Participantes dizem que saem da 20ª Conferência Internacional de Aids mais preparados para enfrentar a doença em seus países

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25/07/2014 – 17h

Cerca de 12 mil pessoas do mundo inteiro pararam todos os dias, de domingo (20) a sexta-feira (25, para participar de debates, ouvir palestras e ver apresentações de todos os cantos na 20ª Conferência Internacional de Aids, em Melbourne, na Austrália. Entre elas, ativistas, profissionais de saúde, pesquisadores, gestores e executivos da indústria farmacêutica, que discutiram temas variados, de prevenção do HIV a novas tecnologias e estigmatização das populações-chave. Ouvimos 30 participantes para fazer um balanço da conferência. Confira:

Adele Benzaken, diretora-adjunta do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais: “O grande destaque foi o retorno da agenda para questões da aids pediátrica e para adolescentes. A lição que levamos para casa é a tentativa de retomar esse diálogo, seja população-chave ou não. Não houve em Melbourne grandes lançamentos e nenhum dado impactante que mudasse o rumo da epidemia."

Mike Bellamy, ativista norte-americano: “O mundo precisa ainda de muito trabalho para erradicar a aids e o entorno parece cada vez mais criar demandas de direitos humanos e educação, entre outras áreas. O trabalho vai se grande.”

Cáritas Basso, médica do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo:
"Saio daqui certa de que, apesar dos avanços, há muito a ser feito, especialmente nos países de menor desenvolvimento. Também destaco a importância de focar as ações em determinadas populações.”

Greg Gray, professor de patologia da Universidade do Quênia: “
O continente africano ainda precisa de atenção, política e financiamentos. Essa conferência deixou isso claro e nos exige mais esforços.”

Adriana Bertini, artista plástica: “Vim para essa conferência em busca de uma nova ferramenta de trabalho para prevenção do HIV/aids. Fiquei um pouco desapontada, vi vários trabalhos de prevenção, mas gostaria de ter conhecido uma ferramenta diferente, um novo jeito de falar de prevenção, que faça as pessoas mudarem o pensamento e usarem o preservativo."

Cecilia Ugaz, do projeto Cidadania e Direitos Humanos, do Peru
: "Vim conhecer o trabalho de outros países e mostrar a contribuição que o ativismo e a arte podem dar à causa."

Américo Nunes Neto, do Movimento Paulistano de Luta contra a Aids (Mopaids):
“Me chamou atenção as pesquisas sobre novas drogas para o tratamento do HIV, tudo em estudo ainda. Em termos de articulação da sociedade civil com governo ficou claro que, no Brasil, mesmo com todas as dificuldades, avançamos. A delegação brasileira estava reduzida esse ano, não vi nenhum trabalho na exposição de pôster da sociedade civil do Brasil. Temos muitas experiências e elas não foram replicadas aqui. Uma pena.”

Vagner de Almeida, da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA): "Faltou muita coisa nesta conferência. Ainda temos de lutar. Depois de 30 anos, a epidemia parece que está ainda em fase inicial. Faltaram pessoas, outros protagonistas que pudessem compartilhar também suas vivências."

Liza Micelli, da Rede Brasileira de Trans: "Eu gostei muito de participar pela interação, pela troca de conhecimentos e pela abordagem de novas tecnologias para prevenção. Foi um espaço importante para troca e aprendizado."

Raruna Zacuro, da Comissão Internacional de HIV/Aids da Nigéria: "Me interessei muito pelos debates sobre novas tecnologias. Fiquei impressionado com o teste rápido de HIV com resultado em até 20 minutos. Agora, não precisamos mais esperar três meses por um diagnóstico."

Katherine Hampton, da MonashUniversity da Austrália: "Tive uma oportunidade incrível de conhecer gente do mundo inteiro que trabalha contra aids. Essa é a primeira conferência de que participo. Aprendi muito."

Mauro Cabral, da Universidade de Córdoba na Argentina:
“Tive a oportunidade de ampliar o debate sobre transexualidade e conquistar espaços de discussão e ativismo.”

Claiton Hudges, Fundação Canadense para Pesquisa da Aids:
“As pesquisas apresentadas mostraram um perfil da epidemia no mundo e indicaram caminhos a serem trilhados. As oportunidades de troca de experiências e pontos de vista foram enriquecedoras.”

Diego Callisto, da Rede de Jovens Vivendo com HIV e Aids: Foi ótimo aprender e ter outras informações sobre aids no cenário global. Pude também compartilhar as boas práticas que representantes dos países trouxeram tanto em assistência como em prevenção. Foi um momento único de intercâmbio de informações.”


