital, o usuário acessa o e-saúdeSP e passa inicialmente por uma avaliação. Casos de urgência devem ser direcionados para os serviços adequados. Quando se tratar de uma situação não grave, o paciente poderá ser atendido por um médico clínico geral.

Durante a apresentação do programa, Marcelo Itiro Takano, responsável pela Unidade de Coordenação de Projetos da SMS, explicou que o profissional terá acesso às informações disponíveis no prontuário eletrônico do paciente, permitindo que a consulta não fique restrita apenas à queixa apresentada naquele momento.

A intenção, segundo ele, é acompanhar também o que acontece depois daquele primeiro atendimento. Caso o médico identifique a necessidade de avaliação presencial, o paciente será encaminhado à rede e continuará sendo acompanhado até a resolução da demanda.

Para Takano, o Saúde Digital SP representa uma evolução na maneira como o município utiliza a tecnologia na assistência. “O Saúde Digital SP é uma evolução, é uma preocupação da gestão, não somente promovendo uma melhoria no investimento digital, mas também para aproximar o cidadão ao seu cuidado”, afirmou durante a coletiva.

O atendimento no Pronto Saúde Digital poderá ocorrer imediatamente e terá, segundo a Prefeitura, tempo máximo de espera de duas horas.

Zamarco informou que, nos primeiros dias de funcionamento, a experiência havia registrado tempos muito inferiores a esse limite. Com cerca de 500 atendimentos diários, segundo o secretário, os usuários estavam sendo atendidos em menos de um minuto. A expectativa é que o tempo possa aumentar conforme cresça a procura, mas sem ultrapassar as duas horas estabelecidas pela gestão.

O secretário relatou ainda o caso de uma paciente que procurou uma unidade sem ter o aplicativo instalado e recebeu ajuda para acessar o serviço digital. “Em menos de dois minutos ela foi chamada”, contou. Segundo o dr. Zamarco, além da consulta, o médico pode emitir receita digital e orientar a prescrição de medicamentos disponíveis na própria rede municipal.

Secretaria pretende ir atrás do paciente

Uma das principais mudanças propostas pelo novo modelo está no acompanhamento de quem já utiliza o SUS municipal.

Nesta primeira etapa, foram inseridos na plataforma os cadastros de aproximadamente 3,8 milhões de usuários SUS-dependentes diagnosticados ou autodeclarados hipertensos, diabéticos ou obesos e já assistidos pela rede.

Em vez de depender exclusivamente da procura espontânea do paciente por uma UBS ou outro equipamento de saúde, a Secretaria pretende fazer contato com esse público e oferecer acompanhamento ativo. “A Secretaria Municipal de Saúde agora não somente está preparada, ela vai atrás de você para que você seja atendido na melhor condição de saúde”, explicou Takano.

O primeiro contato será feito pelo WhatsApp, por meio do número oficial da SMS: (11) 5461-5600.

Após confirmar as informações cadastrais e atualizar seus dados no e-saúdeSP, o usuário poderá aderir voluntariamente ao programa. Quem aceitar receberá três opções de datas para a realização da teleconsulta por videochamada.

A SMS reforça que o paciente poderá optar por continuar aguardando o atendimento presencial. Da mesma forma, se o profissional responsável pela teleconsulta considerar que a avaliação física é necessária, o usuário será encaminhado para a rede presencial.

A diferença, segundo a gestão, é que mesmo durante esse percurso ele poderá continuar sendo acompanhado pela equipe do Saúde Digital SP.

Teleconsultas também entram na estratégia para enfrentar filas

O programa deverá avançar também sobre uma das questões mais sensíveis da rede pública: as filas para consultas especializadas.

A proposta é utilizar a avaliação digital para identificar pacientes que podem ter sua demanda resolvida por telemedicina e aqueles que realmente precisam chegar ao especialista presencialmente.

Takano afirmou que a estratégia permitirá oferecer um portfólio de especialistas digitais e realizar avaliações online. Em algumas situações, a própria consulta remota poderá solucionar o caso. Quando isso não for possível, o paciente deverá seguir acompanhado até o atendimento presencial.

Durante a coletiva, o gestor afirmou que a projeção inicial é chegar a até 222,9 mil consultas por mês, número que poderá ser ajustado de acordo com a demanda.

Ao explicar a lógica adotada pela Prefeitura, Takano resumiu: “O Programa Saúde Digital não contratou consulta, ele não contratou médico, ele contratou cuidado.”

E as pessoas que vivem com HIV?

Durante a coletiva, a Agência de Notícias da Aids questionou a Secretaria Municipal da Saúde sobre como o novo Saúde Digital SP poderá dialogar com o cuidado das pessoas que vivem com HIV e já são acompanhadas pela rede especializada da capital.

A questão ganha relevância porque o próprio e-saúdeSP já possui o SPrEP, serviço digital relacionado às estratégias municipais de prevenção ao HIV. A pergunta, portanto, foi se essa experiência digital poderá avançar também para o acompanhamento de quem já vive com HIV.

Takano afirmou que as funcionalidades já existentes continuarão disponíveis paralelamente ao novo programa. Segundo ele, São Paulo já utiliza ferramentas digitais para ampliar o acesso às políticas relacionadas à prevenção do HIV e esses serviços continuarão sendo mantidos.

A Agência Aids perguntou ainda se pessoas que vivem com HIV e já são acompanhadas pela rede municipal poderão realizar teleconsultas para acompanhamento do tratamento, avaliação de exames e renovação de receitas, mantendo o atendimento presencial quando necessário.

Também foi questionado como esse atendimento seria organizado de maneira a preservar dois elementos fundamentais do cuidado em HIV: o vínculo com a equipe de referência e o sigilo do diagnóstico.

Na resposta, Takano destacou que a utilização da tecnologia parte justamente da existência de um vínculo do usuário com a rede. “A prerrogativa do uso do aplicativo é o vínculo ativo. Então, a tecnologia, ela aproxima e jamais distancia”, afirmou.

O gestor também assegurou que existem mecanismos de controle de acesso às informações de saúde. Segundo ele, o profissional precisa justificar o motivo do acesso aos dados do paciente e a implementação da estratégia está sendo discutida de forma integrada com as áreas técnicas e com os serviços presenciais.

“A tecnologia está sendo utilizada para complementar e auxiliar, jamais substituir, jamais criar barreiras de acesso”, acrescentou.

Quem não tem acesso à tecnologia continuará sendo atendido

A digitalização da saúde também coloca outro desafio: como garantir que celulares, aplicativos e conexão à internet não se transformem em uma nova barreira para quem já enfrenta dificuldades para acessar os serviços públicos.

A Prefeitura afirma que o atendimento presencial será mantido. Para pacientes que não possuem acesso adequado às ferramentas digitais ou têm dificuldade para utilizá-las, a rede continuará oferecendo os Consultórios Digitais, nos quais a teleconsulta é realizada dentro de uma unidade de saúde com apoio de profissionais.

Questionado durante a coletiva sobre idosos e outros usuários com pouca familiaridade com a tecnologia, o secretário Zamarco afirmou que a Prefeitura pretende expandir os consultórios híbridos para todas as 484 Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

O secretário afirmou ainda que as equipes que atuam nos espaços destinados ao atendimento da população idosa deverão ser preparadas para auxiliar esses usuários na utilização das ferramentas digitais.

Até julho deste ano, segundo dados divulgados pela Prefeitura, mais de 1,4 milhão de atendimentos já haviam sido realizados nos Consultórios Digitais existentes na rede municipal.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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Secretaria Municipal de Saúde de SP – Assessoria de Imprensa

Tel.: (11) 5481-9083

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