01/03/2014 – 11h
A 86ª edição do Oscar, que acontece neste domingo ( 2 de março) traz nove títulos concorrendo na categoria mais disputada, a de melhor filme. Dois deles abordam histórias reais, nas quais a aids aparece como pano de fundo, envolvendo os personagens principais. "Clube de Compras Dallas", de Jean-Marc Vallée, conta a história de Ron Woodroof (Matthew McConaughey, na foto à esquerda), um eletricista do Estado do Texas que, nos anos 1980, é diagnosticado com o vírus da Aids. " Philomena", do diretor Stephen Frears, narra a história de uma mulher ((Judi Dench) que, no século 19, engravida num convento na Irlanda, tem o filho tirado de seus braços pelas freiras e dado para adoção. Cinquenta anos depois, ao empreender uma busca para encontrá-lo, descobre que ele morrera em consequência de doenças causadas pelo HIV.
Em "Clube de Compras Dallas", o machão convicto e homofóbico declarado Woodroof tem, segundo seus médicos, 30 dias de vida. Ao tentar encontrar uma cura para ele mesmo, munindo-se de altas doses de AZT e outros medicamentos até então não aprovados oficialmente pelo governo americano (que ele obtém ilegalmente numa clínica no México e, mais tarde, do Japão), Woodroof restabelece o controle da própria saúde e prolonga sua sobrevivência por anos.
É assim que o eletricista acaba se transformando numa espécie de defensor público acidental da saúde, levando esperança para milhares de homossexuais infectados com o vírus, ao vender os medicamentos que trafica.
Produção independente que custou menos de US$ 5 milhões e foi rodada em 25 dias, "Clube de Compras Dallas" também concorre ao prêmio de melhor roteiro original, montagem, maquiagem e cabelo. Está em cartaz, em diversos cinemas.
"Philomena" aborda diversos temas, entre eles a forçada imigração de irlandeses para os Estados Unidos e a Grã-Bretanha a partir do século 19, a rejeição de gays nas equipes dos republicanos nos Estados Unidos, as mortes causadas pela aids, a venda de crianças de mães adolescentes que não haviam sido orientadas a prevenirem a gravidez pela igreja e o empurra-empurra das instituições que fecharam os olhos para o comércio ilegal dessas crianças.
Na história, Philomena, personagem que dá título ao filme, conta com a ajuda de um ex-jornalista, Martin Sixsmith (Steve Coogan) para descobrir o paradeiro do filho. Eles viajam para os Estados Unidos e lá ficam sabendo de toda a história do garoto em revelações que emocionam e trazem à tona um mundo de repressào e hipocrisia, especialmente em torno da igreja católica.
Pelo impecável trabalho em "Philomena", Judi Dench é forte candidata a levar a estatueta de melhor atriz. O filme também concorre nas categorias trilha sonora e roteiro adaptado.
A premiação do Oscar será transmitida ao vivo pelo canal TNT, neste domingo, às 20h30, com reprise na segunda-feira, às 11h. A Globo exibirá flashes da festa do cinema nos intervalos dos desfiles de Carnaval
Aids em foco
Ao longo dos últimos anos a indústria cinematográfica abordou a aids em diversas obras que se tornaram grandes sucessos de bilheteria nas telonas do mundo inteiro. Entre elas, "Philadelphia", de Jonathan Demme , de 1993. O filme conta a história de um promissor advogado (Tom Hanks) que trabalha para um tradicional escritório da Filadélfia e é despedido quando descobrem que ele portador do vírus da Aids. A partir daí, ele é forçado a encarar os próprios medos e preconceitos.
Ligados ao tema, também engordam a lista títulos como: "Meu Querido Companheiro" (Longtime Companion), de Norman René – 1990; "Um Lugar para Annie" (A Place for Annie), do diretor John Gray – 1994; "Kids" (Kids), de Larry Clark – 1995; "A Cura" (The Cure), de Peter Horton – 1995; "Uma Noite Apenas" (One Night Stand), de Mike Figgis – 1997; "As Horas, de Stephen Daldry – 2002; "Cazuza, o Tempo Não Para", de Sandra Werneck – 2004; "Holding Trevor" (Holding Trevor), dirigido por Rosser Goodman – 2007.
Giseppe Nardelli



