08/10/2014 – 13h
Uma equipe de médicos de Porto Alegre (RS) vai conhecer o estudo da profilaxia pré-exposição (PrEP) que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está fazendo com voluntários no Rio para aplicá-lo na capital gaúcha, anuncia nessa quarta-feira (8)o site do jornal “Zero Hora”. O Rio Grande do Sul entra nos testes para adoção da PrEP no Brasil por ter índices de infecção equivalentes ao dobro da média nacional. A incidência é de 41,4 casos por 100 mil habitantes, segundo dados do Ministério da Saúde. Veja a reportagem de Erik Farina no “ZH”:
Recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a distribuição de medicamentos antirretrovirais para uma das populações com maior risco de contrair o vírus HIV – a profilaxia pré-exposição (PrEP) deve ganhar seu primeiro grupo de pesquisa em Porto Alegre (RS) até o fim do ano. Uma equipe de médicos gaúchos viajará ao Rio de Janeiro nas próximas semanas para conhecer o projeto da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com voluntários para, então, replicá-lo na capital gaúcha.
Serão chamados 50 voluntários homens homossexuais ou travestis não infectados pelo HIV. Porto Alegre está incluída no estudo por ser a capital com maior incidência de HIV no Brasil, com 93,7 casos para cada 100 mil habitantes.
“Vamos avaliar a aceitabilidade e a adaptabilidade do método na população mais exposta ao risco de contágio”, explica Ricardo Kuchenbecker, professor do programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e responsável pelo estudo da PrEP no estado.
“A profilaxia foi testada há três anos em um estudo liderado pelos Estados Unidos, que envolveu diferentes países, e mostrou que os indivíduos que tomam os comprimidos reduziram em até 96% o risco de contraírem o HIV. Agora, queremos ver como o método se aplica no Brasil”, diz Kuchenbecker.
Um dos desafios será observar o comportamento dos voluntários: se tomarão diariamente o medicamento e não deixarão de usar preservativo nas relações sexuais. Essa avaliação será feita por psicólogos que irão atender periodicamente os voluntários. Também haverá monitoramento do sistema imunológico e da incidência de efeitos colaterais.
O resultado dos estudos no Brasil, que já está em andamento no Rio de Janeiro e em São Paulo, será observado pelo Ministério da Saúde. Serão avaliados 500 voluntários até o próximo ano. A expectativa é de que o Sistema Único de Saúde (SUS) passe a distribuir os medicamentos para grupos de risco para prevenir a aids.



