28/01/2007 – 9h30
Na manhã da última terça-feira (23/01), o coordenador da ONG Grupo Apoio Soropositivos, Renato da Matta, denunciou, via e-mail, a falta de kits para os exames de carga viral e CD4 no Posto de Saúde Milton Fontes Maragão, no bairro de Engenho de Dentro, Rio de Janeiro. As análises são necessárias para checar a condição do sistema imunológico dos pacientes soropositivos e verificar se o tratamento com medicamentos está sendo bem-sucedido.
Segundo o ativista Renato da Matta, o problema “já dura” meses. “Quando tem o kit de carga viral não tem o de CD4 e vice e versa. Conversei com vários pacientes e os mesmo me informaram que já estão a pelo menos há quatro meses nesta agonia para conseguir fazer exames”, conta Matta.
Contatada, a assessoria de imprensa do Programa Municipal de DST/Aids do Rio informou que o repasse de kits é realizado pelo Ministério da Saúde. Segundo o órgão, a empresa responsável pelos insumos dos exames, vencedora da uma nova licitação, irá realizar treinamentos para os profissionais de saúde. O Posto de Saúde Milton Fontes Maragão apenas recolhe as amostras de sangue e envia o material para um laboratório, o Fiocruz.
Em outubro do ano passado, o Programa Nacional de DST/Aids informou que haveria atrasos na aquisição de kits e insumos para realização de exames CD4/CD8 e carga viral devido à “impugnação dos processos licitatórios em curso” e orientou às Coordenações Estaduais de DST/Aids para que suspendessem “a coleta dos referidos exames nos laboratórios que não disponham de kits e insumos até a regularização do respectivo abastecimento.” (saiba mais). Até o fechamento da matéria, o Programa Nacional de DST/Aids não se pronunciou sobre o caso denunciado no início da semana.
Esta é a segunda vez que o posto de saúde recebe este tipo de denúncia (leia). O presidente do Fórum de ONG/Aids do Rio de Janeiro, Roberto Pereira, diz que, por enquanto, esta é a única reclamação sobre exames de carga viral e que irá apurar a situação em toda a capital fluminense.
“Cada um diz uma coisa: falha na licitação, atraso na alfândega e etc. Mas os meus impostos chegam aqui rigorosamente em dia. Isso não falha nunca”, escreve, indignado, Renato da Matta em seu e-mail.
Rodrigo Vasconcellos



