Pesquisa aponta que mulheres que usam contraceptivos injetáveis têm mais risco de contrair HIV

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

25/07/2014 – 10h

Um estudo apresentado na 20ª Conferência Internacional de Aids na quinta-feira, 24 de julho,  com dados individuais de 37 000 mulheres, concluiu que o uso do contraceptivo hormonal injetável DMPA está associado a uma maior taxa de infeções pelo HIV em mulheres. Mas mesmo com este resultado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou na mesma sessão que as suas linhas orientadoras, nas quais defende a disponibilização de contraceptivos a mulheres em risco para a infeção pelo HIV, não irão sofrer alterações.

Existem dados inconclusivos sobre a possibilidade de o uso da contracepção injetável aumentar o risco de infeção nas mulheres. Estudos individuais concluíram que a contracepção injetável aumenta o risco, mas a análise de dados retirada de vários ensaios clínicos não comprovou esse mesmo aumento. O estudo apresentado na AIDS 2014 selecionou dados de 18 estudos do continente africano e analisou o risco de infeção pelo HIV de acordo com o anticoncepcional usado.

A meta-análise concluiu que tanto o DMPA como o NET-En aumentavam o risco de infeção em aproximadamente 50%, quando comparado com mulheres que não usavam contraceptivos. Também se concluiu que o uso de um método injetável aumentava significativamente o risco de infecção quando comparado com o uso de um contraceptivo oral.

O uso relatado de anticoncepcionais na mostra foi de 28% das mulheres usando o DMPA de forma injetável, 8% usando o NET-En injetável, 19% usando a pílula anticoncepcional e 43% não usava nenhum métoco anticoncepcional. Um total de 1830 mulheres adquiriram HIV durante o estudo. 

As orientações da OMS foram desenvolvidas após uma avaliação sistemática das evidências, mas antecede a análise apresentada na quinta-feira. Nessas orientações é indicado que “as mulheres em situação de vulnerabilidade à infecção pelo HIV devem ser informadas sobre a possibilidade de que tomar progesterona por via injetável pode aumentar o seu risco de infeção pelo HIV. As mulheres e os casais em situação de vulnerabilidade à infecção e que estejam considerando a possibilidade de usar esse método devem ser informados a respeito e ter acesso a métodos de prevenção, incluindo os preservativos masculino e feminino”.

Em relação a outros métodos contraceptivos, as orientações da OMS não recomendam restrições a mulheres em situação de vulnerabilidade ou a mulheres vivendo com HIV. Geralmente os aparelhos intrauterinos (DIU) com progesterona podem ser usados, mas o início do seu uso deve ser evitado em mulheres com doença por HIV em estágio avançado ou grave.

Mas o HIV não é a única consideração feita quando o assunto toca em métodos contraceptivos. O impacto mais amplo de saúde de menos mulheres usando contraceptivos eficazes e de ação prolongada pode ser significativo. Em ambientes onde a mortalidade materna é alta devido a complicações na gravidez ou no parto, a contracepção eficaz contribui para a melhor saúde das mulheres. Filhos de mulheres que morrem no parto costumam ter menor qualidade de cuidado em saúde. 

Leia a notícia na íntegra


Apoios