Da esquerda para a direita: Amélia Garcia, Beto Paes, Dra. Nelma Machado, Deputado Dirceu Ten. Catem, Mirna Ewerton, Lanna Larrá, Mauritânia Coelho e Reginaldo Franca Junior.
Solicitada pela RNP+Pará e acolhida pelo deputado Dirceu Ten Catem, cerimônia lota a Assembleia Legislativa e inaugura um novo ciclo político no enfrentamento ao HIV no estado. Parlamentar anuncia criação de Grupo de Trabalho para desenvolver marco legal permanente e fortalecer o CASADIA.
A Assembleia Legislativa do Pará realizou, nesta segunda-feira (1º/12), a primeira sessão solene da história do estado dedicada ao Dia Mundial de Luta contra a Aids e ao Dezembro Vermelho. A iniciativa partiu da RNP+Pará e foi aceita pelo deputado estadual Dirceu Ten Catem, que organizou e presidiu o encontro.
O plenário recebeu ativistas, movimentos sociais, gestores públicos e organizações que compõem a resposta à epidemia no Pará. As intervenções destacaram desafios persistentes, avanços recentes e a necessidade urgente de uma política estadual sólida, capaz de ampliar o acesso ao tratamento, enfrentar o estigma e fortalecer os serviços especializados.
Demandas, desafios e a força da sociedade civil
Entre as falas que marcaram a sessão, Amélia Garcia (Arte Pela Vida) reforçou a necessidade de avanços em áreas como regulação de leitos, editais públicos e estrutura das unidades de atendimento, além da urgência de ações de combate ao estigma.
Representando os movimentos LGBTQIAPN+, Beto Pães chamou atenção para os impactos do preconceito sobre a população LGBT que vive com HIV/aids. Lanna Larrá, da Rede Paraense de Pessoas Trans, trouxe a sobreposição de vulnerabilidades enfrentadas por pessoas trans e travestis, que lidam simultaneamente com transfobia, pobreza, dificuldades de acesso e discriminação nos serviços.
Pela AHF Brasil, Mauritânia Coelho apresentou o trabalho da organização no mundo, no país e em Belém, destacando iniciativas comunitárias e ações de testagem e prevenção.
Mirna Weverton, do FOPAIDS, lembrou o papel das mães de pessoas LGBT na luta contra a discriminação. Já o coordenador municipal de IST/Aids de Belém, Reginaldo França Júnior, ressaltou a relevância institucional da sessão e anunciou avanços na estruturação do CASADIA, maior centro de atendimento a pessoas vivendo com HIV na capital.
A gestora em saúde Dra. Nelma Machado apresentou esclarecimentos técnicos e apontou prioridades para melhorar fluxos, protocolos e a rede de cuidado.
Estigma, interiorização da epidemia e o pedido por uma política estadual
Um dos momentos mais emocionantes da tarde veio com a fala de Janailson Lobo Giron, representante estadual da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+Brasil). Ao destacar o caráter histórico da sessão, ele denunciou o estigma que ainda obriga pessoas do interior a buscarem tratamento em Belém — o que sobrecarrega os serviços especializados da capital e evidencia desigualdades regionais.
Janailson formalizou, diante das autoridades, o pedido para a criação de uma política estadual de HIV/Aids. A proposta recebeu apoio imediato do deputado Dirceu Ten Catem.
A fala foi encerrada com uma homenagem às pessoas que morreram em decorrência da aids nos últimos 40 anos e aos ativistas que constroem a resposta à epidemia no Pará e no Brasil.
Compromisso político e próximos passos
No encerramento da sessão, o deputado Dirceu Ten Catem anunciou a criação de um Grupo de Trabalho destinado a elaborar um Projeto de Lei que institua uma política estadual robusta e permanente. A proposta deve envolver diversas secretarias estaduais e apontar diretrizes para o enfrentamento do HIV/Aids, fortalecendo o CASADIA e ampliando ações no território.
A sessão passa a integrar a história política do estado como um marco institucional importante, que abre caminho para um novo ciclo de avanços na resposta ao HIV/Aids no Pará.
Redação da Agência de Notícias da Aids



