12/3/2007 – 11h20
Resultados mostram que os entrevistados se sentem vulneráveis à infecção pelo HIV, referem uso inconsistente do preservativo e a ocorrência de múltiplas parcerias. A maioria, porém, não acredita ter um comportamento de risco.
Dados do Ministério da Saúde mostram que a incidência de AIDS na população de homens que faz sexo com homens, quando se considera a transmissão sexual, permanece estabilizada em patamares elevados, o que, segundo especialistas, ocorre em função de sua vulnerabilidade. Com o objetivo de aprofundar a compreensão sobre o impacto da AIDS no cotidiano dos homens que se relacionam sexualmente com outros homens, Sônia Maria de Andrade e equipe da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul resolveram realizar um estudo em Campo Grande, por meio de questionários e entrevistas com 52 homens, sendo 34 homossexuais, 12 travestis, 4 bissexuais e 2 garotos de programa.
O questionário, composto de perguntas fechadas e mistas, possibilitou a identificação da auto-percepção do comportamento sexual, do uso de preservativos, da atividade sexual e da quantidade de parceiros sexuais. De acordo com artigo publicado na edição de fevereiro de 2007 dos Cadernos de Saúde Pública, “é patente o elevado grau de informação que possuem os homens que fazem sexo com homens tanto sobre a doença quanto sobre os modos de transmissão, mas também é marcante a defasagem entre o conhecimento e a adoção do sexo seguro, repercutindo na manutenção elevada de casos notificados de AIDS nesse grupo. No Brasil, 22,5% dos casos de AIDS encontram-se em pessoas pertencentes às categorias de identidade bissexual e homossexual, e em Mato Grosso do Sul 35% dos casos se dão nessa população”.
Os resultados mostram que os entrevistados percebem-se como vulneráveis à infecção pelo HIV, referem uso inconsistente do preservativo e ocorrência de múltiplas parcerias, visto que 65% dos homossexuais, 75% dos bissexuais e 33% dos travestis tiveram até cinco parceiros no último mês, destacando-se que 59% deste grupo tiveram mais de 11 parceiros no mesmo período. Apesar disso, a maioria não acredita ter um comportamento de risco, o que, segundo a equipe, destaca a baixa preocupação do grupo com a própria saúde.
Segundo os pesquisadores, os resultados da pesquisa levantam aspectos cujo conhecimento deveria ser aprofundado para subsidiar intervenções que visem à redução de comportamentos de risco de homens que fazem sexo com homens. “A responsabilidade no sentido da mudança da realidade atual extrapola o âmbito da saúde e não isenta as autoridades de contribuições importantes a fim de que sejam desenvolvidas ações que privilegiem comunidades específicas e que sejam adequadas a determinados grupos, como os homens que fazem sexo com homens em suas diferentes categorias e, em particular, os travestis, conforme apontam os resultados da presente pesquisa. A suscetibilidade de determinados grupos e a identificação e compreensão de suas particularidades constituem, ainda, um grande desafio a ser enfrentado não só em Campo Grande, mas em qualquer espaço geográfico em que essas condições se façam presentes”, destacam no artigo.
Fonte: Agência Notisa



