Em ano eleitoral, organização elege como tema a mobilização política e a luta por direitos
A Associação da Parada do Orgulho LGBT, ONG responsável pela organização e atualmente presidida por Nelson Matias Pereira, calcula que, entre 2025 e 2026, a saída de grandes empresas patrocinadoras provocou uma queda de 60% na receita destinada à realização da festa. No ano passado, foram 12 marcas apoiando o evento. Neste ano, são apenas três empresas: a patrocinadora oficial Amstel, o Grupo L’Oréal no Brasil como copatrocinador e a Philip Morris Brasil como apoiadora.
Neste ano foi confirmado o desfile de 14 trios elétricos, uma queda em relação a infraestrutura de 2025, quando foram 19. Como mostrou O GLOBO , a Parada chega à 30ª edição com uma infraestrutura mais enxuta por conta da queda no número de patrocinadores. O encolhimento ocorre em meio a uma retração global de investimentos corporativos em diversidade e inclusão.
O cenário atual contrasta com o período imediatamente posterior à pandemia, quando houve forte crescimento do interesse corporativo. O número de marcas patrocinadoras saltou de uma média de quatro para o pico histórico de 18 em 2024, impulsionado pela consolidação das agendas de diversidade e inclusão no planejamento de grandes empresas.
Na Câmara de Vereadores da capital paulista, em maio, um projeto de lei aprovado em primeira votação tenta proibir a presença de crianças e adolescentes e eventos públicos e privados que façam “alusão ou fomente práticas LGBT+”. O texto tenta ainda impor uma classificação indicativa para maiores de 18 anos e multas em caso de descumprimento, além de impedir a interdição de vias públicas para realização de eventos como a Parada.
A programação deste ano do evento inclui shows de artistas como Pabllo Vittar, Glória Groove, Melody, Urias, Pepita, Jup do Bairro e Majur. A concentração se inicia na Paulista por volta das 10h, na altura da Rua Peixoto Gomide, e os trios circulam no sentido da Rua da Consolação.
Cerca de 1,5 mil policiais trabalham na segurança do evento, segundo a secretaria estadual de Segurança Pública, que será monitorado também por meio de drones e câmeras. Gradis e torres de observação foram colocados em diversos pontos da Avenida Paulista e da Rua da Consolação.
Em ano eleitoral, os organizadores elegeram como tema o papel da Parada como espaço de mobilização política e social para a defesa de direitos da população LGBT+. Em comunicado, os responsáveis destacam o papel do voto como instrumento de garantia de direitos e chamam atenção para a importância da ocupação nas ruas como ferramenta de atuação política.