Saul de Los, da Universidade do México:
“Poucas novidades mas muita troca de ideias e experiências. Infelizmente, a América Latina passou despercebida na maioria das discussões.”

Wiliam Gustin, médico da Canadian Foundation for AIDS Research California: “As conferências são sempre boas oportunidades de rever amigos e saber como andam as pesquisas e as realidades sobre o HIV/aids.”

David Strom, consultor especializado em mídia farmacêutica: “Foi bem proveitoso, conheci gente nova e novas realidades. Volto para casa mais impactado com a aids no mundo e mais responsável na busca por respostas.”

Ernesto Rosário, ativista do Equador:
"A realidade da América Latina não foi abordada. É preciso mais atenção para essa parte do mundo, onde as pessoas morrem sem tratamento e assistência, onde o sentimento conservador é grande e as necessidades só aumentam.”

Cheng Joo Thye, da Academia de Medicina da Malásia: “Bom para aprender, trocar e se comprometer cada vez mais na luta contra a aids e pela saúde de todos.”

Ryo Miyata, da Universidade de Toronto, Canadá: "Foram dias intensos de muita coisa para ver, muita informação e muitas análises a fazer. Espero ter tempo para ler todas as informações que estou levando.”

Walter Gomez, ativista e membro da Fundação Vida Livre do Equador: “Essa conferência ficou devendo a tradução para o espanhol. A ausência disso me fez demandar muito esforço para entender.”

Fernanda Benvenutty, conselheira Nacional de Saúde no Brasil: "Vi debates sobre a importância da adesão ao antirretroviral. Muitas pessoas ainda resistem ao tratamento, mas esse não é o caso do Brasil, que sai mais uma vez na frente. No mundo, 25% das pessoas vivendo com HIV fazem uso de antirretrovirais. No Brasil, esse número é maior."

Michael Drusado, médico norte-americano da Miame Beach Comunity Helf Centre: “Gostei muito, confirmou algumas coisas que eu já sabia. Vim buscar mais avanços e tecnologias médicas para lidar melhor com a aids.”

Keila Simpson, da Associação Brasileira de Travestis (Antra):
“É a segunda conferência de que participo e superou minhas expectativas. As discussões cada vez mais globalizadas tendem a contribuir para a construção de mais respostas. Não falar inglês dificultou, mas a interação que tivemos no Global Village, com outros ativistas, foi produtiva. Foi importante também observar que o Brasil está atento e desenvolvendo novas tecnologias para o enfrentamento da epidemia.”

Carlos Magno, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transexuais (ABGLT):
“Foi um rico momento de compartilhar as realidades e ações que cada nação desenvolve. Para nós, seguem o desafio de diminuir as novas infecções entre gays e a preocupação de controlar a epidemia entre populações-chave.”

Mara Banda, da National Aids Comicoan, do Malawi: “Foi minha primeira participação em conferência desse porte. Uma importante experiência, pois pude conhecer o que outros países têm feito.”

Melissa Godwaldt, da ONG WUSC de Botsuana, África
: “Uma experiência fantástica, pude acompanhar muitas discussões envolvendo diferentes setores. Todos precisamos de mais fundo para ajudar as pessoas infectadas e afetadas pela pandemia. Acho que esses recursos deveriam ser também capitados no setor privado.”

Dores Mwesigire, phd em Saúde Pública de Uganda:
“Um bom momento de reflexão e busca de possibilidades para melhorar a situação de todos os que vivem com HIV no mundo. Estamos juntos procurando uma saída. Gostei de ver que, a cada conferência, um número mais de pessoas infectadas vêm e trazem suas contribuições.”

Heliana Moura, do Movimento Nacional da Cidadãs Posithivas:
"Valeu muito a pena pelo intercâmbio, pelo dinamismo, por conhecer as realidades de pessoas de outras nacionalidades no enfrentamento do HIV no mundo"

Maisoon Abdalla, médica pediatra do Umdwantaching Hospital do Sudão: “Foi a minha primeira participação em conferência deste porte. Conheci como vivem as mulheres com aids em outros países e experiências de locais que praticamente eliminaram a transmissão vertical do HIV. É positivo e grandioso ver várias pessoas envolvidas procurando mais respostas para a pandemia.”

Chaesik Sim, freira da comunidade Sister of NotreDami, da Coreia do Sul: “Considerei muito positivo o fato de grupos tidos como marginalizados estarem aqui com suas questões. Todos precisamos viver e buscar saídas. Juntos temos mais força.”

Redação da Agência de Notícias da Aids, de Melbourne, Austrália

A Agência de Notícias da Aids cobre a Conferência na Austrália com o apoio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais e do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo

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