Portugal e Croácia: duas seleções, dois exemplos de resposta ao HIV que apostam em diagnóstico, tratamento e prevenção 

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Países que se enfrentam nesta quinta-feira (2) também compartilham bons indicadores no enfrentamento ao HIV, embora ainda convivam com desafios específicos para controlar a epidemia 

Enquanto Portugal e Croácia entram em campo nesta quinta-feira (2) em mais um confronto internacional, os dois países também acumulam avanços importantes em outra disputa que acontece longe dos estádios: o enfrentamento ao HIV.

Apesar de trajetórias e dimensões bastante diferentes, portugueses e croatas conseguiram reduzir o impacto da epidemia por meio de políticas públicas que priorizam o diagnóstico precoce, o acesso universal ao tratamento e estratégias permanentes de prevenção. Ainda assim, ambos reconhecem que controlar a epidemia não significa eliminar seus desafios.

Portugal reduz novos casos e amplia prevenção

Portugal consolidou, nos últimos anos, uma das respostas ao HIV mais consistentes da Europa. Em 2024, o país registrou 997 novos diagnósticos, mantendo, pelo terceiro ano consecutivo, menos de mil notificações anuais. Em comparação com uma década atrás, a redução das novas infecções chega a aproximadamente 35%.

Atualmente, cerca de 50 mil pessoas vivem com HIV em território português, e a grande maioria (cerca de 94%) já conhece seu diagnóstico, um indicador considerado fundamental para interromper a cadeia de transmissão.

Os resultados refletem uma política pública baseada no acesso universal aos medicamentos antirretrovirais, campanhas permanentes de prevenção e programas de redução de danos. Somente em 2024, o sistema público distribuiu mais de seis milhões de preservativos gratuitamente e disponibilizou quase um milhão de seringas esterilizadas para pessoas que usam drogas injetáveis.

O impacto dessas medidas também aparece na redução dos casos de aids, que diminuíram cerca de 43% ao longo da última década. A experiência portuguesa é frequentemente citada como exemplo de como investimentos contínuos em prevenção, testagem e tratamento podem transformar o cenário da epidemia.

Diagnóstico tardio ainda preocupa

Mesmo com indicadores positivos, especialistas alertam que o país convive atualmente com diferentes perfis da epidemia.

Entre homens que fazem sexo com homens, especialmente os mais jovens, concentra-se a maior parte das novas infecções, representando aproximadamente sete em cada dez diagnósticos recentes. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com pessoas heterossexuais acima dos 50 anos, grupo em que o HIV costuma ser identificado apenas em fases mais avançadas da infecção.

O diagnóstico tardio aumenta o risco de complicações clínicas e reduz as oportunidades de interromper a transmissão do vírus, mantendo a necessidade de campanhas direcionadas a diferentes públicos.

Croácia mantém uma das menores epidemias do continente

A Croácia também apresenta números bastante favoráveis no contexto europeu. Estima-se que cerca de 1.800 pessoas vivam com HIV no país, enquanto aproximadamente 120 novos casos foram registrados em 2024.

Boa parte desse desempenho é atribuída à ampla cobertura do sistema público de saúde, que garante tratamento gratuito, além de incentivar a realização voluntária dos testes.

A legislação croata estabelece que o exame para HIV deve ocorrer apenas com consentimento da pessoa, preservando a confidencialidade e reforçando o aconselhamento antes e depois da testagem.

Os resultados dessa estratégia aparecem nos indicadores assistenciais: cerca de 98% das pessoas diagnosticadas recebem terapia antirretroviral e praticamente todas elas alcançam carga viral suprimida, reduzindo significativamente a possibilidade de transmissão do vírus.

Epidemia exige atenção contínua

Assim como ocorre em Portugal, a Croácia também observa diferenças importantes entre os perfis das pessoas diagnosticadas.

Os casos identificados entre homens que fazem sexo com homens costumam ocorrer de forma mais precoce, resultado da maior frequência de testagem nesse grupo. Já entre homens e mulheres heterossexuais, o diagnóstico frequentemente acontece apenas quando o sistema imunológico já apresenta comprometimento.

Esse cenário reforça um desafio comum a diversos países europeus: ampliar a percepção de risco entre pessoas que não se consideram vulneráveis e, por isso, realizam menos exames.

Além do futebol

Embora Portugal e Croácia apresentem realidades epidemiológicas distintas, ambos demonstram que respostas sustentadas ao HIV dependem de investimentos permanentes em prevenção, testagem e acesso ao tratamento.

A partida desta quinta-feira coloca frente a frente duas seleções tradicionais do futebol europeu. Fora das quatro linhas, os dois países também mostram que o enfrentamento ao HIV exige estratégia, continuidade e políticas públicas capazes de alcançar toda a população, especialmente aqueles grupos que ainda permanecem mais distantes dos serviços de saúde.

Redação da Agência de Notícias da Aids 

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