Paulo Roberto Teixeira, presente: FOAESP, Mopaids e ABIA homenageiam um dos pilares da resposta brasileira à aids

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Em documentos distintos, organizações destacam o papel pioneiro do sanitarista na construção das políticas de enfrentamento ao HIV, na defesa do SUS, dos direitos humanos e do acesso universal ao tratamento

A morte do médico sanitarista Dr. Paulo Roberto Teixeira, aos 77 anos, mobilizou três organizações históricas da sociedade civil na luta contra o HIV e a aids. O Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo (FOAESP), o Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids) e a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) publicaram documentos em homenagem a um dos principais responsáveis pela construção da resposta brasileira à epidemia.

Embora escritos em tons diferentes, os textos convergem ao reconhecer o papel pioneiro de Paulo Teixeira na criação, em 1983, do primeiro programa governamental de enfrentamento à aids no país. As organizações também destacam sua defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), do acesso universal aos medicamentos antirretrovirais, da participação da sociedade civil e de políticas públicas fundamentadas na ciência, na solidariedade e nos direitos humanos.

Mais do que registrar a despedida, os documentos transformam o legado de Paulo em um compromisso com o futuro da resposta brasileira à aids: preservar os princípios que ele ajudou a estabelecer, enfrentar retrocessos e manter a defesa da vida acima de interesses econômicos ou políticos.

Confira os documentos na íntegra:

Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo — FOAESP

O Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo (FOAESP) manifesta profundo pesar pelo falecimento do médico sanitarista Paulo Roberto Teixeira, um dos principais responsáveis pela construção da resposta brasileira à epidemia de HIV e aids.

Pioneiro na criação do primeiro programa governamental de enfrentamento à aids no Brasil, em São Paulo, no ano de 1983, Paulo Teixeira dedicou sua trajetória profissional à defesa do Sistema Único de Saúde, do acesso universal ao tratamento e dos direitos humanos. Sua atuação foi fundamental para consolidar políticas públicas baseadas na ciência, na solidariedade e no respeito à dignidade das pessoas vivendo com HIV e aids.

À frente dos programas estadual e nacional de HIV/aids e em sua atuação internacional junto à Organização Mundial da Saúde, contribuiu decisivamente para ampliar o acesso aos medicamentos antirretrovirais e enfrentar o estigma, o preconceito e todas as formas de discriminação.

Paulo Roberto Teixeira deixa um legado imensurável para a saúde pública, para a luta contra a aids e para a defesa dos direitos humanos na saúde. Sua história permanecerá como referência e inspiração para profissionais, pesquisadores, gestores, ativistas e organizações da sociedade civil.

Neste momento de profunda tristeza, o FOAESP expressa sua solidariedade aos familiares, amigos e a todas as pessoas que tiveram o privilégio de compartilhar de sua vida e de sua caminhada.

Paulo Roberto Teixeira, presente!

Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo — FOAESP

Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS — ABIA

Toda perda é significativa, especialmente quando nos despedimos de pessoas que foram fundamentais na construção de caminhos para o acesso à saúde, ao tratamento e aos direitos.

A ABIA recebe com tristeza a notícia da morte do médico sanitarista Paulo Roberto Teixeira, aos 77 anos.

Paulo foi protagonista na construção da primeira resposta governamental à aids no Brasil, em 1983, ajudando a estabelecer uma política baseada na prevenção, na assistência, no respeito às pessoas vivendo com HIV e na participação da sociedade civil. Ao longo de sua trajetória, também atuou na defesa do acesso universal aos medicamentos e do direito à saúde.

Sua história se confunde com momentos fundamentais da resposta brasileira e internacional ao HIV e à aids. Seu compromisso com a saúde pública, os direitos humanos e o acesso ao tratamento deixa marcas que atravessam gerações.

A ABIA se solidariza com familiares, amigos, colegas e todas as pessoas que compartilharam de sua trajetória.

Paulo Roberto Teixeira deixa um legado de compromisso com a vida, o cuidado, a solidariedade e o direito à saúde. Que sua memória permaneça viva nas lutas e conquistas que ajudou a construir.

ABIA — Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS
20 de setembro de 2026

Nota do Mopaids

Paulo Roberto Teixeira, presente: um legado que o Brasil não pode abandonar

Há partidas que deixam um vazio. Outras, além da dor, deixam uma responsabilidade histórica. A morte do Dr. Paulo Roberto Teixeira impõe as duas coisas.

O Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids) recebe com imensa tristeza a notícia da partida de um dos homens que ajudaram a mudar o destino da epidemia no Brasil. Paulo não foi apenas testemunha da construção da resposta brasileira ao HIV e à aids. Ele foi um de seus fundadores, um de seus pilares e uma de suas consciências políticas.

Quando a aids chegou cercada pelo medo, pelo preconceito, pela desinformação e pela morte, Paulo escolheu não se afastar. Em 1983, quando o poder público brasileiro ainda não compreendia plenamente a dimensão da epidemia, ele ouviu as reivindicações do movimento social LGBT, dialogou com as populações mais atingidas e ajudou a criar, em São Paulo, o primeiro programa público de enfrentamento à aids do país e uma das primeiras respostas estruturadas da América Latina.

Naquele momento, essa decisão significava muito mais do que organizar um serviço de saúde. Significava afirmar que aquelas vidas importavam. Que pessoas adoecidas, muitas delas abandonadas pelas próprias famílias e condenadas pelo preconceito social, tinham direito ao cuidado, à informação, à dignidade e à presença do Estado.

Paulo compreendeu muito cedo algo que ainda hoje precisa ser repetido: a aids nunca foi apenas uma questão biomédica. Sempre foi também uma questão política. Uma epidemia atravessada pela desigualdade, pelo racismo, pela LGBTfobia, pela pobreza, pelo machismo e por todas as formas de exclusão não poderia ser enfrentada apenas com medicamentos. Era necessário enfrentar também o silêncio, o abandono, a discriminação e a tentativa de decidir quais vidas mereciam ser protegidas.

Sua trajetória ajudou a transformar tratamento em direito, prevenção em política pública e participação social em parte indispensável da resposta à epidemia. Paulo esteve ao lado da ciência, mas nunca separado da realidade das pessoas. Defendeu o SUS, o acesso universal aos antirretrovirais, a redução do preço dos medicamentos e o direito dos países pobres de tratar suas populações. Em um cenário internacional que considerava inviável levar tratamento às nações em desenvolvimento, ele sustentou que nenhuma vida poderia valer menos por causa do lugar onde havia nascido.

Essa posição exigiu coragem. Paulo enfrentou interesses econômicos, questionou o poder das grandes indústrias farmacêuticas e participou da defesa do licenciamento compulsório de medicamentos quando a proteção da vida assim exigisse. Sua atuação ajudou a projetar o Brasil como referência mundial no enfrentamento à aids e demonstrou que uma política pública construída com ciência, coragem política e participação popular pode mudar o curso da história.

Mas talvez uma das maiores grandezas de Paulo tenha sido compreender que nenhuma resposta seria legítima se fosse construída sem as pessoas diretamente atingidas pela epidemia. Ele não tratava a sociedade civil como figurante nem como presença protocolar. Reconhecia nos movimentos sociais conhecimento, autoridade e capacidade de transformar políticas públicas. Sabia que ouvir quem vive a realidade do HIV não era uma concessão do Estado: era uma obrigação democrática.

Por isso, a sua morte atinge profundamente ativistas, profissionais de saúde, pesquisadores, gestores e todas as pessoas que ajudaram a construir a resposta brasileira à aids. Parte um sanitarista, um militante da democracia e um defensor intransigente da dignidade humana. Parte um homem que ajudou o Brasil a escolher o cuidado quando tantos defendiam o abandono.

O Mopaids se solidariza com seus familiares, amigos, companheiros de caminhada e com todas as pessoas que tiveram suas vidas atravessadas por sua presença, por suas decisões e por seu trabalho.

Neste momento de dor, não queremos transformar Paulo apenas em uma lembrança respeitável ou em um nome registrado nos livros. Seu legado precisa permanecer vivo nas políticas públicas, nos serviços de saúde, na defesa do SUS, no acesso universal ao tratamento e à prevenção, na participação social e no enfrentamento permanente ao estigma e à discriminação.

Honrar Paulo Roberto Teixeira é recusar o desmonte da resposta brasileira à aids. É não aceitar retrocessos. É defender a ciência diante do negacionismo, o cuidado diante do abandono, os direitos humanos diante da violência e a vida diante de qualquer interesse econômico ou político.

A história da aids no Brasil não pode ser contada sem Paulo. E o futuro dessa resposta também não poderá ser construído sem os princípios que ele ajudou a estabelecer.

Sua partida nos dói profundamente. Seu legado nos convoca.

Dr. Paulo Roberto Teixeira, presente!
Hoje, amanhã e em cada luta em defesa da vida.

Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids — Mopaids

Redação da Agência de Notícias da Aids

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